Apoio de Chicão e bate-boca com Guerrero: a vida de P. Henrique pós-choro

Vinícius Bacelar

Colaboração para o UOL, em São Paulo

O zagueiro corintiano Pedro Henrique, de 20 anos, está de volta. Após lesionar o músculo posterior da coxa esquerda no jogo contra a Chapecoense, no dia 9 de julho, o jogador foi relacionado para a partida contra o Vitória, nesta segunda, às 20h, na Arena Corinthians, pela 21ª rodada do Brasileiro.

O atleta catarinense chegou a ser titular em sete jogos na competição antes de se contundir. Isto porque Felipe foi negociado com o Porto e Yago também ficou afastado por causa de uma lesão.

Entre as partidas em que o jogador foi titular, duas ficaram marcadas para Pedro Henrique: contra Atlético-MG e Flamengo. Diante do time mineiro, o zagueiro falhou no gol de Cazares, o segundo na derrota por 2 a 1. Após o apito final, o jogador chorou no gramado e foi consolado até por rivais. Nos 4 a 0 sobre o Flamengo, o bate-boca com Guerrero.

Nesta entrevista para o UOL Esporte, Pedro Henrique, casado há oito meses com Caroline Ribeiro, falou sobre o choro, o apoio que recebeu dos ex-corintianos Chicão e Gil, as constantes mudanças na equipe do Corinthians, a adaptação à cidade de São Paulo e os planos para o futuro.

Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians
Pedro Henrique e Guerrero disputam bola em jogo na Arena Corinthians

Como você chegou ao Corinthians e como foi a adaptação à cidade de São Paulo?

Cheguei aos 17 anos com a minha mãe. Disputei uma competição de base em Santa Catarina e o Agnello Gonçalves [ex-diretor da categoria de base do Corinthians] me trouxe. No começo foi difícil a adaptação. Não vou negar. Eu era muito apegado à minha família. Imagina jogar no clube da cidade [Imbituba]...Ali pertinho era tudo bom, mas vim para São Paulo e sofri com as saudades dos meus pais e meus irmãos. Depois de um tempo me acostumei e ficou tudo bem.

E estrear como profissional pelo Corinthians?

Antes de estrear pelo Corinthians, joguei por seis meses no Bragantino. Mas no dia em que fui escalado pelo Tite [contra o Coritiba, na sexta rodada do Campeonato Brasileiro] fiquei 24 horas pensando em milhares de coisas. Como faria se a bola viesse: tocaria ou daria um bicão? Mas, graças a Deus, os meus companheiros me deram bastante força e o Tite também. Eles me passaram confiança para desempenhar o meu trabalho. Deu tudo certo.

Sobre o jogo contra o Atlético-MG, você falhou no gol do Cazares e chorou depois do jogo. O que passou pela sua cabeça ali?

Aqui é um clube onde se cobra bastante, né? A cobrança da torcida é grande e ali você imagina milhares de coisas, imagina que acabou tudo. Porque subi da base, tem uma oportunidade e falha. Mas graças a Deus, a torcida reagiu da melhor maneira possível. Ela me apoiou. Só tenho a agradecer aos meus companheiros, o professor Cristóvão, que me apoiou no vestiário, e assim consegui dar a volta por cima.

O que chegou a pensar?

Não cheguei a pensar que tinha acabado tudo. Cheguei a pensar só nas críticas. Mas depois do jogo, consegui esfriar a cabeça. As críticas vêm para te fortalecer e para te fazer melhor.

Até os rivais foram falar com você. Robinho é um jogador conhecido por ser carrasco do Corinthians, mas fez questão de conversar contigo. O que ele te disse?

Não só ele, como o Fred, o Cazares, o Dátolo...Falaram que eu estava em um clube grande e que não podia me abalar pelo erro, para eu levantar a cabeça. Disseram que eu tinha um grande potencial e para eu continuar trabalhando.

Você disse que pensou nas críticas. Chegou a temer sair de casa por causa da torcida?

Não, porque no dia seguinte eu recebi muitas mensagens dos torcedores nas redes sociais. Eu acho que uns criticam e outros não, né? Mas isso é normal, né? Críticas vêm para você evoluir, para você aceitar e evoluir.

Além da família, do Cristóvão e dos companheiros, quem mais falou com você sobre o choro?

A Melissa, psicóloga da base, mandou uma mensagem, mas como amiga. Por gostar de mim e porque tínhamos uma relação de respeito na base.  Houve outras pessoas do meio do futebol também como o Gil [ex-zagueiro do Corinthians] e o Chicão, que mandou uma mensagem por meio do Alessandro [ex-lateral].

E qual do elenco corintiano mais te ajudou?

Todos me ajudaram a ficar mais tranquilo, mas quem me abraçou mesmo foi o Arana [lateral esquerdo] e o Léo Santos [zagueiro].

E o que o Cristóvão falou para você depois desse jogo?

Ele falou para eu não me abalar, para eu ficar tranquilo, para trabalhar porque tenho um grande potencial e não era aquilo que apagar o que eu tinha feito na partida. Ele disse que eu estava bem na partida e não era um erro que iria apagar tudo que eu tinha feito.  Era para eu continuar firme.

Depois você se saiu bem contra o Flamengo. Como foi a preparação para este jogo? Você iria enfrentar o Guerrero, que tem a sua história escrita no Corinthians, mas hoje não é bem visto pela torcida pela forma como saiu...

Fiquei ansioso. Falava comigo mesmo no meu quarto e conversava até com a minha esposa. Eu precisava fazer um grande jogo contra o Flamengo e não foi diferente, né? Eu, em uma linha de quatro, pude marcá-lo muito bem. Todos o marcaram bem.

Chegou a falar com o Guerrero durante o jogo? Ele é conhecido por ser um jogador chato de ser marcado, não só pela qualidade, mas também por procurar o contato e reclamar muito...

A gente se cumprimentou. Cada um quis defender a sua equipe. Eu defendendo o Corinthians e ele, o Flamengo. Os ânimos se exaltaram um pouquinho. Acabamos tendo um desentendimento. A gente se xingou, o que é normal de jogo, né? O estádio lotado... Acabamos nos xingando ali, mas passou, ficou dentro de campo e fora somos amigos.

Como era a convivência com o Guerrero no Corinthians? Chegava junto nos treinamentos ou aliviava com medo de machucá-lo?

Não tinha receio nenhum. Nós dois chegávamos forte. Os dois queriam mostrar o melhor para o treinador.

Quais são os seus planos para o futuro? Estudos, jogar na Europa...

Todo jogador tem o sonho de jogar na Europa e chegar à seleção brasileira. Eu penso igual. Meu sonho é jogar na Europa, chegar à seleção, mas quero ficar aqui no Corinthians um bom tempo. Sou muito novo ainda. Agora sobre os estudos, eu fiz até o segundo ano do ensino médio, quero terminar o último ano, mas não penso em fazer faculdade por enquanto não.

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Pedro Henrique reza antes de jogo do Corinthians

Tem algum zagueiro em quem você se inspira?

Eu me inspiro muito no Gil. Não só porque ele era meu companheiro aqui, mas é um cara que trabalha bastante e se dedica bastante. Eu o tenho como ídolo e me inspiro bastante nele.

Qual é o jogador mais difícil de marcar na elite do futebol brasileiro?

Grafite e Guerrero. São caras experientes e que se movimentam muito. Em uma hora, você pensa que eles estão perto, mas dá uma piscada e já não estão mais.

Qual é a principal diferença entre o Cristóvão e o Tite?

Cada um tem sua metodologia. Cristóvão é mais calmo e o Tite é mais enérgico. São dois grandes treinadores. Não é á toa que o Tite está na seleção. Estamos nos adaptando à maneira de trabalhar do Cristóvão da melhor maneira possível.

Tite reagiria diferente se fosse o técnico no jogo contra o Atlético-MG, quando você falhou?

Acho que não. Porque ele tratava a gente como um filho. Todos os jogadores gostavam dele.

 

Por que o Corinthians caiu de produção, não ganha há três jogos e saiu do G4?

A gente pode se doar mais. Todos nós sabemos que faltam alguns detalhes. Eu acho que estamos falhando na última bola, na hora de colocar a bola para dentro. Estamos desperdiçando muitos gols. E não falo só dos atacantes. Zagueiros e volantes também perdem em lances de bola parada. Não é nem por falta de tranquilidade. Estamos com um pouco de azar também.

O Corinthians precisa de reforços?

Todos que estão aqui têm qualidade. Ninguém está aqui por acaso. É um grande elenco, mas claro que se chegar alguma peça, a gente vai receber da melhor maneira possível.

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