Em nota, Bahia critica julgamento do TJD e diz que não abandonará Estadual

Do UOL, em Santos (SP)

  • Felipe Oliveira/EC Bahia

O Bahia divulgou na noite desta quarta-feira (28) uma nota oficial – em texto aprovado por Diretoria Executiva, pelo Conselho Deliberativo e pelo Conselho Fiscal – na qual faz duras críticas ao julgamento do Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol da Bahia (TJD-BA), realizado na última terça-feira (27) e que absolveu o técnico Vágner Mancini e apenas puniu com multa (R$100 mil) o Esporte Clube Vitória pelos acontecimentos no clássico.

O comunicado foi divulgado logo após uma reunião que convocada em caráter de urgência pela diretoria executiva para debater e deliberar sobre o julgamento do TJD e suas consequências para o campeonato e para o futebol baiano.

O clube tricolor questiona o julgamento do Tribunal e diz que o exemplo dado foi o de que 'vale a pena abandonar o campo'. "A falta de compromisso com a verdade real e a desconexão absoluta com a dimensão dos fatos permitiram que um abandono de campo por um clube de Série A do futebol brasileiro permanecesse impune", acrescenta a nota.

Além de criticar as decisões do Tribunal, o Bahia recorda o episódio do Campeonato Baiano de 1999, quando o clube tricolor foi à Justiça para não atuar a segunda final no Barradão após dirigentes e torcedores alegarem terem sido agredidos no estádio rubro-negro. A Justiça concedeu liminar descartando o Barradão e mandando o jogo para a Fonte Nova, e cada time seguiu para um estádio. Diante deste cenário, o título acabou dividido entre Bahia e Vitória.

Por fim, o clube tricolor garante que seguirá disputando normalmente o Campeonato Baiano de 2018. "Isso não significa que ele tenha credibilidade. Significa que acreditamos em nosso clube e que temos respeito por nossa torcida, nossos patrocinadores e pela Bahia", diz o comunicado.

Leia a nota completa:

O Esporte Clube Bahia vem a público manifestar-se sobre as recentes decisões do Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol da Bahia:

1 – O julgamento realizado na noite desta terça-feira (27) é um símbolo do que vivemos no futebol baiano nos últimos anos e um indicativo claro do que podemos esperar do seu futuro. A falta de compromisso com a verdade real e a desconexão absoluta com a dimensão dos fatos permitiram que um abandono de campo por um clube de Série A do futebol brasileiro permanecesse impune.

Ou seja, a depender das circunstâncias, vale a pena abandonar o campo. É só negar repetidamente, inclusive em rede nacional de televisão. Risos, resenhas, pulso cerrado para a torcida e quem sabe – lá distante – um incômodo no travesseiro.

2 – Há quase 20 anos, em 1999, o Bahia utilizou estratégia equivalente, esquivando-se da disputa em campo e deslocando a luta para os tribunais. Foi uma mancha em nossa história. Depois disso vimos outros desmandos, dentro e fora do clube. Lutamos contra isso, nos democratizamos, amadurecemos. Uma atitude semelhante a essa, em pleno ano de 2018, seria provavelmente motivo de crise e não de orgulho dos dirigentes ou da torcida. Que esse jogo sirva ao menos para amadurecimentos institucionais.

3 – Seguiremos firmes e de pé no Campeonato Baiano. Isso não significa que ele tenha credibilidade. Significa que acreditamos em nosso clube e que temos respeito por nossa torcida, nossos patrocinadores e pela Bahia. Significa que temos serenidade para tomar as decisões mais difíceis, inclusive essa de seguir em campo. Em campo conquistamos as nossas grandes glórias, inclusive os dois títulos nacionais.

4 – Sobre o futuro do futebol baiano, esperamos uma transformação equivalente àquela que o Esporte Clube Bahia passou nos últimos quatro anos. Uma transformação trabalhosa, conflituosa, capaz de romper modelos e paradigmas. Mas uma transformação pela sobrevivência. Faremos a nossa parte, e não faremos pouco.

5 – Quanto aos tribunais, e especificamente ao Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol da Bahia, cada decisão terá impacto no futuro das próximas edições do campeonato e do próprio futebol baiano. Mais que interpretar e aplicar bem as normas, precisam ser a expressão de avanços éticos e sociais.

Muitas escolhas do Esporte Clube Bahia e de outros clubes certamente estarão relacionadas às escolhas dos próprios tribunais. Que aproveitem bem as oportunidades que ainda restam para mostrar que a Bahia não está mais no século passado.

Quem nasceu para vencer não fugirá jamais.

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