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Fórmula 1 resgata inovação dos anos 70 para dar mais emoção às corridas

Pilotos após a largada do GP do Barein  - Andrej ISAKOVIC / AFP
Pilotos após a largada do GP do Barein Imagem: Andrej ISAKOVIC / AFP

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Londres (ING)

17/07/2019 04h00

A Fórmula 1 decidiu se inspirar no passado em busca do aumento de competitividade das corridas a partir de 2021, quando a categoria passará por uma extensa reformulação, tanto na área técnica, quanto na esportiva: embora o conceito final do carro não tenha sido definido, dirigentes e equipes concordaram com a volta do efeito-solo nos carros.

Esse conceito começou a ser desenvolvido ainda nos anos 1960, mas marcou época na Fórmula 1 depois do título conquistado por Mario Andretti a bordo do Lotus 78, em 1978. A solução aerodinâmica "emprestada" da aviação e que tornou os carros muito mais rápidos nas curvas, contudo, não durou muito, depois de uma série de acidentes em que o carro simplesmente levantava voo. O acidente fatal de Gilles Villeneuve, em 1982, oficialmente acabou com a era dos chamados carros-saia, embora só anos depois a obrigatoriedade de um assoalho plano foi devidamente regulamentada.

Basicamente, o efeito-solo é como uma asa invertida de avião, que ajuda a "grudar" o carro o mais perto possível do asfalto, permitindo que o piloto faça as curvas com mais velocidade. Embora a questão da segurança tenha afastado o conceito da F-1 há quase 40 anos, o que deve retornar à categoria é uma versão melhorada e menos sensível, sem as "saias". Isso foi determinado pelas simulações feitas pela equipe chefiada por Ross Brawn, que apontam que essa é a melhor solução para reduzir drasticamente o problema central da categoria atualmente: a turbulência gerada pelos carros, que impede que um piloto siga o outro de perto.

Na primeira vez na história da F1 em que vários conceitos foram testados pelos simuladores de um grupo de engenheiros dedicado exclusivamente para estudar as novas regras, a expectativa é de que, com a volta do efeito-solo, os carros percam só 5% a 10% da sua aerodinâmica (importante para o equilíbrio do carro) quando estiverem seguindo um rival de perto. Hoje em dia, mesmo com as mudanças que foram feitas neste ano justamente para melhorar esse percentual, o número é calculado em 45 a 50%.

"Queremos tornar possível que um carro siga o outro de perto para as disputas serem mais emocionantes", disse o chefe de carros de fórmula da FIA, Nikolas Tombazis. "Queremos que os pneus também permitam essas batalhas sem se degradarem ou dando um intervalo para que o piloto ataque."

Tombazis explicou que o conceito do novo carro da F-1 é mais simples, fazendo com que a maior parte da pressão aerodinâmica venha do assoalho, e não das asas, "limpando" a turbulência que é tão prejudicial às disputas atualmente. "Eles são mais simples porque vários componentes menores foram removidos, especialmente nas laterais e na asa dianteira. Há um difusor na parte de baixo que canaliza o ar por meio de túneis que geram pressão aerodinâmica."

A conversa sobre o retorno do efeito-solo é antiga: desde 2015, fala-se que este seria o melhor conceito para deixar as corridas mais competitivas. E Nico Rosberg, inclusive, saiu a favor da medida depois de pilotar o carro com o qual seu pai, Keke, correu em 1982. "Eu estava observando o carro do meu pai e tudo se baseia em efeito-solo", disse Rosberg. "A aerodinâmica está debaixo do carro. Eles poderiam seguir um ao outro o tempo todo. Precisamos ver batalhas, lutas e roda com roda."

Com o efeito-solo, a expectativa é de que os carros não percam muita velocidade mesmo se ficarem com uma aerodinâmica mais "limpa" na parte de cima, algo que gera muita turbulência e prejudica as corridas.

O restante das mudanças no carro e as possíveis alterações no formato do final de semana, além do teto orçamentário das equipes devem só ser finalizados em outubro.