A briga que Lugano ainda não resolveu com o atacante Guerrero

Luis Augusto Simon

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Gilvan de Souza/Flamengo

Lugano, como a maioria de jogadores uruguaios, é adepto do lema "o que se passa no campo, fica no campo". Desta vez, ele fez uma exceção e falou sobre algumas discussões que marcaram sua carreira.

A última foi contra Paolo Guerrero, do Flamengo, jogador muito admirado pelo uruguaio. "Ele é espetacular. Viu o gol que fez contra a Argentina? A bola veio da esquerda, alta, ele dominou, saiu do zagueiro e fez o gol".

Mas há outra característica de Guerrero que não agrada a Lugano. "Ele chora muito. Faz mais de dez anos que a gente se encontra, ele apanha e fica reclamando. Está na hora de parar com isso, não é".

No jogo contra o Flamengo, Lugano acertou Guerrero. Diz que abriu os braços e que ele não parou. Guerrero diz que foi uma cotovelada. Minutos depois, Lugano deu a mão e Guerrero recusou. E o que o uruguaio disse? "Falei que, se ele queria continuar discutindo, que fosse de noite na casa do Cueva para a gente conversar direito. Ia ter uma reunião lá e convidei o Guerrero. Ele falou que não iria por que eu vivo batendo nele".

Houve um São Paulo e Palmeiras em que Alceu, então volante do Palmeiras, cuspiu em Lugano. Não houve uma reação muito forte, mas o uruguaio ficou fora de si no próximo encontro entre eles. Foi no exame antidoping, após o jogo. "Ficamos os dois na sala. Eu encarei e ele baixou a cabeça. Eu levantei e fui para cima dele. Os seguranças agiram, me seguraram e, na discussão, um monte de vidro se quebrou. Ele escapou";

Agora, de volta ao São Paulo, Lugano se viu no meio de uma briga entre jogadores e diretoria. Os atletas, por conta de um atraso de direitos de imagem, resolveram não falar com a imprensa. E ele, que já foi capitão da Celeste, ficou contra os companheiros. "Eu falei com os jornalistas. Expliquei para os jogadores que, depois de derrota para o Corinthians e Strongest, lei do silêncio era suicídio. A torcida ia acabar agredindo alguém. Juntei todo mundo e acertamos as reivindicações dentro do clube, sem dar margem para os rivais ironizassem ainda mais a gente";

Afastado da seleção uruguaia, após a Copa, Lugano ainda é muito respeitado. Ele é o cabeça dos jogadores que estão lutando contra os desmandos da Associação Uruguaia de Futebol. "Os dirigentes cederam todos os direitos da seleção para o empresário Paco Casal, da empresa Tendfield. Ele faz o que quer e fica com o dinheiro. Nós reagimos";

A reação veio na hora de renovar o contrato com fornecedor esportivo. "A Puma ofereceu uma quantia pequena. Nós conseguimos uma oferta muito maior da Nike. Mesmo assim, Casal obrigou a assinar com a Puma".

A discussão foi para a assembleia dos 19 clubes. "Ele tem influência sobre quase todos. A votação estava nove a nove. Então, o último a votar era um clube novo, cujo presidente é um sindicalista de esquerda. Ele não pode ir contra seus princípios e votou com a gente".

Os jogadores querem muito mais. Querem negociar patrocínios, conseguir mais dinheiro para que a AUF invista nas categorias de base, no futebol universitário e no futebol feminino. "Precisamos aproveitar agora porque estamos em primeiro lugar na Eliminatória. Basta perder um jogo e vão dizer que jogador tem de jogar bola e não se meter nestes assuntos".

O velho guerreiro não se cansa de lutar. Será assim até o final do contrato, em junho. Não sabe se vai continuar, se volta ao Uruguai para ser um dirigente. "Por enquanto, eu ajudo mais o futebol uruguaio como ex-capitão do que como dirigente, mas depois vamos ver. Tem muita coisa errada por lá".

 

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