Nova falta de sintonia de Cuca e Dudu põe em xeque posicionamento do meia

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

Um lance isolado do Palmeiras, já na reta final do clássico contra o São Paulo, mostrou o descontentamento de Cuca com os jogadores da linha de frente. Na jogada, Dudu, centralizado no meio-campo, acabou cercado por dois adversários, perdendo a bola na sequência. À beira do campo, o treinador pulou, esbravejou e caminhou rapidamente ao banco de reservas.

Após a derrota por 1 a 0, Cuca explicou o motivo da bronca: os quatro homens do ataque perderam bolas na intermediária ofensiva, dando ao São Paulo a chance do contra-ataque. "Erramos muitos passes na linha de frente, com Dudu, Gabriel Jesus e Alecsandro, e no primeiro tempo com o Róger Guedes", explicou o treinador.

Indagado sobre o desempenho do camisa 7, Cuca disse que ele não havia feito uma boa partida. "Ele fez um lance bonito na parte técnica, mas não teve uma produção ofensiva boa. No começo até criou alguma jogada, depois errou muitos passes", explicou.

Dudu, por sua vez, disse que estava tranquilo em relação às críticas, por ter tentado fazer o papel de meio-campista no esquema 4-2-3-1 na derrota para o São Paulo no Morumbi.

"Não entendo porque não tive um dos meus melhores dias. Se olhar os lances do primeiro tempo, do segundo, não estou entendendo as críticas. Infelizmente é assim. Quando perde, acha alguém para criticar. É pensar para frente", rebateu.


Meia centralizado dá certo?

Cesar Greco/Ag Palmeiras
Dudu protege a bola da marcação de Ganso no clássico disputado no Morumbi

Dudu chegou ao Palmeiras no começo do ano passado. Até agosto, o jogador atuou como atacante pelos lados. Depois de Gabriel Jesus ganhar uma vaga no time titular, já com Marcelo Oliveira, Dudu passou a atuar centralizado. 
 
O camisa 7, nessa função, passou a marcar mais gols -- ao término da temporada, ele ficou com a artilharia do time alviverde, com 16 gols. Dudu também ressalta que prefere atuar nessa posição, pois tem mais liberdade e opções.
 
Contra o São Paulo, o meia-atacante voltou à posição devido ao desfalque de Cleiton Xavier. Cuca, porém, não gostou do desempenho e citou outros jogadores do elenco.
 
"Tentamos com o Dudu na nossa armação, no primeiro tempo até andou, no segundo não. Colocamos o Rafael Marques, não deu, tentamos o Erik. As coisas não fluíram bem para a gente", disse o treinador.
 
Cesar Greco/Ag Palmeiras
Cuca orienta time no Morumbi
 
Ao falar do jogo, Cuca mostrou que deve mexer no time para a partida contra o Grêmio, na próxima quinta-feira, caso não possa contar com Cleiton Xavier. Moisés, que entrou no segundo tempo durante o clássico, na vaga de Thiago Santos, pode ganhar a posição.
 
"Quando você tem jogadores como Róger e Gabriel, é natural que eles precisem ter essas bolas criadas para fazer as jogadas. Hoje não tiveram. Poderíamos ter começado o jogo com o Moisés, que vai fazer esse trabalho, mas ainda não tem condição natural de 90 minutos. De repente vai iniciar jogos para ser nosso articulador", disse.
 
Nessa formação, Dudu pode ganhar a posição de Róger Guedes ou de Alecsandro. Na primeira situação, o camisa 7 atuaria pelo lado direito do ataque. Na segunda, ele seria deslocado para a esquerda, com Gabriel Jesus na referência  -- o jovem atacante ainda pode ser convocado para defender a seleção na Copa América.


Novo desencontro

Nesse cenário, Cuca e Dudu, o principal articulador do meio, voltaram a mostrar falta de sintonia. Há pouco mais de dois meses, o camisa 7 deixou o gramado do Pacaembu indignado ao ser substituído aos nove minutos da partida contra o Red Bull. Na ocasião, o treinador autorizou a saída depois de ver o atleta caído em campo com a mão na coxa.

No caminho rumo ao vestiário, Dudu disse que não entendia o motivo da alteração. Cuca, ao fim da partida, assumiu a culpa. No dia seguinte, ao lado do médico Otávio Vilhena, o atleta voltou atrás, pois um exame havia apontado um estiramento muscular na coxa -- o problema o tirou de oito partidas.

Dudu voltou a ser titular quarta passada, na vitória por 2 a 0 sobre o Fluminense, no Allianz Parque. No primeiro tempo, o jogador foi escalado na ponta. Na etapa final, centralizado.

 

 

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