Posto de gasolina vira campo neutro de SP e Palmeiras antes de clássico

José Edgar de Matos e José Eduardo Martins

Do UOL, em São Paulo

  • José Eduardo Martins/UOL

    Mazinho no carro de um jogador do Palmeiras; frentista acostumou-se a lidar com atletas

    Mazinho no carro de um jogador do Palmeiras; frentista acostumou-se a lidar com atletas

Arquirrivais, São Paulo e Palmeiras têm seus centros de treinamento separados apenas por um muro na Avenida Marquês de São Vicente, na Zona Oeste da capital paulista. A poucos metros dos quartéis-generais dos times está um "campo neutro", frequentado por jogadores e funcionários dos dois lados. Sem distinção de camisa, um posto de gasolina reúne quem quer manter carros limpos e abastecidos no dia a dia. Neste sábado, às 19h, no Morumbi, os clientes se enfrentam em clássico válido pelo Campeonato Brasileiro.

José Nunes, o Mazinho, é o frentista responsável por fazer o contato com o mundo da bola. Seguranças dos clubes, diretores e jogadores têm o telefone dele e o chamam via Whatsapp sempre que precisam que algum serviço seja feito. Por isso, quase todo dia é possível encontrar com Mazinho entrando e saindo dos CTs mesmo quando os treinos são fechados. "Tenho acesso livre nos dois clubes, dá para entrar qualquer hora", diz o profissional.

Com a confiança total dos jogadores, muitas vezes Mazinho pega os carrões dos boleiros e leva até o posto de gasolina. "Não fico com medo, até porque nunca aconteceu nada. Há 12 anos trabalho aqui. É sossegado. Tem vários carrões que já peguei, como Porsche, BMW... Às vezes, o pessoal entra no carro e não sabe nem sequer onde fica o freio de mão. Hoje em dia, sei tudo. Já domino", afirmou Mazinho.

A bordo dos possantes, o frentista já foi até confundido com jogador de futebol. "Muitas pessoas acham estranho. Chego ou saio do CT e o pessoal pede para abaixar o vidro achando que é jogador. Aí, falo que estou com pressa e não posso dar autógrafo, dando risada. Pendem para tirar foto também", divertiu-se Mazinho.

Quando vão abastecer seus carros, não foram raros os dias em que os jogadores das duas equipes já se encontraram e conversaram de maneira amistosa. Até mesmo Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos, quando defendiam o Corinthians, foram vistos no local. Segundo funcionários do posto, os astros visitaram um amigo jogador do Palmeiras e pararam lá por indicação.  

Amizade com Denílson rendeu emprego fixo

A relação estreita dos jogadores com o pessoal do posto de gasolina até mudou a vida de alguns. Um outro funcionário ficou tão próximo do ex-volante do São Paulo Denilson que foi contratado por ele para trabalhar em um sítio, na Paraíba. 

Mazinho também mantém um bom relacionamento com palmeirenses e são-paulinos. "Nunca tive problema com jogador. Só tinha um que era meio fechadão, mas ele encerrou a carreira. O Alecsandro, por exemplo, quando foi para o Coritiba, quis pegar meu telefone. O Reinaldo até hoje fala comigo. Tem cara fora do Brasil que vem conversar comigo."

Fotos, presentes e Rogério Ceni

Arquivo Pessoal
Mazinho e Wesley no CT

Apesar de não querer ser visto como fã dos jogadores, o frentista não se furta da possibilidade de tirar fotos com os atletas e até do treinador do São Paulo. "Já peguei várias vezes o carro do Rogério Ceni. Ele me conhece. É gente boa, não mudou nada como técnico e cumprimenta todo mundo. Eu já tirei foto com ele e levei para a minha terra, Pernambuco. É uma coisa que nunca imaginei acontecer comigo. Vir de Pernambuco e ter esse acesso", disse Mazinho, que já ganhou presentes dos clientes.

"Tem jogador que já me deu camisa, perfume... Tenho uma camisa do Rogério Ceni que guardo com carinho, uma do Michel Bastos, também. Mas não consigo usar porque é tamanho médio (risos). Tenho carinho especial por ele [Michel Bastos]", afirmou o frentista.

Camisa do São Paulo e susto com diretor rival

Mazinho não esconde a sua torcida pelo São Paulo. Por isso, quase passou por apuros. "Torço para o São Paulo, mas não misturo as coisas. Vou lá dentro do CT e trato todos como amigos, mesmo. Tem bastante diretor lá que sabe que sou são-paulino, mas me respeitam. Uma vez fui pegar um carro de um diretor do Palmeiras e estava com uma camisa do São Paulo por baixo. Ele me viu e perguntou da camisa. Dei risada, falei que estava frio e a coloquei por baixo", conta ele.

"Fiquei com medo na hora, mas ele deu risada e levou na brincadeira. Foi sossegado. Aqui é campo neutro. Todo mundo é bem-vindo", afirmou Mazinho, que tem carinho também pelo arquirrival. "Quando o jogo é contra outro time que não o São Paulo, sou palmeirense. Tenho muitos amigos lá, como segurança, pessoal da limpeza, diretor, jogador...", completou o frentista.

Dono do posto também é famoso

O estabelecimento é do cantor Nilton Cesar, que participou Jovem Guarda e ficou conhecido na década de 70 com a música "A namorada que sonhei". Curiosamente, outro posto de gasolina na mesma avenida era da mulher do ex-jogador do São Paulo e ex-treinador do Palmeiras, Márcio Araújo.

FICHA TÉCNICA
SÃO PAULO x PALMEIRAS

Local: Estádio Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi), em São Paulo (SP)
Data: 27 de maio de 2017 (sábado)
Horário: 19h (de Brasília)
Árbitro: Anderson Daronco (Fifa-RS)
Assistentes: Elio Nepomuceno de Andrade Júnior e Rafael da Silva Alves (ambos de RS)

SÃO PAULO: Renan Ribeiro; Buffarini, Maicon, Rodrigo Caio e Junior Tavares; Jucilei, João Schmidt e Cícero; Luiz Araújo (Marcinho), Pratto e Cueva.
Técnico: Rogério Ceni.

PALMEIRAS: Fernando Prass; Jean, Yerry Mina, Edu Dracena (Juninho) e Zé Roberto (Michel Bastos); Felipe Melo, Tchê Tchê e Alejandro Guerra; Róger Guedes, Miguel Borja e Dudu.
Técnico: Cuca.

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