UOL Esporte Brasileirão - Série A
 
20/07/2010 - 09h01

Demitido, ex-fisiologista do São Paulo já diz ter proposta de 'rival'

Marcel Merguizo
Da Folhapress
Em São Paulo

Demitido do São Paulo na última sexta-feira, às 13h (de Brasília), antes da delegação são-paulina embarcar para Salvador, onde perdeu para o Vitória por 3 a 2, o fisiologista Turíbio Leite de Barros diz que nunca recebeu um aumento salarial no clube no qual trabalhou nos últimos 25 anos.

Um dos principais responsáveis pela idealização do Reffis (Reabilitação Esportiva, Fisioterápica e Fisiológica), que fica centro de treinamento da Barra Funda e costuma receber atletas do mundo todo, Turíbio também conta que após sua demissão ser divulgada, recebeu proposta para montar um projeto similar fora do São Paulo.

“Já tive convite de alguém muito conhecido que quer fazer uma estrutura dessa. Não posso dizer para quem, mas a ideia é tratar jogadores aqui e no exterior com a mesma estrtura que montamos no São Paulo”, conta, antes de dizer que não volta a trabalhar no clube pelo qual torce.

“O sentimento de perda não tem como disfarçar. Não me explicaram nada. No momento, estou arrasado. Não aceitaria voltar, não iria me sujeitar a isso”, diz Turibio, chateado por não ter sido procurado pelo presidente Juvenal Juvêncio. Ele revela, porém, ter recebido telefonemas de membros da direção do clube indignados com a demissão.

Mesmo que Turíbio não seja contratado por Corinthians, Santos (ambos já possuem centros de excelência na área) ou Palmeiras, o São Paulo teria um grande “rival” ao tentar atrair jogadores para tratamento especializado, um dos grandes trunfos do clube do Morumbi nos últimos anos.

Para o vice-presidente de futebol do clube, Carlos Augusto de Barros e Silva, que foi quem deu a notícia a Turíbio na sexta-feira, foi apenas uma deliberação da diretoria, que deseja uma reformulação.

“Estão fazendo muita confusão por algo normal. A saída dele é uma coisa rotineira em qualquer empresa. De repente, ganhou um vulto grande. Mas deve ser encarado com algo normal”, comenta o diretor, que assume que a reformulação deve continuar, mas sem data nem nomes previstos ainda.

Barros e Silva reconhece o trabalho de Turíbio em sua área, mas diz que o São Paulo também deu muito a ele nos últimos anos. “Ele transcendeu aquele profissional que começou no São Paulo em 1985. Mas o São Paulo deve ter grande parte nesse profissional que ele se transformou”.

A relação custo-benefício poderia ser uma das justificativas da demissão. A diretoria do São Paulo, porém, afirma que foi apenas um dos passos de uma reformulação que está em curso no clube. Para Turíbio, a hipótese da economia é injustificável.

“Se eu falar em salário, vão dar risada. Nunca me deram um aumento de salário em 25 anos. Tive reajustes previstos em lei. Mais nada. Nunca pedi nem recebi aumento. Pode ter certeza que salário não era problema. Já tive proposta para sair e ganhar dez vezes mais, mas não aceitei nem levei a proposta para a diretoria. Tenho o mesmo salário de 1985, com reajustes”, afirma o fisiologista, por telefone, de Campos do Jordão (SP).

“Não tenho conhecimento do salário dele. Não sou da diretoria desde 1985”, responde Barros e Silva.

O fisiologista, considerado uma das grandes referências da área, afirmou que foi pego de surpresa com a demissão e aponta que a preocupação está direcionada para outra área no momento. “O foco está muito direcionado para o Morumbi [ainda candidato a sede da Copa do Mundo de 2014], é uma constatação. Não quero falar muito no assunto para não parecer que quero dizer algo... Mas veio em um momento em que o clube pode ter um ano marcante [está na semifinal da Libertadores]. Agora, vamos torcer”, conclui.

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