Como o fair play virou obsessão no Corinthians e levou o time à liderança

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Eduardo Anizelli/Folhapress

Empatado em 13 pontos com a dupla Gre-Nal, o Corinthians virou primeiro colocado do Campeonato Brasileiro em razão do menor número de cartões vermelhos. A curiosidade ao fim de apenas seis rodadas da competição premia aquela que é uma das obsessões da comissão técnica corintiana. 

No dia a dia, dentro e fora de treinamentos, Tite e seus auxiliares buscam de forma incessante a disciplina dentro de campo. Isso não está presente apenas em diálogos, mas é colocado em prática por meio de técnicas utilizadas em treinamentos e pela escolha no modelo de jogo corintiano. 

Em seis rodadas, o Corinthians ainda não teve jogadores suspensos no Brasileirão. É o 18º no ranking de amarelos e um dos que não receberam cartões vermelhos. No clássico de domingo, estará em vantagem sobre o rival Palmeiras nesse quesito - Vítor Hugo, com três advertências, está fora do jogo. Veja como isso se busca no dia a dia corintiano:

TIPO DE MARCAÇÃO 

A equipe corintiana tem como padrão o uso de marcação zona. Tite não aceita jogar com marcação individual ou mista, que seria uma mescla dos dois estilos. A consequência da escolha por zona é que o time se organiza melhor defensivamente com coberturas pré-estabelecidas. Se um jogador é driblado, não necessariamente precisa apelar para a falta, pois muitas vezes haverá um colega por perto para cobrir. 

CARRINHO EM ÚLTIMO CASO

Há a orientação para 'não deitar a bunda no chão', como costuma dizer Tite. "A técnica que a gente usa e cobra é para só dar carrinho em último caso. É o que a gente chama de carrinho europeu, que não é agressivo", explica o auxiliar Cléber Xavier. 

CUIDADO COM O BOTE

O comportamento defensivo dos laterais é algo que ganha atenção extra da comissão técnica, pois é chave para a estabilidade do time. A orientação é para que, diante de um jogador rival que prepare o cruzamento pelo lado, não dê margem para o drible. "Eles precisam bloquear, nunca dar o bote. Nesse setor, a gente não toma a iniciativa do desarme, pois facilita o adversário a driblar", conta Xavier. 

TREINO É JOGO

A intensidade alta em treinamentos que possam reproduzir as situações de jogo é uma marca no trabalho diário do Corinthians. Por outro lado, a disciplina é estimulada nessas mesmas atividades. Os jogadores corintianos treinam sem caneleiras para que se acostumem a desarmar de forma leal. Todos os trabalhos são feitos com membros da comissão técnica nas funções de árbitro e auxiliar. Nos treinos chamados "rondos", que são uma espécie de bobinho, os jogadores só trocam de posição quando conseguem recuperar a bola. 

COBRANÇA COM VÍDEOS

O aspecto disciplinar do atleta é levado em conta na hora da contratação, mas nem sempre é possível. Em alguns casos, a comissão também trabalha individualmente para pedir menos faltas e cartões. Um exemplo recente foi com Willians, ex-Cruzeiro, que tem alto número de advertências com amarelos no currículo. "Nós incutimos no dia a dia com conversas, vídeos, para mostrar a ideia, sempre falando de tirar as ideias de violência. Não é agredir o adversário, é agredir a marcação para pegar a bola", detalha Cléber Xavier. À beira do gramado, há uma frase constantemente repetida por Tite: "compete com lealdade".

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