Por que Marcelo Oliveira disse "não" ao Cruzeiro e "sim" ao Atlético-MG

Thiago Fernandes e Victor Martins

Do UOL, em Belo Horizonte

Dezoito (18) dias. Este foi o período exato entre o "não" de Marcelo Oliveira ao Cruzeiro e o "sim" ao Atlético-MG. Em pouco menos de três semanas, ele mudou de ideia sobre permanecer no Brasil e aceitou justamente a proposta do arquirrival do clube em que fez história como treinador, ao se sagrar bicampeão nacional. Mas por que as respostas foram distintas em um espaço tão curto de tempo?

Até para o treinador será difícil encontrar justificativas e ele, certamente, escutará esta pergunta em sua primeira entrevista com as cores do novo time. As razões, contudo, são bem simples e passam pontos cruciais, como a demora da diretoria cruzeirense e a relação de afeto, sobretudo de seus familiares, com a atual agremiação.

O UOL Esporte prepara uma lista para mostrar os motivos pelos quais Marcelo Oliveira optou por um retorno à Cidade do Galo para ocupar a vaga deixada pelo uruguaio Diego Aguirre nessa quinta-feira (19), após a eliminação nas quartas de final da Copa Libertadores da América. Veja as explicações:

Segunda opção do Cruzeiro

Marcelo Oliveira não era unanimidade na cúpula do Cruzeiro. E o treinador sempre soube disso. Ainda há rusgas de sua antiga passagem pela Toca da Raposa II (entre janeiro de 2013 e junho de 2015) e o presidente Gilvan de Pinho Tavares era contrário ao seu retorno. Os dirigentes, portanto, foram atrás de Jorginho e só depois procuraram o técnico. O fato de não ser prioridade não agradou o comandante.

Proposta do exterior

Procurado pelo vice-presidente de futebol Bruno Vicintin – responsável por convencer o mandatário Gilvan de Pinho Tavares sobre o retorno de Marcelo Oliveira –, o treinador optou por recusar a oferta cruzeirense. O motivo era uma proposta do exterior e foi confirmado pelo dirigente em entrevista coletiva e pelo próprio treinador por meio de sua assessoria de imprensa:

"Desde que o Deivid deixou o comando do time, eu já imaginava que meu nome poderia ser cogitado pela diretoria do clube para assumir novamente o cargo de técnico da equipe. Vi que alguns veículos realizaram enquetes para avaliar a opinião da torcida e que meu nome aparecia em todas, o que me deixa profundamente feliz. No entanto, passaram-se os dias e quando, de fato, o Cruzeiro entrou em contato comigo, eu já havia recebido uma sondagem de outro clube e assumido um compromisso verbal de que avaliaria as condições que me foram apresentadas. Sendo assim, naquele momento, eu não mais estava disponível para abrir outra negociação", disse à época.

Exterior "melou"

Dezessete dias após dar uma resposta negativa ao Cruzeiro, Marcelo Oliveira concedeu entrevista exclusiva à Rádio Itatiaia e revelou que as negociações com o clube do exterior não caminharam. Antes mesmo da demissão de Diego Aguirre, o técnico falou – durante a mesma entrevista – sobre a possibilidade de retornar ao Atlético-MG, clube que defendeu como jogador e treinador das categorias de base.

"O que aconteceu foi que duas pessoas estavam negociando para mim, mas não existe nada de oficial e não tenho proposta. As coisas lá demoram um pouco para serem resolvidas. Estou aberto a tudo. Se aparecer uma proposta boa de trabalho a gente senta e conversa", disse.

Demissão de Aguirre e prioridade de Nepomuceno

A diretoria do Atlético-MG anunciou, na tarde dessa quinta-feira (19), a demissão de Diego Aguirre. O desligamento do treinador foi confirmado por ele e pelo presidente Daniel Nepomuceno em pronunciamento na Cidade do Galo. Logo após o discurso, o mandatário entrou em contato com Marcelo Oliveira. O ex-comandante do Cruzeiro foi a primeira opção da diretoria alvinegra após a saída do uruguaio. Ainda nessa quinta, o cartola entrou em contato com o treinador abriu negociações.

Família atleticana e permanência em BH

O "sim" de Marcelo Oliveira ao Atlético-MG não demorou nem um dia sequer. O treinador não precisou nem de 24 horas para aceitar a oferta feita por Daniel Nepomuceno e o acordo não ocorreu somente por dinheiro. A possibilidade de permanecer em Belo Horizonte, onde reside a sua família, foi fundamental. Ele foi avô recentemente e, por isso, optou pela sequência na capital mineira. Outro ponto fundamental é o fato de a maioria de seus parentes torcer pelo Galo. Em 2014, o UOL Esporte chegou a publicar uma entrevista com Maurício Oliveira, irmão de Marcelo, sobre o filho do comandante (Rafael) chorar devido ao acerto do pai com o Cruzeiro. O jovem não é o único atleticano da família. Há outros torcedores do clube entre os parentes do técnico.

História estreita com o Atlético

Marcelo Oliveira iniciou sua trajetória no futebol na década de 1970. Como jogador, passou mais de uma década no Atlético-MG, seu novo clube. O atual treinador alvinegro ainda trabalhou nas categorias de base por cinco anos e mais um entre os profissionais.

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