Opinião: os reforços que os times precisam para o mais equilibrado BR

Mauro Beting

Do UOL, em São Paulo

  • GIUSEPPE CACACE/AFP

    Everton Ribeiro: um alvo que muitos precisam

    Everton Ribeiro: um alvo que muitos precisam

Palmeiras: precisa de um volante para fazer opção a Felipe Melo

Palmeiras tem mais time e mais elenco do que em 2016 - mesmo sem Gabriel Jesus e, até agosto, sem Moisés. Volta a ter mais treinador. Tem menos pressão por título no Brasileiro do que tinha no ano passado. Mas tem foco maior na Libertadores, que se decide junto com as rodadas finais do Nacional. Cuca precisa de mais um lateral esquerdo para disputar titularidade, um volante para fazer opção a Felipe Melo, e, para tentar evitar reforçar os rivais, um Everton Ribeiro.

Flamengo: Everton Ribeiro daria ainda mais qualidade e opção ao time

Flamengo tem mais time e mais elenco do que em 2016. Mais entrosamento e também mais pressão para não ficar apenas no aroma do título. Um treinador mais experiente e competente e, melhor, foi mantido. Excelente. Chances ótimas de, como o Palmeiras, disputar para ganhar tudo que puder em 2017. Um zagueiro para reforçar a defesa é necessário pela instabilidade de Rafael Vaz. No meio, Everton Ribeiro pode dar ainda mais qualidade e opção ao treinador. Vinicius Júnior, mesmo tão jovem e badalado, pode ser o fator Gabriel Jesus que pendeu para o outro lado em 2016. No mais, elenco praticamente pronto e qualificado.

DHAVID NORMANDO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Fred está bem no Atlético-MG

Atlético-MG: Pratto não faz falta, mas defesa precisa de opções no banco

Atlético Mineiro tinha o melhor elenco no Brasileiro passado. Mas não teve o melhor time. Nem campanha. Roger Machado ainda não achou a equipe e nem acertou a mão. Mas o MG-17 dá estofo e confiança para seguir trabalho que promete muito. Defesa ainda precisa de opções de banco que, do meio pra frente, seguem sobrando. Pratto não faz tanta falta. Fred em alta. Muita gente boa que pode desequilibrar, além de dar boas variantes táticas. O Galo promete mais uma vez. Como o Brasileiro deve ser o melhor e mais equilibrado dos últimos anos.

Rivaldo Gomes/Folhapress
Rafael Marques, que trocou o Palmeiras pelo Cruzeiro

Cruzeiro: mais um lateral direito e menos lesões. Elenco é ótimo

O Cruzeiro vinha jogando talvez o melhor futebol no Brasil até perder em casa para o São Paulo, na Copa do Brasil. Mesmo classificado, parece que ali ficou alguma coisa. Não se acertou nas finais estaduais, e se perdeu feio na Sul-Americana, torneio muito menos complicado. Mas o elenco é ótimo. Se não tiver problemas com as lesões que tanto atrapalharam passado recente, Mano pode manter a ideia de jogar mais para frente e melhor. Não há grandes carências no elenco - mas agora vai precisar de mais um lateral direito. Tem boas alternativas do meio para frente para rodar o elenco e ter alternativas táticas. Promete crescer também pelas pauladas inesperadas.

Corinthians: mais um atacante enquanto a boa molecada não está cascuda

Melhor surpresa entre os grandes em 2017 pelas limitações orçamentárias e do tanto que está bem acostumado o corintiano nos últimos anos, o Corinthians não parece lutar pelo título. Mas por um lugar na Libertadores, quase certamente. Até pelo atalho da Sul-Americana, onde segue depois de cair na competição mais difícil (Copa do Brasil). Carille achou um time e um jogo mais reativos. Mas eficientes até a medula. Se não consegue criar tanto, tanto nega espaços e chances que se garante. Precisa de melhores opções para a reserva das laterais, zaga, e pelo menos mais um atacante para dar alternativas enquanto a boa molecada ainda não está cascuda. Mas com potencial de seguir crescendo.

JEFFERSON BERNARDES
Luan comemora gol do Grêmio

Grêmio: que Luan não saia. Um meia que atua pelos lados seria bem-vindo

Grêmio, como todos os que seguem na Libertadores, pensa mais no tri sul-americano que no brasileiro. Normal. Mas precisa jogar mais. E de reforços. Barrios tem se saído melhor do que o esperado. Espera-se que Luan mais uma vez não saia. Lincoln enfim exploda. Jailson se firme. A zaga se consolide de vez. Marcelo Grohe siga sendo referência na meta. Douglas volte o quanto antes. Um zagueiro para o banco e mais um volante para a reserva seriam necessários. Meia pelos lados também seria bem-vindo.

 
Fluminense: tem qualidade até sem Scarpa e pode sonhar com o jovem elenco
Abelão faz mais um ótimo trabalho nas Laranjeiras. Um time ofensivo e bom de ver jogar. Com amplitude e qualidade mesmo sem Scarpa. Mas ainda precisa de mais rodagem e opções. Reservas para as laterais. Mais um zagueiro. Outro volante de marcação. Um meia ofensivo. Um atacante. Ainda se não vier nada disso, deve seguir se superando pela qualidade do jovem elenco, e pela ideia de um time veloz e abusado. Pode sonhar. Mas sem delírios.
 
Santos: caiu demais. É só jogar a bola que esse time tem e não está jogando
Dorival Júnior é o treinador há mais tempos fazendo ótimo trabalho em clube da Série A. Vice brasileiro, não perdeu titulares. Ganhou mais entrosamento. Melhores opções de banco. Mas tem o pior desempenho. Caiu demais. Nem as lesões explicam. Difícil entender, por mais que a ausência da zaga titular explique alguma coisa. Também por isso um zagueiro é recomendável. Outro volante. Quem sabe um meia. Mas não mais do que isso. É só jogar a bola que esse time tem e não está jogando.
 
Botafogo: mesmo se não vier ninguém, continua extremamente competitivo
Botafogo segue há quase um ano como a ótima nova. Tem mais entrosamento e elenco do que em 2016. Mais opções na armação. Mas pela limitação em qualidade e quantidade, também precisa de reforços em todos os setores. Até pelo desgaste de uma temporada muito intensa. Todos os setores precisam. Alguns novos nomes, se vierem, até podem ganhar um lugar entre os titulares. Mas se não vier ninguém, ainda é equipe extremamente competitiva. Mérito inegável de Jair Ventura, jovem treinador que faz muito com pouco.
 
Andre Penner/AP
Rodrigo Caio em ação pelo São Paulo

São Paulo: muitas limitações. Talvez tenha que substituir Rodrigo Caio

Rogério Ceni está com desempenho abaixo do esperado. Na média. Mas ele e o São Paulo não podem se contentar com tão pouco. A boa nova é que sobrou apenas o Brasileiro na temporada. Mais tempo para treinar. A má é que só sobrou um campeonato que parece difícil de ser conquistado. Ainda mais com um elenco com limitações. Ou com jogadores desempenhando menos. Um lateral direito. Uma opção para o outro lado. Um zagueiro em caso de saída de Rodrigo Caio. Mais um volante. Um atacante pelo lado. Não parece precisar muito Ceni. Mas precisa jogar muito mais.

Vasco: se todos jogarem o que podem jogar, não precisará de tanto reforço

No mais equilibrado campeonato dos últimos anos, o Vasco parece ainda longe do protagonismo. Elenco descompensado precisa de uma rejuvenescida. Pelo menos dois novos zagueiros. Opções para as duas laterais. Dois volantes que também marquem tanto quanto joguem. Na frente, por ora, se todos jogarem o que jogavam há, digamos, uns três anos, Milton Mendes não precisará de tanto reforço. Mas o coletivo precisa funcionar melhor. Muito melhor. Não corre riscos como em anos anteriores. Mas ainda está longe do ideal e do Vasco.

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