UOL Esporte Brasileirão - Série A
 
04/06/2010 - 07h18

Surpresos, jogadores do Cruzeiro tentam absorver saída de Adilson

Gustavo Andrade
Em Belo Horizonte

O anúncio de demissão feito pelo técnico Adilson Batista na quarta-feira, após o empate sem gols com o Santos, no Mineirão, surpreendeu os jogadores da equipe mineira, que lamentaram a saída do treinador que chegou ao Cruzeiro em 2008. “A gente fica surpreso por esse pedido, mas vamos tentar trabalhar e superar essa ausência”, afirmou o zagueiro Leonardo Silva, que se tornou o capitão cruzeirense sob o comando do ex-treinador.

Com o mesmo treinador há 30 meses, o zagueiro esperava pela continuidade do trabalho. Adilson Batista tinha contrato com o Cruzeiro até o fim de 2010. “Isso surpreende, porque a gente esperava dar continuidade no trabalho e sequência no planejamento. Mas a gente sabe que futebol não é assim, acontecem certas coisas que fogem à alçada de qualquer um que esteja em campo”, avaliou o capitão cruzeirense.

Leonardo Silva afirmou que a equipe perde uma família formada ao longo dos dois anos e meio em que Adilson Batista comandou o Cruzeiro. Entretanto, o objetivo dos jogadores é superar a saída do antigo treinador e vencer o Atlético-GO, em Goiânia, no domingo, quando a equipe será comandada por Emerson Ávila, coordenador técnico do clube mineiro.

“A gente fica triste pelo profissional, pela família que a gente tinha aqui, pelo trabalho, mas a gente agora tem de sacudir a poeira. Temos um time de qualidade e um jogo no domingo para entrar em campo e buscar o resultado. A gente fica chateado, mas futebol é assim, não tem como permanecer eternamente num local. Vamos tentar no domingo amenizar o que aconteceu nessa semana”, disse.

Para alguns jogadores, a saída de Adilson Batista representa o fim de uma relação ainda mais extensa do que a do período de convivência no Cruzeiro. O volante Fabrício, assim como Henrique e Marquinhos Paraná, já havia trabalhado com o ex-treinador no Jubilo Iwata, no Japão.

Contudo, o jogador que chegou ao clube mineiro juntamente com Adilson vê a saída do treinador após longo tempo numa mesma equipe como algo natural do futebol. “Lógico que a gente fica um pouco sentido, mas é futebol. Joguei num time, o Corinthians, em que até o meio do ano já tinha trocado três vezes de treinador. Aconteceu uma coisa que nunca havia acontecido comigo, de ter o mesmo treinador durante duas temporadas e meia”, destacou Fabrício.

O volante lamenta a perda de um relacionamento amigável dentro do clube, mas já se volta para ajudar o novo treinador. “Criou-se aquele vínculo de amizade, do dia a dia do trabalho, a gente sabia como procediam as coisas. Lógico que a gente fica um pouco sentido. Vida que segue, a gente é profissional, temos que ajudar quem chega, porque, assim, automaticamente estamos nos ajudando”, ressaltou.

Fabrício destacou ainda que alguns atletas podem temer a perda de espaço com um novo treinador, mas receitou tranquilidade. “Às vezes, quando chega novo treinador, os jogadores temem não ser aproveitados. Mas a gente que está acostumado com isso tem de continuar trabalhando. Um gosta do branquinho, outro do pretinho e outro do amarelo. Temos que ficar tranquilos e continuar trabalhando, porque isso pode acontecer em qualquer clube e isso não é diferente no Cruzeiro”, analisou.
 

Compartilhe:

    Placar UOL no iPhone

    Hospedagem: UOL Host