Quatro motivos para o Cruzeiro ser o pior mandante do Brasileirão

Enrico Bruno e Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

Atuar dentro de casa se tornou um pesadelo para o Cruzeiro. A equipe tem feito bons jogos em território inimigo, mas no Mineirão a situação se inverte e as vitórias não aparecem. Em quatro jogos no local, todos válidos pelo Campeonato Brasileiro, foram dois empates (Figueirense e América-MG) e dois reveses (São Paulo e Flamengo). Não é à toa que é o pior mandante da competição, com apenas dois pontos conquistados.

Os jogadores têm dificuldades para explicar o que acontece quando a equipe atua dentro de seus domínios. Nem Bruno Rodrigo, um dos nomes com mais bagagem no elenco, foi capaz de diagnosticar os defeitos após a derrota para o Flamengo, nessa quarta-feira (15):

"Sinceramente, eu não sei (o que acontece nos jogos disputados no Mineirão). As equipes vêm aqui para jogar fechadas. Fizeram um gol na bola parada. Mas a gente não conseguiu fazer o gol de empate", comentou.

Motivado pela declaração do experiente defensor, o UOL Esporte aponta alguns motivos para a série de tropeços do Cruzeiro na condição de mandante. Confira, abaixo, a lista feita por nossa reportagem:

Desfalques em três partidas

Washington Alves/Light Press/Cruzeiro
Robinho se ausentou de duas das quatro partidas do Cruzeiro no Mineirão por lesão

Nos empates com Figueirense e América-MG e na derrota para o Flamengo, o Cruzeiro possuía muitos desfalques. Em dois dos três confrontos, o técnico foi obrigado a improvisar nas laterais. Diante dos catarinenses, jogaram Federico Gino e Sánchez Miño na linha defensiva. Nessa quarta, o setor foi composto por Bruno Ramires e Allano. As mudanças se deram por lesões e suspensões.

No duelo contra os cariocas, os desfalques ficaram mais latentes. Lucas, Bruno Viana, Bryan e Lucas Romero tiveram que cumprir suspensão diante do time comandado por Zé Ricardo. Robinho e Élber são os atletas, dentre os que estiveram no time titular recentemente, que estão no departamento médico do clube.

Forma de atuar

É inegável que uma das melhores exibições do Cruzeiro sob a batuta de Paulo Bento foi na vitória sobre o Atlético-MG, no domingo (12), por 3 a 2, no estádio Independência. Esta foi a primeira vez que os seus comandados mudaram a maneira de jogar, atuando com as linhas defensivas recuadas e saindo em contragolpes, estilo muito semelhante ao adotado por Mano Menezes na temporada passada.

Nos jogos que disputou em casa, porém, a equipe tentou propor o jogo e sempre teve mais posse de bola que o adversário. A forma de atuar faz com que o time tenha dificuldades na marcação dos adversários. O comandante português, contudo, não pretende modificar o sistema de jogo:

"A questão da estratégia, do plano de jogo, não parece que tenha a ver com o fator casa ou jogar fora. As nossas características e do adversário têm a ver mais nisso. Se me falar no jogo do Atlético Mineiro, aí sim optamos por uma estratégia de jogar, com nossa linha mais baixa para sair em transição ofensiva e em contra-ataque. Não fizemos isso contra o Botafogo e não fizemos contra o Santa Cruz e jogamos fora. E é verdade que não fizemos em nenhum jogo em casa", afirmou.

"Isso tem a ver com a proposta que nós temos e que achamos que pode servir melhor ao Cruzeiro. Teremos que entender também o que podemos fazer para essa estratégia que falamos seja mais eficaz. Se defendermos mais baixo, teremos que ter jogadores mais rápidos para sair em contra-ataques. Optamos normalmente por posicionar o adversário mais alto e foi isso que fizemos na segunda parte. E aí fomos mais eficazes", completou.

Posicionamento na bola aérea

Washington Alves/Light Press/Cruzeiro
Rafael Moura marcou dois gols de cabeça contra o Cruzeiro

Os lances de bola aérea têm sido um grande pesadelo para o Cruzeiro. Três dos cinco gols sofridos pelo time como mandante nasceram em lances deste tipo. No empate por 2 a 2 contra o Figueirense, Rafael Moura balançou as redes de Fábio (duas vezes) em cruzamentos na área. Nessa quarta-feira, no revés para o Flamengo, Réver deixou a sua marca da mesma forma. A questão é tratada com cautela por Paulo Bento.

"A nossa organização em termos defensivos tem sido a mesma desde o início, desde que chegamos, com algumas alterações, mas na base somos uma equipe que defende em zona, isso não implica na ausência de erros. São jogadores que estão destinados a fazer duelos em determinada zona. Optamos por essa forma de defender. Outras equipes optam por defender homem a homem", disse.

"Todos os jogadores que compunham a nossa defesa na zona têm uma estatura elevada. Não tivemos tantos problemas na bola parada em outros jogos. Não só no lance do gol, mas também em outras situações tivemos problemas em bolas aéreas. Não só por isso, em nossa opinião, se muda a forma de jogar em termos de jogo aéreo", acrescentou.

Erros de finalização

Um ponto foi fundamental para o Cruzeiro não deixar o Gigante da Pampulha saboreando um triunfo na atual edição do Campeonato Brasileiro. Os comandados de Paulo Bento cometeram muitos equívocos em finalizações. Os atletas são mais cirúrgicos quando os jogos ocorrem fora de seus domínios. Os números mostram bem a diferença de comportamento.

No Mineirão, a equipe marcou três gols em quatro jogos e errou em média 12,5 finalizações por partida. Enquanto na condição de visitante, o time balançou as redes adversárias cinco vezes em quatro rodadas e errou em média 7,5 conclusões por compromisso.

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos