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Perto de renovar com Mercedes, Williams fecha a porta para Petrobras

Carro de Robert Kubica tenta se aproximar de George Russell, ambos pilotos da Williams - Thomas Peter/Reuters
Carro de Robert Kubica tenta se aproximar de George Russell, ambos pilotos da Williams Imagem: Thomas Peter/Reuters

Julianne Cerasoli

Do UOL, em Londres (ING)

24/07/2019 04h00

A chefe da Williams, Claire Williams, confirmou que a equipe está negociando a extensão de seu contrato de fornecimento de motores com a Mercedes, afastando o rumor de que a equipe poderia voltar a contar com motores Renault.

O negócio envolveria a Petrobras, que no momento desenvolve combustível e lubrificantes para a McLaren, outra equipe que usa o motor francês, e incluiria também o brasileiro Sergio Sette Camara, que é piloto de desenvolvimento da McLaren e está atualmente na F-2.

Segundo apurou o UOL Esporte, a Williams manteve conversas avançadas com a Renault até o mês de abril, quando as negociações esfriaram. A partir dali, Claire Williams passou a focar na renovação do acordo com a Mercedes.

"Estamos conversando com a Mercedes, como era de se esperar", disse a chefe. "As negociações estão indo bem, e esperamos conseguir concluir uma nova parceria com eles a partir de 2021. Eles têm sido um parceiro fantástico para nós, têm nos apoiado muito. Todos sabem que Toto [Wolff, chefe da Mercedes] começou sua carreira na Williams", lembrou Claire Williams. "Por conta disso, temos uma grande relação com ele e gostaria que isso continuasse."

Existe ainda a possibilidade de que a parceria com a Mercedes avance para outras áreas dos carros. O time tem adotado uma postura mais independente em relação a outros de orçamento semelhante, como a Alfa Romeo, por exemplo, que tem uma ampla parceria com a Ferrari que vai além do fornecimento de motores. A equipe tem avaliado se não seria a hora de rever essa postura.

"Já passamos por esse processo de avaliação no ano passado. Estamos fazendo o mesmo neste ano depois do que aconteceu conosco no teste, para entendermos o que deveríamos fazer e o que deveríamos comprar pronto. Agora vamos tomar a decisão com base neste estudo para comprar mais peças da Mercedes ou de outros fornecedores", disse.

Claire refere-se aos atrasos do projeto do carro deste ano, que só foi para a pista no terceiro dos 8 dias de testes na pré-temporada. Uma das equipes mais tradicionais do grid, a Williams vem buscando manter-se o mais independente possível. No entanto, o time vem enfrentando seu pior momento da história, com rendimento muito inferior até mesmo em relação às equipes do meio do pelotão e sem nenhum ponto conquistado na temporada até aqui.

Quanto ao futuro de Sette Camara, seu nome por enquanto não circula entre os rumores do paddock, em um ano em que poucos contratos estão vencendo. Na sua atual equipe, a McLaren, Carlos Sainz e Lando Norris estão confirmados para 2020.

Já a situação da Petrobras na F-1 segue indefinida. A McLaren insiste que o contrato com a empresa brasileira segue em vigor até o ano que vem, mesmo após as declarações do presidente Jair Bolsonaro de que o acordo seria cancelado.

Segundo apurou o UOL Esporte, o governo estudou acabar com o contrato, que é de patrocínio e de desenvolvimento de combustível, mas a avaliação final foi de que o gasto seria maior. Estima-se que o investimento total seja de mais de R$ 45 milhões por ano. Desde o final de 2018, a McLaren usa o óleo de transmissão desenvolvido pela Petrobras, e a equipe espera contar com mais produtos no futuro.

Neste fim de semana, a Fórmula 1 realiza sua 11ª etapa da temporada, na Alemanha. Lewis Hamilton é o líder do campeonato, com 223 pontos. Seu companheiro de Mercedes, Valtteri Bottas, é o segundo, com 184.