História secreta: por que Gabriel trocou Fernando por Jesus e adotou o 33

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Nelson Almeida/AFP

    Gabriel Jesus se despediu do Allianz Parque com o título brasileiro em mãos

    Gabriel Jesus se despediu do Allianz Parque com o título brasileiro em mãos

Gabriel Fernando. Qualquer palmeirense desavisado desconheceria esta alcunha para se referir ao principal atacante da equipe na campanha do título brasileiro. Definitivamente conhecido pelo sobrenome Jesus, Gabriel termina como artilheiro, grande estrela e realizado; afinal, com a primeira taça do clube na competição desde 1994, o jovem de 19 anos pode ir para o Manchester City sem qualquer arrependimento.

O atacante palmeirense entra para a seleta galeria de estrelas relâmpagos no futebol brasileiro. A promoção para o time principal ocorreu somente no ano passado, sob o comando de Oswaldo de Oliveira. Duas temporadas depois, Gabriel Jesus deixará o país sob o valor de mais de R$ 100 milhões.

Antes de ser promovido no ano passado após participação destacada na Copinha, Gabriel trabalhara anteriormente entre os profissionais no ano de 2014, a pedido do técnico Ricardo Gareca. O atacante, na época já tratado como um grande talento da base, era conhecido como Gabriel Fernando.

A mudança repentina veio graças a uma sugestão da assessoria do clube. Quando promovido para os profissionais, virou Jesus e vestiu a camisa 33, a idade de Jesus Cristo quando crucificado. A marca com referências bíblicas foi criada e rapidamente tomou grandes proporções.

Paulo Whitaker/Reuters

O desempenho soberbo de Gabriel (ainda Fernando) no Campeonato Paulista sub-17 de 2014, competição na qual anotou 37 gols, e na Copa São Paulo de 2015 despertaram a atenção do torcedor. Quem mais sofreu foi justamente Oswaldo de Oliveira; o treinador era cobrado para lançar o atleta na equipe principal.

O próprio Oswaldo mostrou-se incomodado com a expectativa excessiva sobre a jovem revelação e a comparou com a 'Beatlemania', em uma noite na qual um torcedor insistia pela escalação da revelação.

"Isso é um negócio interessante. Normal pedirem Gabriel, pedirem qualquer outro jogador. Mas aquela voz estava se repetindo e me lembrou o filme dos Beatles: 'Os Reis do Yeah! Yeah! Yeah!. Ficavam aquelas meninas: Yeah! Paul [McCartney]!", disse um contrariado Oswaldo de Oliveira.

"Falei: p..., esse cara vai ter um ataque aqui daqui a pouco. Quando olhei para cima e vi um careca, sem camisa, fortão, pensei: 'ah, não é possível'. Falei para ele: 'toma vergonha na cara, arrume o que fazer ao invés de ficar gritando Gabriel, Gabriel'", completou.

Toda a ansiedade do torcedor em questão se justificou. Em poucos meses, Gabriel (já Jesus) assumiu uma função de titular e teve papel importante na conquista da Copa do Brasil no ano passado. Quem não se recorda da atuação soberba do atacante na vitória por 3 a 2 sobre o Cruzeiro, no Mineirão, pelas oitavas de final do torneio mata-mata?

A consolidação como referência veio em 2016. Ouro olímpico, artilharia do Palmeiras no Brasileiro e elogios contínuos de Pep Guardiola, futuro técnico do atleta no Manchester City. Gabriel, ex-Fernando e agora Jesus, termina o Campeonato Brasileiro consolidado.

Aquele torcedor desesperado pela escalação do atleta e responsável por irritar Oswaldo de Oliveira – hoje técnico do Corinthians – estava certo. Sem Gabriel Jesus, dono da última 'Beatlemania' do futebol brasileiro, o Palmeiras dificilmente terminaria consagrado como campeão brasileiro de 2016.

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