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História do GP da Holanda na F1 tem tragédias e só uma vitória brasileira

Robin Utrecht/NurPhoto via Getty Images
Imagem: Robin Utrecht/NurPhoto via Getty Images

Do UOL, em São Paulo

2019-05-17T04:00:00

17/05/2019 04h00

O anúncio do retorno da Holanda ao calendário da Fórmula 1, a partir de 2020, ofereceu um toque de nostalgia à categoria. E ainda que o sucesso recente de Max Verstappen tenha reaproximado o público holandês da F-1, não é exagero dizer que o país pode ser considerado um palco bastante tradicional - e mais especificamente o Circuito de Zandvoort, que receberá o Grande Prêmio local.

Explica-se: embora a cidade de Zandvoort já recebesse corridas na década de 30, a primeira corrida no circuito local é da década de 40. São desta época, ainda anteriores à Fórmula 1, os primeiros Grandes Prêmios na região: Príncipe Bira venceu em 1948 e Luigi Villoresi em 1949.

Com o advento da Fórmula 1, Zandvoort recebeu dois GPs extracampeonato em 1950 e 1951, ambos vencidos pelo francês Louis Rosier. A partir daí, o traçado passou a aparecer oficialmente - ainda que de forma esporádica - na categoria.

A Holanda só se fixou no calendário em 1958, quando Stirling Moss venceu em Zandvoort. Daí em diante, a etapa esteve presente até a temporada de 1985, com uma ausência: em 1972.

Ao longo de décadas, Zandvoort escreveu parte importante da história da Fórmula 1. A pista, que está voltando à categoria, já foi até palco de vitória brasileira - e, infelizmente, de mortes de pilotos.

Conheça (ou relembre) a história de Zandvoort:

Piloto da casa

A cidade de Zandvoort é pequena - segundo dados de agosto de 2017, são apenas 17 mil habitantes morando por ali. Mas a facilidade de um circuito no "quintal" acabou produzindo pelo menos um piloto de destaque, que chegou à Fórmula 1: Jan Lammers.

Ao longo de sua carreira, Lammers teve uma trajetória peculiar na Fórmula 1. Em sua primeira passagem, estreou na Shadow em 1979, passando por ATS (1980 e 1981), Ensign (1980) e Theodore (1982). Jamais pontuou.

Sem vaga na categoria na época, o holandês então se concentrou no Campeonato Mundial de Resistência. Permaneceu ali entre 1983 e 1992, com relativo sucesso - em 1988, por exemplo, venceu as 24 Horas de Le Mans.

No começo da década de 90, veio a surpresa: em 1992, voltou à Fórmula 1 para disputar duas provas (Japão e Austrália) pela March. Ainda hoje, detém um curioso recorde: o retorno após mais de dez anos representa o mais longo afastamento de um piloto entre etapas da categoria.

Curiosamente, Lammers tem uma história de pouco sucesso em suas duas únicas participações nos GPs da Holanda. Em 1979, largou na 23ª posição e abandonou com apenas 12 voltas, vítima de um problema no câmbio; no ano seguinte, não conseguiu alinhar no grid.

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Jan Lammers deixou a Fórmula 1 em 1982; no entanto, surpreendeu ao retornar dez anos depois Imagem: Allsport UK/Allsport/Getty Images

A única vitória brasileira

Embora diversos pilotos brasileiros tenham disputado o Grande Prêmio da Holanda ao longo dos anos, apenas um conseguiu uma vitória: Nelson Piquet, em 1980.

Naquela corrida, realizada em 31 de agosto, Piquet largou em quinto lugar. O australiano Alan Jones, que largou em quarto com a Williams, tomou a liderança do pole René Arnoux logo no começo, mas o francês da Renault deu o troco na segunda volta.

Na disputa por posições, a Ligier de Jacques Laffite assumiu a ponta na terceira volta e se sustentou. Até que, na 13ª volta, o brasileiro da Brabham tomou o primeiro lugar para não perder mais. Arnoux e Lafitte completaram o pódio. Em sua primeira temporada, Alain Prost levou a McLaren ao sexto lugar.

Entre outros resultados de destaque em Zandvoort, Emerson Fittipaldi foi terceiro com a McLaren em 1974 e quarto com a Copersucar em 1977. Além dele, José Carlos Pace foi quinto com a Brabham em 1975 e Ayrton Senna conseguiu um terceiro lugar com a Lotus em 1985.

Bernard Cahier/Getty Images
Nelson Piquet venceu GP da Holanda de 1980, única vitória brasileira na prova Imagem: Bernard Cahier/Getty Images

Tragédias

Em sua história, Zandvoort foi palco de 13 acidentes fatais a partir da década de 50 - o último deles, recentemente, em 2017. Entre as tragédias, três ocorreram com carros de Fórmula 1.

  • Primeira tragédia

Durante o Grande Prêmio da Holanda de 1970, o carro de Piers Courage, que corria pela Frank Williams Racing Cars, sofreu uma avaria e passou reto em uma curva, caindo de cabeça para baixo em uma vala. No acidente, o chassi De Tomaso foi tomado por fortes chamas. Aos 28 anos, o britânico deixou esposa e dois filhos.

  • A morte de Roger Williamson

É possível que o acidente fatal de Roger Williamson seja um dos mais emblemáticos da história da Fórmula 1, embora o GP da Holanda de 1973 tenha sido apenas o segundo de sua carreira. Durante a prova, um pneu da March do britânico estourou, provocando um capotamento. O carro se arrastou de ponta-cabeça, pegando fogo frente ao atrito do tanque com o asfalto. Com a March em chamas, a primeira tentativa de socorro veio do britânico David Purley, piloto da LEC e amigo de Williamson, que desceu de seu carro e correu para tentar desvirar o do colega. Desesperado, Purley ainda correu para pegar o extintor de um socorrista que chegava ao local e disparou contra as chamas. Sem conseguir salvar Williamson, o piloto então se afastou da cena, cambaleante e desolado. Williamson tinha 25 anos.

Central Press Photos/Hulton Archive/Getty Images
David Purley inspeciona destroços do carro de Roger Williamson após acidente fatal de 1973 Imagem: Central Press Photos/Hulton Archive/Getty Images

  • Acidente fatal em 2017

Durante do GP da Holanda de 2017 do Campeonato Histórico da FIA, uma categoria que utiliza antigos carros da F-1, o francês David Ferrer sofreu um acidente da primeira corrida da rodada dupla em Zandvoort - sua March 701, modelo utilizado nas temporadas 1970 e 1971, escapou da pista em uma curva de alta. Socorrido ainda na pista, Ferrer foi levado de helicóptero a um hospital, mas não resistiu. Morreu aos 61 anos.