Um turno depois e situações invertidas. Como Atlético-MG e Inter mudaram

Jeremias Wernek e Victor Martins

Do UOL, em Porto Alegre e Belo Horizonte

Na noite de 16 de junho, torcedores do Internacional estavam eufóricos. Afinal de contas, o clube venceu o Atlético-MG, por 2 a 0, no Beira-Rio, e seguia líder isolado do Campeonato Brasileiro, com 19 pontos conquistados em 24 disputados. Já os atleticanos viviam um misto de frustração e revolta. Mesmo com um dos elencos mais caros da competição, o Atlético somava apenas sete pontos e terminava mais uma rodada dentro da zona do rebaixamento.

Pouco mais de três meses depois, Atlético e Inter se enfrentam pelo segundo turno do Brasileirão e com situações completamente invertidas. O Internacional saiu da liderança para a zona do rebaixamento. Conquistou somente oito pontos nas últimas 18 rodadas. Já o Atlético começou e vencer, fez o que se esperava dele e somou 39 pontos no mesmo período. A diferença que era de 12 pontos a favor do time colorado, na oitava rodada, agora é 19 pontos para a equipe alvinegra.

E uma série de fatores podem explicar como Atlético e Internacional mudaram tanto e tão pouco tempo. O que fez o Inter deixar a liderança e a briga por um lugar no G4 para lutar contra o rebaixamento? E como o Atlético saiu das últimas posições para brigar pelo campeonato? Com tantas variáveis, é impossível encontrar uma resposta única. Por isso, o UOL Esporte levanta alguns pontos que ajudam a explicar os motivos que inverteram Atlético e Inter na classificação do Brasileiro.

Atlético bancou Marcelo Oliveira e Inter já está no terceiro técnico

Uma rodada após perder o clássico para o Cruzeiro, no Independência, de virada, o Atlético foi derrotado pelo Internacional. Completando ali uma sequência de sete partidas sem vitórias e com a equipe jogado muito mal, embora bastante desfalcada. Mas a diretoria do Atlético não trocou Marcelo Oliveira, que havia chegada ao clube algumas semanas antes, para o lugar de Diego Aguirre. Se a direção atleticana mostrou paciência e confiança no trabalho do técnico, os dirigentes do Internacional fizeram o inverso.

Já bastante questionado pelos métodos de trabalho, Argel caiu após cinco rodadas sem vitórias, com quatro derrotas e somente um empate. Foi então que chegou Paulo Roberto Falcão, que durou somente cinco rodadas no comando colorado. Foram somente 27 dias e nenhum triunfo. Falcão deu lugar a Celso Roth, que tem apenas uma vitória no Brasileiro em sete partidas.

Elenco qualificado e mais numeroso é o diferencial do Atlético

Escalar Fred e deixar Lucas Pratto no banco de reservas. Foi o que fez Marcelo Oliveira em três oportunidades, a última delas no clássico com o Cruzeiro. Um exemplo da qualidade que o treinador do Atlético tem em mãos, enquanto o Internacional sobre com a falta de boas opções para os treinadores que já comandaram o clube. Se o time mineiro tem uma série de jogadores renovados e com convocações no currículo, o elenco colorado é formado por muitos jovens jogadores, que parecem sentir mais o peso do momento ruim. Já pelo lado atleticano, a experiência dos jogadores foi determinante na reação da equipe.

Atlético volta a sobrar em casa, enquanto Inter quebra recorde negativo

Por um período, jogar no Horto era algo que incomodava qualquer adversário do Atlético. Foi mais de um ano de invencibilidade no Estádio Independência, que neste Brasileirão voltou a ser uma força do time atleticano, assim como o Mineirão. Pelo Brasileirão, são nove triunfos seguidos como mandante. Além dos clássicos com América-MG e Cruzeiro, como visitante, que o Atlético somou quatro pontos.

Enquanto isso, o Beira-Rio deixou de ser um dos trunfos do Inter. Após conquistar 13 dos primeiros 15 pontos que disputou em Porto Alegre, a equipe colorada viu sua fortaleza despencar. Foram somente cinco pontos conquistados nas últimas oito partidas no Beira-Rio. A quarta pior campanha como mandante do Brasileirão 2016 faz o Inter ter seu pior desempenho em casa na história do Brasileirão.

Robinho assume a responsabilidade e Inter procura um 'craque'

Robinho chegou à Cidade do Galo com o status de grande estrela do elenco. Após alguns meses de adaptação e recondicionamento após a passagem apagada pelo futebol chinês, o camisa 7 começou a resolver para o Atlético. Robinho assumiu a artilharia do Campeonato Brasileiro, com 11 gols, sendo sete deles para fazer 1 a 0. E é o atacante que se torna a grande esperança do Atlético na briga com Palmeiras e Flamengo pelo título nacional.

Esperança que o Inter procura encontrar em algum jogador. Seria Valdívia, que sofreu uma lesão no joelho e ainda não voltou à melhor forma após meses parado. Pode ser Seijas ou Nico López, mas os estrangeiros foram sacados do time por Celso Roth e ficaram no banco de reservas na derrota para o lanterna América-MG.

Os números: 12 derrotas contra 12 vitórias em 18 rodadas

Numa classificação somente com as rodadas disputadas após a vitória do Internacional sobre o Atlético, o time mineiro apareceria como o líder do Brasileirão, enquanto os gaúchos fizeram menos pontos do que América-MG e Santa Cruz, os dois piores times da competição. Em 18 rodadas, o 12 é o único número igual para Atlético e Inter, mas para feitos opostos. São 12 triunfos atleticanos a partir da 9ª rodada, com 12 derrotas coloradas no mesmo período.

Desde então o Atlético marcou 31 gols, quase o dobro do Inter, que anotou 16 tentos. Aliás, um dos grandes problemas do time comando por Celso Roth, que passou oito das últimas 18 rodadas sem fazer um gol. Já o Atlético, só não marcou gols em dois dos últimos 18 jogos.

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