UOL Esporte Futebol Americano
 
29/06/2009 - 07h05

Rivais paulistas fazem primeiro jogo com equipamento completo

Rafael Krieger*
Em São Paulo
Na liga profissional de futebol americano dos Estados Unidos, os capacetes e ombreiras fazem parte do jogo. Mas, aqui no Brasil, ainda é raro ver atletas usando o equipamento completo. O material é difícil de conseguir, porque custa caro e tem que ser importado. Mesmo assim, os principais times brasileiros já estão começando a usar todo o aparato visto nos jogos da NFL. No último domingo, dois rivais paulistas fizeram o primeiro jogo full pad realizado em São Paulo.

FUTEBOL AMERICANO 'DE VERDADE'
Rodrigo Farah/UOL
Capacetes não são encontrados no Brasil e custam, em média, R$ 600 cada um
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Mas o uso dos equipamentos é fundamental para se jogar do mesmo jeito que na NFL
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E é preciso ter cuidado, porque a proteção pode enganar. O arranhão acima é sinal de que o jogador levou pancada na cabeça
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Antes, os 'clássicos' entre São Paulo Storm e Sorocaba Vipers aconteciam sem capacete, o que implica em um jogo de menos contato e até mesmo com regras diferentes. Com a colaboração de todos os jogadores, que também pagaram pelos equipamentos, os times puderam se aproximar mais da emoção dos duelos da NFL.

O Storm venceu os Vipers em Sorocaba por 33 a 14, em um jogo que foi muito celebrado por todos os jogadores. Pela primeira vez, eles podiam jogar futebol americano de verdade representando o seu time. Mas o jogo full pad, como é chamado quando se usa todo o equipamento, não chega a ser fato inédito no Brasil.

No início do mês, a terceira edição do Pantanal Bowl foi o primeiro torneio entre clubes de futebol americano com jogos full pad no Brasil. O campeonato de seleções estaduais que aconteceu em Sorocaba há dois meses também teve times completamente equipados. O que significa um jogo bem diferente, na tática e na técnica.

"Quando jogávamos sem equipamento, tinha uma série de regras que limitavam as jogadas. Uma coisa que você faz com capacete é abaixar o tronco para atropelar o adversário, impossível sem o equipamento. Fica mais bonito, mais viril, muda completamente o jogo", explicou Leonardo Sardinha, coordenador de ataque do São Paulo Storm que agilizou a compra dos aparatos.

"O preço do dólar é o maior obstáculo. Hoje tem gente fazendo projetos no Brasil, mas nada completo. Mesmo assim, no ano passado, eram só duas equipes que jogavam com equipamento. Agora, são dez", completou Sardinha. Segundo ele, cada capacete custa, em média, R$ 600, e as ombreiras saem em torno de R$ 500. Só a carga de impostos representa 60% desses valores.

Flag e Full pad

Antes de jogar com o traje completo (full pad), os times brasileiros praticavam outra modalidade de futebol americano: o flag. Sem nenhuma proteção, os defensores tiram uma fita da cintura do rival para parar a jogada. Com capacete e ombreiras, isso é feito na base da trombada, como se vê nos Estados Unidos.

"A partir do momento que você começa a usar todo o equipamento, pensa que está jogando futebol americano de verdade. Você tem aquela gana a mais. Quando você não tem os aparelhos, fica algo mais amador e desanima um pouco", admitiu o quarterback do São Paulo Storm, Daniel Rago.

Mas o jogador também lembra que é preciso mudar o treino: "Com os equipamentos, o atleta fica com mais carga e às vezes pode achar que é o Super-Homem. Então, nos treinos a pessoa precisa se concentrar mais na parte técnica, pois o equipamento em si é muito perigoso".

A principal mudança no treinamento é na parte física. O jogador precisa trabalhar mais a região das costas e do pescoço, para se adaptar ao peso do capacete e resistir aos impactos das jogadas. Com a proteção, as trombadas passam a ser permitidas, e o risco de lesões passa a ser maior ainda.

Ou seja, o esporte passa a ser mais realista em relação à NFL, que serve de inspiração para o Torneio Touchdown, competição full pad pioneira no país e equivalente ao Brasileirão da modalidade, marcada para começar no segundo semestre. Mas, mesmo com todo esse avanço, o técnico do Sorocaba Vipers, Thiago Cordeiro, ainda lamenta a falta de estrutura.

"Precisamos avançar em questões como informatização. Do jeito que é hoje, ainda está muito distante. Nao é culpa de ninguém, é falta de dinheiro mesmo. Mas coisas como relógio, microfone para o juiz e placar eletrônico são fraquezas de infra-estrutura", comentou o técnico, já sonhando com os próximo passos do futebol americano no Brasil.

*Colaborou Rodrigo Farah

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