Medo de 'tumulto jurídico' fez CBF desencorajar homenagem do Palmeiras

Diego Salgado e José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

  • Cesar Greco/Fotoarena

    Nobre confirmou a recomendação da CBF contra o uso do uniforme da Chapecoense

    Nobre confirmou a recomendação da CBF contra o uso do uniforme da Chapecoense

Os planos do Palmeiras de vestir-se como a Chapecoense no domingo (11), contra o Vitória, pela última rodada do Brasileirão, pararam na Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A entidade, com receio de possíveis ações jurídicas, desencorajou o campeão nacional de usar o uniforme dos catarinenses como forma de homenagem às 71 vítimas do desastre aéreo na Colômbia.

Quem confirmou a informação foi Paulo Nobre. Em entrevista exclusiva concedida ao UOL Esporte, o presidente do Palmeiras contou sobre a recomendação da entidade máxima do futebol brasileira, que preferiu resguardar-se contra qualquer surpresa ou tentativa de 'tumulto' sobre o campeonato logo na última jornada.

"Acho muito importante colocar que não é uma falta de sensibilidade da CBF, muito pelo contrário. Ela está querendo evitar que eventualmente alguém possa questionar um time de jogar com a camisa do outro e que isso possa causar algum tumulto jurídico na última rodada do campeonato", afirmou o presidente palmeirense.

"Não foi falta de sensibilidade, foi um zelo. A homenagem vem de dentro do coração. Não importa se camisa será da Chapecoense; importa é que a camisa do Palmeiras terá uma homenagem, uma singela homenagem em frente tudo o que aconteceu", discursou Nobre.

"É apenas uma demonstração de respeito e carinho a esta agremiação que tem a origem italiana e tem as mesmas cores. A Chapecoense sempre teve uma ótima relação conosco e continuará tendo", encerrou o dirigente, que falou com o UOL uma semana depois do acidente com a delegação do clube catarinense.

'Precisamos entender do que a Chapecoense precisa'

A reportagem do UOL Esporte entrevistaria Paulo Nobre na terça-feira, dia 29 de novembro. Horas antes do combinado, no entanto, a tragédia da Chapecoense modificou todo o planejamento. Paulo Nobre optou por adiar a conversa e dedicou-se a absorver toda a tragédia; o dirigente quer auxiliar de alguma forma na reconstrução da Chape.

No entanto, antes de anunciar qualquer medida nesta última semana de mandato no Palmeiras, Nobre quer ouvir a Chapecoense. Somente a partir da resposta dos catarinenses, o atual campeão brasileiro entrará de fato com uma ação de auxílio à instituição.

Cesar Greco/Ag Palmeiras
Nobre quer ajudar a Chapecoense

"A Chapecoense precisa se reestruturar o mínimo para que a gente possa entender o que ela vai necessitar de ajuda. Não adiantam os clubes começarem a ajudar a Chapecoense sem saber de fato do que a Chapecoense precisa. [...] A Chapecoense vai iniciar os seus trabalhos, a sua reestruturação, e aí vamos entender de fato do que ela precisa para a gente conseguir ajudar", disse.

A primeira medida projetada por grandes clubes brasileiros recai sobre a imunidade da Chape em relação ao rebaixamento pelas próximas três temporadas. Nobre defende esta ideia, mas pede um auxílio muito mais sólido ao clube, acima até mesmo da proposta de empréstimos de atletas para a próxima temporada.

"Pelo mais que se emprestem jogadores para o ano de 17, a Chapecoense chega no fim do ano e esses jogadores voltam para os seus clubes. A Chapecoense precisa formar um novo elenco, e isso não é tão simples assim", analisou o dirigente máximo do Palmeiras.

"Acredito que alguma ajuda seria justa ser dada. Hoje estamos falando destes três anos de rebaixamento. De repente, com mais debates, até se mude isso. Mas que se encontre algo que possa ajudar essa agremiação", acrescentou o presidente palmeirense.

"A Chapecoense é um clube que não tem dívida fiscal, é administrada com muita seriedade; é triste ver todo este trabalho jogado fora por conta de uma tragédia", lamentou.

Inconformismo com o acidente

Paulo Nobre mostrou-se inconformado com o ocorrido. Em meio ao luto pelas vítimas da tragédia, o presidente palmeirense questiona o comportamento da empresa aérea LaMia e do piloto, também falecido, no acidente ocorrido há uma semana na Colômbia.

"Usaram a autonomia do avião para ir do ponto A ao ponto B, mas a autonomia não é isso. É voar do ponto A para o B e, se o ponto B tiver algum problema, alternar para o ponto C e sobrevoar o ponto C. [...] Tem que fazer tudo isso para chegar a ter uma pane seca, pedir preferência para pouso e pousar. Se a pessoa é irresponsável e pega essa autonomia toda para fazer do ponto A para o ponto B, isso é correr um risco que, na aviação, é proibitivo", destacou.

Reprodução
Presidente do Palmeiras questionou o comportamento da empresa aérea LaMia

"Tanto é que o piloto não declarou pane seca porque sabia que a multa seria absurda e teria uma sanção muito séria. [...] A irresponsabilidade do ser humano torna qualquer coisa perigosa no mundo, a ganancia dos seres humanos torna tudo mais perigoso", disse Paulo Nobre, que é dono de um avião que já foi usado para transporte de alguns jogadores do Palmeiras, como Gabriel Jesus e Yerry Mina. 

Nobre, porém, evitou críticas à escolha de uma companhia aérea pequena como a LaMia para o transporte da delegação da Chapecoense e admitiu que o próprio Palmeiras contrata este tipo de empresa para voos pela América do Sul.

"Quando o Palmeiras freta um voo, a princípio são voos com histórico positivo. Mas esse da Chapecoense também tinha, a seleção da argentina tinha voado. Por isso é um absurdo criticar quem contratou o voo, criticar a Chapecoense. Não errou. O administrador tem que pegar um voo mais em conta, é duro pagar as contas no futebol", disse.

"Era certamente um piloto irresponsável, já havia feito esse mesmo roteiro meia dúzia de vezes e, nesta, deu errado", atestou o presidente palmeirense.

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