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Novas regras da F1 têm efeito colateral: ultrapassagens estão fáceis demais

Asa móvel tornou ultrapassagens fáceis na reta de Baku - Maxim Shemetov/Reuters
Asa móvel tornou ultrapassagens fáceis na reta de Baku Imagem: Maxim Shemetov/Reuters

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Barcelona (ESP)

11/05/2019 04h00

Os carros da Fórmula 1 passaram por algumas mudanças em 2019 para facilitar as ultrapassagens, como o aumento e a simplificação das asas. Isso serviu para diminuir a turbulência quando um carro tenta seguir o outro de perto e, depois de quatro etapas disputadas, os pilotos relatam que o efeito é positivo. Existe um subproduto dessas mudanças: as ultrapassagens ficaram fáceis demais em pistas nas quais as zonas de DRS (dispositivo que diminui a resistência ao ar quando ativado para dar mais velocidade ao piloto que está atrás nas disputas por posição) são mais longas. Uma das mudanças de 2019 foi o aumento em 20mm da abertura do DRS. Pode não parecer muito, mas isso significa que a asa móvel ficou cerca de 25% mais poderosa.

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Quando as regras de 2019 foram anunciadas, o diretor da parte técnica da F1, Ross Brawn, afirmou que a ideia para o futuro seria redesenhar os carros para que o DRS não precisasse mais ser usado. Para este ano, Brawn afirmou que as mudanças serviriam como auxílio à asa móvel em pistas nas quais as retas - e, com isso, as zonas de ativação - são curtas. Mas garantiu que a sua extensão seria revista nas retas mais longas.

A promessa, contudo, até agora não saiu do papel. Pelo contrário: uma terceira zona de DRS foi adicionada no Bahrein. E, em circuitos nos quais a asa antiga já era bastante efetiva no passado - como no caso de China e Baku, que tem a maior reta do campeonato - elas foram mantidas com a mesma extensão. Com a facilidade das ultrapassagens, estas duas etapas foram muito menos movimentadas do que de costume.

"Eu apoiaria tentar acabar com o DRS. Mas no momento é uma boa solução para algumas pistas em que você não consegue passar normalmente", avalia Max Verstappen. Mesmo não gostando do DRS, ele acredita que a F-1 ainda precisa do dispositivo porque "seguir outro carro de perto ainda é difícil, ainda mais porque seus pneus superaquecem."

Mesmo assim, o holandês acha que a FIA poderia "tentar diminuir as zonas de ativação. Ao longo dos últimos anos, eles aumentaram, então poderiam mexer de novo."

A visão de Verstappen é semelhante à de Lewis Hamilton, para quem o DRS é apenas um "band-aid para a má qualidade de disputas que temos com os carros atuais", referindo-se à turbulência.

A tendência em manter a extensão da zona de DRS mesmo com a adoção da asa móvel mais eficiente se mantém para o GP Espanha, neste final de semana: as duas zonas de DRS do Circuito da Catalunha seguem com o mesmo tamanho do ano passado, quando uma delas foi aumentada em 100m para facilitar as ultrapassagens.

A classificação para a quinta etapa do campeonato começa às 10h da manhã deste sábado pelo horário de Brasília.