Palmeiras quebra série do Corinthians em Itaquera e mantém liderança

Danilo Lavieri e José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo

Um lado, tenso. O outro, tranquilo. Em um clássico, o psicológico pode influenciar. Na tarde deste sábado, em Itaquera, não foi diferente – além da cabeça. O líder do Campeonato Brasileiro sobrou também 'na bola' e voltou a vencer depois de duas partidas. Pela 26ª rodada, o Palmeiras fez 2 a 0 sobre o arquirrival Corinthians, que cai na Arena após mais de um ano invicto.

A façanha palmeirense reflete o status alcançado pela equipe de Cuca. O time alviverde é o primeiro a bater o Corinthians na Arena depois de 34 jogos e o primeiro na classificação. Com 51 pontos, a pressão agora cai sobre o Flamengo – quatro atrás -, que precisa vencer o Figueirense, neste domingo, no Pacaembu, para seguir na cola.

O Corinthians, em contrapartida, vive um momento de extrema pressão. São três derrotas nos últimos cinco jogos, e a disputa por uma vaga na Libertadores 2016 se complica. O time comandado por Cristóvão Borges permanece com 41 pontos e pode ver o Santos, quarto colocado, abrir quatro, em caso de vitória sobre o Santa Cruz, no Pacaembu.

As duas equipes agora possuem compromissos pelas oitavas de final Copa do Brasil. O Palmeiras viaja para encarar na quarta-feira, às 19h30 (de Brasília), o Botafogo-PB – o time alviverde triunfou por 3 a 0 na ida. O Corinthians, após empate por 1 a 1 no Rio de Janeiro, recebe o Fluminense na mesma data, mas às 21h45, por uma vaga nas quartas.

Quem foi bem: Yerry Mina

'Rei' Mina. O Rei dos Clássicos do Palmeiras nesta temporada. Impecável na defesa – ganhou todas as disputas do centroavante Gustavo -, o zagueiro ainda tratou de deixar a sua marca no ataque. Foi o terceiro gol do colombiano pelo clube, e o terceiro em clássicos – também balançara as redes rivais no empate contra o Santos (1 a 1) e vitória sobre o São Paulo (2 a 1).

Quem foi mal: Vilson

Depois do pênalti contra o Santos, um novo erro técnico comprometeu a atuação do zagueiro Vilson. Diante do maior rival corintiano, o defensor tentou afastar um cruzamento e jogou a bola nos pés de Moisés, que, oportunista, aproveitou o rebote de Cássio para abrir o placar.

Moisés, o profeta

Marcello Zambrana/AGIF

Um dos grandes destaques do Palmeiras no Campeonato Brasileiro, Moisés tratou de se estabelecer como um dos personagens do clássico com apenas 4min de partida. Sem ser incomodado pela marcação corintiana, o meio-campista encontrou duas oportunidades para abrir o placar. Na comemoração, uma homenagem ao apelido de 'profeta': ele pegou a câmera do fotógrafo do clube, Cesar Greco, e simulou um cajado.

Tá difícil! Defesa alvinegra falha de novo

Eduardo Anizelli/Folhapress

Bastou cinco minutos de clássico para a zaga corintiana cometer a falha que comprometeu o jogo. Vilson rebateu mal um cruzamento da esquerda e tentou se redimir bloqueando o chute de Moisés, mas viu o palmeirense abrir o placar no rebote.

Freguesia?

A irritação da torcida corintiana transcende a apenas o duelo deste sábado. A derrota em plena Arena tornou o Corinthians uma vítima recorrente do maior rival. Com o 2 a 0, o Palmeiras acumulou o expressivo número de seis partidas sem perder para o adversário. A última derrota veio em 2014.

Corinthians sofre gol relâmpago e perde a paciência

Eduardo Anizelli/Folhapress


O gol sofrido no início do jogo deixou o Alvinegro tenso, nervoso com o árbitro e muito faltoso. Mesmo com maior posse, o dono da casa também foi pouco criativo com a bola e não encontrou caminhos para superar a marcação rival – tanto que não acertou o gol sequer uma vez antes do intervalo. Na defesa, Cristian cedeu muitos espaços na intermediária para Moisés e Tchê Tchê. O nervosismo corintiano chegou ao ápice com a expulsão de Léo Príncipe aos 30 minutos da etapa final.

Palmeiras controla nervosismo rival

Eduardo Anizelli/Folhapress

Ter aberto o placar cedo deu aos visitantes condições de esperar o Corinthians tomar a iniciativa, mas a passividade alviverde se mostrou até certo ponto exagerada. Quando acelerava o ritmo, a equipe de Cuca incomodava, como no lance em que Dudu acertou um belo cruzamento para Erik, que desperdiçou uma grande chance.

Cristóvão Borges é pressionado antes do jogo e acaba demitido pouco depois

A estabilidade de Cristóvão Borges no Corinthians diminuiu gradativamente nas últimas rodadas. O técnico foi pressionado pela torcida antes mesmo de o clássico começar, tendo seu nome vaiado por grande parte dos torcedores quando anunciado pelo sistema de som da Arena Corinthians. A derrota no dérbi tornou a permanência de Cristóvão insustentável, e o presidente Roberto de Andrade resolveu demiti-lo pouco mais de três meses após tê-lo contratado.

Cuca joga no erro corintiano

Eduardo Anizelli/Folhapress

O técnico do Palmeiras esperou o ambiente se transformar na Arena Corinthians. O Palmeiras esperou o rival no início de partida e neutralizou a tentativa de 'blitz' da equipe de Cristóvão Borges. A falha de Vilson que resultou no gol do Moisés tranquilizou ainda mais o líder do Campeonato Brasileiro, que cadenciou o clássico e passou a jogar nos erros de um Corinthians nervoso.

Desfalque certo

O técnico Cuca possui um desfalque certo para o compromisso do próximo sábado contra o Coritiba, no Allianz Parque. O volante Gabriel recebeu o terceiro cartão amarelo no dérbi deste sábado e está suspenso.

Presidente corintiano é xingado nas tribunas

Presente aos camarotes da Arena, Roberto de Andrade teve seu nome xingado ainda nos minutos finais do primeiro tempo. O presidente tem sido criticado pela quantidade de jogadores que deixaram o clube desde o título brasileiro, no ano passado. Neste sábado, torcedores do setor oeste – o mais caro do estádio – viraram de costas para o campo para caprichar na ofensa, entoando a tradicional melodia "ei, Roberto, vai tomar no c…". O volume dos protestos aumentou após o segundo gol palmeirense, no segundo tempo.

Confusão com organizada cria tensão

Eduardo Anizelli/Folhapress

No intervalo do clássico, quando o Corinthians perdia por 1 a 0, uma confusão no setor destinado às torcidas organizadas gerou apreensão na Arena. Uma grade de proteção foi quebrada aos chutes e policiais militares chegaram a se adiantar até a arquibancada, mas a temperatura diminuiu antes de qualquer agressão.

Blogueiros destacam vitória palmeirense

Juca Kfouri exalta a superioridade alviverde no dérbi lembrando que o goleiro Jailson não precisou fazer uma defesa sequer. Já Paulo Vinícius Coelho amplia a análise, lembrando que é o terceiro clássico seguido que o Palmeiras sai de Itaquera sem derrota.

Ficha Técnica

Corinthians 0 x 2 Palmeiras
Data: 17/09/2016
Local: Arena Corinthians, São Paulo-SP
Hora: 16h00 (de Brasília)
Público: 40.173 presentes
Renda: R$ 2.344.829,00
Árbitro: Héber Roberto Lopes (SC)
Assistentes: Kleber Lucio Gil (SC) e Carlos Berkenbrock (SC)
Cartões Amarelos: Balbuena (Corinthians); Gabriel, Leandro Pereira, Moisés e Thiago Santos (Palmeiras)
Cartão Vermelho: Léo Príncipe
Gols: Moisés aos cinco minutos do primeiro tempo. Mina aos 31 minutos do segundo tempo.

Corinthians: Cássio, Léo Príncipe, Vilson, Balbuena e Guilherme Arana; Cristian (Marquinhos Gabriel), Camacho, Rodriguinho, Marlone e Lucca (Romero); Gustavo. Treinador: Cristóvão Borges.

Palmeiras: Jaílson; Jean, Mina, Edu Dracena e Egídio; Gabriel (Thiago Santos), Tchê Tchê, Moisés, Dudu (Rafael Marques) e Erik; Leandro Pereira (Róger Guedes). Treinador: Cuca.

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