Idolatria, motorista bêbado e gols: conheça brasileiro que brilha na Europa

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

Veja gols de Raffael com a camisa do Borussia

Ser reconhecido em seu país e dar inúmeros autógrafos em uma simples caminhada no bairro. Todo garoto que inicia os seus passos no futebol vislumbra tudo isso. Aos 31 anos, Raffael alcançou o sucesso na carreira. No Brasil, porém, ele não é tão conhecido. Mas vá à Alemanha, mais especificamente em Mönchengladbach, e pergunte quem é o único brasileiro do time que conseguiu a quarta vaga da Bundesliga para disputar a Champions League.

O nome de Raffael será dito rapidamente e não espere nada menos que a alcunha "Abgott" (ídolo, em alemão) ao se referirem a ele. A idolatria é fruto dos gols e assistências que o versátil atacante conseguiu desde 2013 – só nesta temporada foram 15 bolas nas redes e 13 passes em 39 partidas.

E ele não escreveu o seu nome apenas na terra da seleção campeã mundial. A trajetória também conta com passagens de sucesso na Suíça e na Ucrânia. Na Europa desde os 18 anos, ele não se arrepende da escolha, mesmo que isso implique em desconhecimento dos brasileiros em relação ao seu futebol:

"Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida profissional, sair tão cedo do meu país para a Europa. Está me ajudando profissionalmente e fora de campo também a ser um jogador e uma pessoa melhor", disse ao UOL Esporte.

E tanto tempo no Velho Continente – 13 temporadas – faz com que ele tenha muita história para contar. A mais inusitada ocorreu em sua passagem pelo leste europeu. Quando defendia o Dínamo de Kiev, ele precisou levar o filho a um hospital, mas o motorista que foi buscá-lo em sua residência não tinha condições de dirigir:

"Rapaz, tem uma história que aconteceu na Ucrânia. Lá a gente dependia do motorista. Era um motorista do clube e teve um dia que meu filho ficou doente e a gente teve que levá-lo a um hospital. E quando ele chegou, ele estava bêbado, sem condições. Ele chegou com o filho dele dirigindo. Ele pediu desculpas, explicou que era o filho dele que iria dirigir. No final, deu tudo certo. No outro dia, quando ele ficou bom, a gente deu uma dura nele, porque o filho dele não sabia nem dirigir direito", relatou aos risos o jogador.

Mas não é só de histórias curiosas que se faz a experiência do jogador. Durante a passagem pela Europa, a qual contabiliza 13 anos, oito temporadas foram na Alemanha. E Raffael garante que o futebol tetracampeão mundial interfere diretamente em sua carreira.

"A importância é toda, porque fiz quase minha carreira toda aqui na Alemanha. A gente vê que o futebol evoluiu muito aqui na Alemanha. A gente também que está aqui, a tendência é evoluir. É bom você chegar a um país, num campeonato em que tem os melhores jogadores do mundo, a melhor seleção do mundo e também os jogadores que aqui jogam", comentou.

Faísca e Fumaça

Genya Savilov/EuroFootball/Getty Images

Na Europa, o atacante é conhecido como Raffael. Entretanto, para os amigos de infância, no Brasil, o nome é praticamente dispensável. Em Fortaleza, ele tem o apelido de Faísca, semelhante ao personagem criado em 1946 por Paul Terry, proprietário do estúdio Terrytoons.

A alcunha, todavia, não é devido à semelhança com o corvo que fazia dupla com Fumaça, mas, sim, por conta de um companheiro de time na AABB, time de futsal da capital cearense.

"Quando cheguei ao AABB, em Fortaleza, time de futsal, todos tinham um apelido. E era como se fosse uma lei, o jogador chegava e tinha que ganhar um apelido. Quando cheguei, tinha outro neguinho que se chamava Fumaça. Eu cheguei, era neguinho também, parecido com ele, e colocaram o meu apelido de Faísca para ficar a dupla Faísca e Fumaça", contou.

"Eu gostei (do apelido), até porque combinou e pegou. Até hoje tem muita gente que me chama de Faísca. Ficou só no Brasil. Quando cheguei à Europa, adotei o Raffael, que é o mais normal", acrescentou aos risos.

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