Elias e Geromel já dividiram casa, têm sociedade e serão rivais pela 1ª vez

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo Pessoal

    Elias e Pedro Geromel, bem mais jovens, antes do confronto deste domingo

    Elias e Pedro Geromel, bem mais jovens, antes do confronto deste domingo

O corintiano Elias e o gremista Pedro Geromel terão dificuldades em se ver como rivais em campo, neste domingo, na Arena Corinthians. A amizade entre os dois dura aproximadamente metade dos 30 anos de vida que têm, E transcende as quatro linhas: acima de sócios, eles são quase irmãos. A equipe paulista recebe o Grêmio a partir das 16h (de Brasília). 

"Até hoje, sempre que podem eles estão juntos", conta Valmir Geromel, pai do gremista. A expectativa dele é de que Pedro, na segunda-feira, possa estar presente para o encontro das duas famílias em celebração ao aniversário de Elias, em São Paulo. 

Se o encontro em Itaquera será o primeiro deles como profissionais, as experiências vividas juntos são bem mais antigas. Começaram, naturalmente, dentro de campo. Primeiro, pelo Centro da Coroa, clube amador da Vila Guilherme, em São Paulo. Depois, nos juvenis do Palmeiras. Elias jogava por lá, como atacante, e indicou o amigo zagueiro para um teste. Geromel havia passado pela Portuguesa, pelo Santos e ficou dois anos na base palmeirense. 

Lucas Uebel/Grêmio
Geromel é referência para a torcida gremista

"O Elias costumava vir para a minha casa todas as sextas-feiras depois dos treinos do Palmeiras", recorda Ricardo Geromel, irmão mais novo de Pedro, empresário e atualmente no San Francisco Deltas, novo clube americano. "Nós passávamos a tarde jogando Winning Eleven (futebol no videogame), jogando bola na garagem, e dando risadas", acrescenta Ricardo. 

Muito amigas até os dias de hoje, as famílias não gostam de falar a respeito, mas os Geromel tiveram participação importante nos momentos mais difíceis do início de carreira de Elias. Foi comum, durante um longo período, que o hoje corintiano passasse os fins de semana na casa do amigo, que na época tinha uma condição melhor. Ambos moravam no mesmo bairro, a Vila Maria.

"Nessa época, em que eles eram moleques, jogavam em dois ou três times diferentes", brinca Valmir. Foi ele o principal responsável por pregar sobre Elias uma peça que virou brincadeira nas famílias até os dias atuais. 

AP Photo/Ricardo Mazalan
Elias faz aniversário na segunda e espera por Geromel

O pai de Pedro Geromel tinha o hábito de almoçar em casa, com toda a família, às sextas-feiras. No cardápio, uma tradição: peixe. Elias treinava pela manhã no Palmeiras e, a contragosto, sem que ninguém percebesse, só comia o arroz e o feijão. "A nossa empregada falou 'seu Valmir, eu percebi que ele dá uma encostada no peixe. Eu falei para ela fazer dois bifes, que deixava aquele cheiro gostoso", explica, às gargalhadas. O então garoto ficou sem jeito, e aceitou trocar o peixe pela carne. Quem estava na mesa, percebeu que, por meses, ele comeu o que não gostava. Por pura vergonha de menino. 

Tempos depois, Geromel arriscou tudo em uma aventura por clubes pequenos portugueses, para onde tentou levar Elias. O colega optou por permanecer no Brasil, teve um início de carreira complicado e chegou ao Corinthians, aos 23 anos, para se afirmar de verdade. Desde então, tentou levar Pedro para o Parque São Jorge em duas ocasiões. A última delas, há um ano e meio, esbarrou no desejo do Grêmio em manter o defensor que tem status de ídolo. 

Sócios em uma hamburgueria em São Paulo, entre outros empreendimentos, o sonho deles é repetir a parceria, quem sabe, na seleção brasileira. Antes disso, chegou a hora de serem rivais. 

Arquivo Pessoal
"Algumas das melhores memórias da minha vida eu vivi junto com o Bebê (amigo à esquerda), com o Elias, com o meu irmão, e com o nosso primo Iananias", diz Ricardo Geromel, abraçado ao corintiano na foto

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