Trabalho extracampo de Cuca se mostra decisivo para Palmeiras em reta final

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Cesar Greco/Fotoarena

    Cuca fez o grupo 'comprar' a ideia de ser campeão brasileiro

    Cuca fez o grupo 'comprar' a ideia de ser campeão brasileiro

Ainda alheio ao futuro, Cuca contabiliza as últimas semanas de trabalho antes do encerramento de contrato com o Palmeiras. Ao mesmo tempo em que as atividades dentro das quatro linhas são elogiadas e refletidas no desempenho no Campeonato Brasileiro, as atitudes extracampo recebem um tratamento semelhante por parte do elenco, elogioso para com o comandante.

A fim de amenizar as desavenças com alguns atletas do elenco, Cuca até admitiu mudar a postura. Na descrição de jogadores, o treinador não 'segue um padrão'; ou seja, age de maneiras diferentes, mesmo em casos parecidos. 

"Cuca tem várias formas de liderar e gerir; ele foi se adaptando aos jogadores. Ele tem uma base e se adapta ao seu grupo. Cuca foi muito sábio de conduzir este elenco tão grandioso tendo de às vezes tirar jogadores muito gabaritados do banco, e soube conduzir isto e tem todo mérito na campanha", destacou o volante Moisés.

Essa metamorfose apresentada por Cuca, em algumas oportunidades, custou a paz do treinador perante ao grupo. Pelo menos três atletas (Lucas Barrios, Dudu e Rafael Marques) entraram em desavença; ao mesmo tempo, porém, o treinador conquistou os jogadores pela ideia projetada do título brasileiro.

Todo o grupo se 'fechou' com Cuca pelo fim do jejum do Palmeiras na Série A, e o trabalho psicológico das últimas semanas, com conversas constantes, revigorou a equipe nesta reta final de competição.

"Todo treino ele pega um ou dois e conversa; o Cuca é um cara que não tem um padrão [de chefe] que possa defini-lo", sentenciou Moisés, justamente um dos homens de confiança de Cuca no Palmeiras.

Neste trabalho extracampo, os jovens ganham destaque. Cuca e a comissão técnica promoveram todo o esforço possível para blindar o grupo nesta reta final de Campeonato Brasileiro.

"Sabemos tudo o que temos que fazer. Ele [Cuca] não dá chance para a gente esquecer nada. Temos que trabalhar o psicológico. Tenho 21 anos e nunca passei por isso [pressão pelo título]; para dizer que nunca passei por isso, passei em 2013, quando subimos", declarou Thiago Martins.

"Se pensar que depois de três anos ser campeão brasileiro, estar em uma equipe que espetacular, é muito bom. Tem que trabalhar muito o psicológico para não dispersar para ficar sempre ligado no trabalho", acrescentou o zagueiro, agradecido ao trabalho de Cuca também fora das quatro linhas.

Um exemplo de como Cuca fez o grupo comprar a sua ideia ocorreu na última terça-feira, quando todos os jogadores – incluindo aqueles que já se encontravam na academia – subiram ao gramado para uma roda de oração.

Todo o trabalho poderá valer a pena no domingo, em caso de empate contra a Chapecoense; a igualdade no Allianz Parque garante o primeiro título de Brasileiro do Palmeiras desde 1994.

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