Palmeirenses prometem tumultuar cinema na Arena. Construtora defende modelo

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Diego Salgado/UOL

    Torcedores palmeirenses prometem 'tumultuar' o evento da WTorre

    Torcedores palmeirenses prometem 'tumultuar' o evento da WTorre

Um grupo de torcedores do Palmeiras recebeu da pior forma possível a notícia de que o Allianz Parque estará fechado para a equipe no dia 22, quando o clube receberá o América-MG, pela 10ª rodada do Campeonato Brasileiro. A WTorre fechou o espaço para organizar uma sessão especial para promover a pré-estreia do filme 'Independence Day: o Ressurgimento' e agora precisará lidar com os protestos.

Palmeirenses criaram um evento no Facebook com o objetivo de 'tumultuar' o evento promovido pela construtora. Na descrição, torcedores avisam que soltarão rojões para atrapalhar a exibição do filme.

O grupo de torcedores se mobiliza inclusive para comprar ingressos e entoar cantos palmeirenses durante a obra cinematográfica. São 5 mil ingressos disponíveis, com valores entre R$ 45 e R$ 140.

"Venho aqui convocar a TODOS, para impedirmos essa PALHAÇADA que a WTORRE quer fazer de mudar o nosso mando de campo para exibir a estreia do 'Independence Day: o Ressurgimento'. É inadmissível que uma torcida de 16 milhões de pessoas seja privada da sua casa por conta de um lançamento de filme, cujo lugar NÃO É NO ESTÁDIO, É NO CINEMA. Estamos fortes na briga pelo Campeonato Brasileiro e o Allianz Parque é a nossa força, sendo que até o momento temos 100% de aproveitamento em casa e NENHUM gol sofrido no estádio. Temos o DIREITO de jogar no nosso estádio e de NÃO ser privado por razões superficiais", diz o comunicado do evento, que propõe um boicote à sessão de cinema.

"Vamos COMPRAR os ingressos para a inauguração e vamos CANTAR E APOIAR o time durante todo o tempo do filme. Se conseguirmos 500 pessoas para isso, ninguém vai ver filme nenhum no dia 22/06. Quem comprar ingresso para esse jogo já vai saber que o filme ele não vai ver! ALÉM DISSO, podemos organizar de soltar ROJÕES do lado de fora do estádio durante o filme inteiro ou nos organizarmos para fazer barulho fora do estádio enquanto o filme estiver passando", completou.

A data da exibição é uma das escolhidas pela WTorre para receber eventos, usados para custear a obra do estádio. Segundo Rogério Dezembro, diretor de negócios da construtora, o uso da arena já era prevista em contrato, e a data foi escolhida em acordo com o Palmeiras para diminuir ao máximo o prejuízo técnico – segundo ele, o evento cinematográfico poderia acontecer ainda nos dias 12 (contra Corinthians) ou 18 (contra Santa Cruz), mas a escolha do confronto contra o América-MG "seria a menor perda".

"O torcedor do Palmeiras é inteligente para saber que o estádio foi construído em um modelo de negócio sem dinheiro público, sem subsídio, sem dívidas. O modelo era esse: o estádio ser explorado. Começar a criar constrangimento tem impacto direto na manutenção do próprio estádio. É o modelo mais inteligente", disse Dezembro, que alega tentar evitar conflito de datas entre eventos e jogos.

"Pior para a arena é não ter evento. Trabalhamos para preencher todos os dias com algum tipo de evento. É isso que gera receita, manutenção, recuperação do investimento, troca do gramado. Todas as marcações do eventos são feitas sempre com o clube informado. Sabemos da importância do estádio para o clube", acrescentou.

O diretor afirma que a WTorre tinha "algumas janelas de datas" para a exibição do filme. Em abril, o Palmeiras tentou, junto à CBF, alterar a data da partida, sem sucesso. Por isso, Rogério Dezembro pede a compreensão da torcida com o evento.

"A gente precisa montar isso e minimizar a perda de eventos. Em comum acordo, falamos que era esse jogo. Não foi aleatório. Não é um bom negócio para a arena não ter jogo lá. O desafio é conciliar", explicou.

Segundo ele, a previsão de oito jogos fora do Allianz Parque é "o cenário mais pessimista". As partidas contra Santa Cruz (rodada 9), Flamengo (rodada 25) e Coritiba (rodada 27) estão confirmados no local.

"Tínhamos opções de datas e poderia esbarrar nos jogos de Corinthians, Santa Cruz ou América-MG. Não é algo que controlamos inteiramente", explicou Dezembro.

"Era impossível prever 100% os desafios. É natural que haja isso. Ter discussão nunca é agradável. Pelos bons resultados, era melhor que tivesse um clima mais amoroso. Mas entendemos. Estamos falando de negócio. É um modelo novo, não existe outro no Brasil para se basear. São as dores do nascimento desse modelo. Mas a criança é linda", comparou.

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