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Seedorf lidera briga por salários no Botafogo mesmo com seus valores em dia

Fernando Soutello/AGIF
Seedorf está com salários em dia, mas à frente na luta contra salários atrasados Imagem: Fernando Soutello/AGIF

Bernardo Gentile

Do UOl, no Rio de Janeiro

2013-05-28T06:07:00

28/05/2013 06h07

Em pouco menos de um ano, Seedorf mostra forte liderança no Botafogo. Com salários em dia, o holandês não atravessa o mesmo momento delicado do restante do elenco, que convive com até dois meses de direitos de imagem atrasados. Mesmo assim, o camisa 10 alvinegro é o jogador mais empenhado em resolver a situação financeira dos companheiros, o que, inclusive, evita transformá-lo em alvo de críticas e protestos por ser o único com vencimentos na data.

O atraso salarial, aliás, era um problema que preocupava Seedorf antes mesmo dele assinar com o Botafogo. Durante a negociação, em junho de 2012, a agente do holandês, Deborah Martin, exigiu garantias para que os vencimentos não atrasassem. Na oportunidade, a empresária chegou a utilizar o imbróglio entre Flamengo e Ronaldinho Gaúcho como exemplo negativo. O camisa 10 alvinegro recebe R$ 2,1 milhões a cada três meses, como fora previamente acordado.

E justamente por ter exigido as garantias antes de se tornar jogador do Botafogo, Seedorf não sofre pressão ou críticas dos companheiros. Pelo contrário. Ele é elogiado por ter iniciativa de cobrar a diretoria por salários atrasados junto com Andrezinho, Jefferson e Bolívar. O camisa 10 tem postura mais dura com os dirigentes do que os demais atletas e cobra com mais afinco, sem aceitar qualquer resposta dada pelos cartolas.

Foi o que ocorreu na reunião da última quinta-feira, quando os jogadores comunicaram à comissão técnica e diretoria que não se concentrariam para a partida contra o Corinthians. O discurso pronto e sem previsões por parte de alguns dirigentes irritou os líderes do elenco. Mesmo resignados, eles aceitaram nova promessa. Seedorf não. O camisa 10 cobrou maior transparência e compromisso e ganhou o grupo. Sem a resposta desejada, o elenco decidiu viajar apenas no dia do confronto em São Paulo.

No mesmo dia ficou decidido que não haveria concentração também nos jogos contra Santos e Cruzeiro, ambos em Volta Redonda. Porém, o próprio elenco chegou à conclusão que a viagem no dia de cada partida seria desgastante e poderia influenciar no rendimento da equipe. Assim, nova reunião ocorreu nesta segunda-feira e ficou determinado que a ida à Cidade do Aço ocorreria nas vésperas de cada duelo.

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O Botafogo deve atualmente dois meses de direito de imagem, além de um na carteira de trabalho e premiações – Campeonato Carioca e Copa do Brasil. Os dirigentes evitam dar um prazo para que não haja frustação caso a promessa não seja cumprida. A medida funcionou no início da temporada, mas a repetição da tática já gera focos de insatisfação. A situação ficou ainda pior com o afastamento do presidente Maurício Assumpção por causa de problemas particulares, já que o mandatário é visto com credibilidade pelos atletas.

Sem ter fama de atrasar salários nos últimos anos, o Botafogo justifica a dívida com o fechamento do Engenhão. O estádio passou a ser uma fonte de renda em 2009 e as receitas passaram a ser baseadas na arena, interditada no dia 26 de março por problemas na cobertura. A diretoria busca saídas criativas para quitar a dívida e, inclusive, já recorreu a torcedores famosos, caso da família Moreira Salles.

E não é só isso. O Botafogo busca vender duas de suas revelações das categorias de base para o exterior. O Alvinegro espera lucrar 20 milhões de euros (cerca de R$ 55 milhões) com as vendas de Dória e Vitinho. A verba seria utilizada para manter o salário da equipe em dia pelo restate da temporada.

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