UOL Esporte Brasileirão - Série A
 
16/08/2010 - 07h06

Carinho de pai é receita de Renato Gaúcho para dar confiança ao Grêmio

Marinho Saldanha
Em Porto Alegre

Os primeiros sinais do trabalho de Renato Gaúcho começaram a aparecer no time do Grêmio. Além da vitória, que não ocorria há nove jogos oficiais, jogadores como Douglas e Neuton apresentaram uma vontade imensa em campo e saíram aplaudidos. Entendedor das necessidades de um jogador diferenciado, Renato acredita que o carinho dado por ele aos atletas está sendo correspondido dentro das quatro linhas.

Quando chegou ao Grêmio, Renato encontrou um grupo em frangalhos. Jogadores brigando entre si, com raiva da torcida e sem vontade de lutar pelo regresso das vitórias. Depois do primeiro revés na casamata do Olímpico, o treinador disse que pretendia recuperar os atletas, citando o exemplo de Douglas. Ao que tudo indica, os jogadores entenderam a filosofia do ex-ponta gremista e estão se doando mais em campo.

"O Douglas tem muita qualidade, eu entendo o momento que ele estava passando e, repito para vocês o que já disse, ninguém desaprende de jogar. O que o Douglas precisa, as vezes, é um pouco de carinho. Estamos dando confiança e este carinho a ele. Já fui jogador de futebol e sei o que o atleta gosta e não gosta de ouvir. É que nem filho, as vezes o filho faz tudo errado e o pai precisa dar carinho para que ele não faça mais. Por que você vai tirar o Douglas, mandar embora ou punir se é um jogador com um talento incrível? Pela minha experiência, sei exatamente o que o jogador precisa ouvir", afirmou o treinador.

Quando era atleta, Renato Gaúcho tinha exatamente este perfil de jogador-problema. Envolvido em inúmeras confusões nos clubes em que passou, a vida movimentada deu a ele o conhecimento de causa para falar sobre qualquer assunto diretamente com seus comandados.

"Dei carinho para eles, passei confiança e mostrei a maneira que quero que eles joguem. Não importa se atrasar uma hora o almoço, temos que entrar em campo sabendo o que deve ser feito", afirmou o técnico.

Outra medida de Renato foi a troca do capitão do time. Em vez de Victor, que era capitão com Silas, Souza é o novo dono da braçadeira.

"O capitão ou o líder não é poque tem a braçadeira. Ele pode ter a braçadeira e ter outro sem que também exerça liderança. O Victor é um dos líderes, mas é uma coisa pessoal, no meu time eu não gosto que o goleiro seja o capitão. É simples, existem muitos momentos que é necessário conversar com o árbitro e com o adversário. Imagina se meu goleiro vai sair do gol cada momento desses. Vai acabar tomando gol ou levando cartão. O Victor é um líder e vai seguir assim, mas no meu entender capitão tem que ser jogador de linha", explicou Renato.

Nesta segunda-feira, o novo treinador gremista começa a encaminhar o time para tentar se manter longe da zona do rebaixamento. O próximo embate gremista ocorrerá no sábado, às 18h30, diante do Ceará, em Fortaleza.

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