Como jogador da NFL virou alvo até de Trump por se sentar na hora do hino

Do UOL, em São Paulo

  • Ezra Shaw/Getty Images

    Colin Kaepernick sentou-se durante hino dos EUA em protesto contra violência policial

    Colin Kaepernick sentou-se durante hino dos EUA em protesto contra violência policial

Colin Kaepernick é daqueles atletas que despontaram como grandes promessas no mundo dos esportes, mas ao longo do tempo foram ganhando as páginas dos jornais mais por causa de polêmicas e menos devido aos grandes feitos dentro de campo. Aos 28 anos, hoje quarterback do San Francisco 49ers, ele se encontra no centro de mais um imbróglio, motivo pelo qual se tornou alvo de uma enxurrada de críticas nos EUA.

Tudo começou na última sexta-feira (26), em uma partida de pré-temporada do 49ers contra o Green Bay Packers, quando Kaepernick decidiu se sentar durante a execução do hino dos EUA. Em todas as grandes ligas esportivas estadunidenses, o hino norte-americano costuma preceder as partidas. Na NFL, liga de futebol americano, também é assim. O amistoso, portanto, seguiu o protocolo. Quem destoou foi Kaepernick.

"Eu não vou me levantar para mostrar orgulho à bandeira de um país que oprime pessoas negras e pessoas de cor. Para mim, isso é maior que o futebol [americano] e seria egoísta da minha parte enxergar de outra forma. Têm corpos nas ruas e pessoas se safando de assassinatos", explicou Kaepernick.

Foi mais que o suficiente para gerar reações de todos os lados. A Associação dos Policiais de San Francisco afirmou que, de uma só vez, Kaepernick constrangeu o 49ers e a NFL e exigiu pedido de desculpas.

"O senhor Kaepernick constrangeu a si mesmo, o San Francisco 49ers e a NFL baseado numa narrativa falsa e desinformação que carece de base material", afirmou em comunicado o presidente da Associação.

A polêmica que tomou conta do fim de semana nos EUA fez o San Francisco 49ers se posicionar.

"O Hino Nacional é e sempre será uma parte especial da cerimônia antes do jogo. É uma oportunidade para homenagear o nosso país e refletir sobre as grandes liberdades que são oferecidas aos seus cidadãos. Ao respeitar os princípios americanos de liberdade de religião e liberdade de expressão, reconhecemos o direito de um indivíduo de escolher e participar, ou não, na nossa celebração do hino nacional", diz a nota.

A NFL seguiu a mesma linha de uma de suas franquias e disse ser recomendável ficar de pé diante do hino americano, mas não obrigatório. "Os jogadores são encorajados, mas não obrigados a ficar de pé durante a execução do hino nacional", informou a liga de futebol americano.

Stephen Dunn/Getty Images

Muitos dos jogadores da NFL não seguiram o mesmo tom diplomático. Colega de Kaepernick por cinco temporadas, o hoje jogador dos Vikings Alex Boone classificou a atitude como "vergonhosa".

"Deveria ter algum respeito pelas pessoas que serviram [às Forças Armadas], especialmente às pessoas que perderam sua vida para proteger nossa liberdade. Nós estamos aqui jogando um jogo, ganhando milhões de dólares, enquanto pessoas estão perdendo suas vidas. Isso me deixou louco. Ele pode fazer o que quiser, mas tudo tem hora e lugar. Mostre algum respeito", afirmou Boone.

Outro jogador da NFL que criticou a atitude de Kaepernick foi Victor Cruz, atleta do New York Giants.

"Independentemente de como você se sente sobre as coisas que estão acontecendo no país hoje e as coisas que estão acontecendo em todo o mundo em relação à violência armada e coisas dessa natureza, você tem que respeitar a bandeira. Você tem de levantar-se com os seus companheiros de equipe e prometer sua fidelidade à bandeira. É maior do que apenas você, na minha opinião", disse Cruz.

A rejeição à atitude de Kaepernick se estendeu às redes sociais. Candidato republicano à Presidência dos EUA, Donald Trump não passou despercebido na polêmica e mandou o quarterback dos 49ers "encontrar um país que funcione melhor para ele".

Apesar da enxurrada de críticas que recebeu pelo ato de protesto durante o hino num país onde o patriotismo é um dos principais alicerces nacionais, Kaepenick também teve quem o apoiasse.

Alguns colunistas norte-americanos lembraram que o hino dos EUA remete - inclusive textualmente, na terceira estrofe, no verso "Nenhum refúgio poderia salvar o escravo" - ao período da escravidão. Outros destacam que, mesmo depois de tantos anos do fim da escravidão, a violência policial contra a população negra ainda é um dos temas mais sensíveis no país. Teve quem lembrasse, aliás, a recusa de Muhammad Ali de se apresentar às Forças Armadas dos EUA na Guerra do Vietnã.

Não foi a primeira vez que Kaepernick se posicionou publicamente contra a violência policial nos EUA. "Eu vou continuar a sentar ", disse Kaepernick. "E vou continuar a ficar de pé com as pessoas que estão sendo oprimidas. Para mim, isso é algo que tem que mudar".



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