Alvo do Corinthians antes de Carille, Dorival corre novo risco em clássico

Dassler Marques e Samir Carvalho

Do UOL, em São Paulo

  • Ivan Storti/Santos FC

    À frente do Santos, Dorival Júnior reencontra o Corinthians neste sábado, em Itaquera

    À frente do Santos, Dorival Júnior reencontra o Corinthians neste sábado, em Itaquera

Pouco antes de optar pela efetivação de Fábio Carille, o Corinthians enxergava em Dorival Júnior o treinador ideal para a temporada 2017. Se vive situação delicada na Vila Belmiro em função da irregularidade da equipe neste ano, no Parque São Jorge o comandante santista conserva admiradores, entre eles o presidente Roberto de Andrade. Seja por características pessoais ou profissionais. 

No próximo sábado, Dorival volta a ser adversário dos corintianos, que recebem os santistas em Itaquera pelo primeiro clássico das duas equipes no Campeonato Brasileiro. Para o treinador, é a oportunidade de tentar vencer um rival em 2017 - foram três derrotas contra Corinthians, São Paulo e Palmeiras - e evitar o que seria uma nova turbulência em caso de revés. Além disso, é a chance de justificar o convite que recebeu em dezembro.

O que agradou o Corinthians para fazer convites

Dorival estava de férias em Orlando, nos Estados Unidos, quando foi procurado por Alessandro, gerente de futebol do Corinthians. Esse foi o segundo convite corintiano desde a saída de Tite para a seleção brasileira, e que o treinador do Santos novamente lamentou recusar. Com contrato ampliado na Vila Belmiro, ele agradeceu a ligação e explicou que já trabalhava no planejamento santista para 2017. 

No Parque São Jorge, o presidente Roberto cogitava Guto Ferreira, recomendação de Tite e que estava vinculado ao Bahia, mas autorizou a procura por Dorival após demitir Oswaldo de Oliveira. A admiração pelo trabalho dele havia sido reforçada no último Brasileirão, quando o Santos alcançou o vice-campeonato com orçamento inferior ao de vários outros competidores pelo título. 

Em 2017, o Corinthians tinha a convicção de que trabalharia com algumas restrições orçamentárias e que o valor disponível para contratações era pequeno. Além disso, já existia a ideia de dar mais espaço às divisões de base, o que ocorreu pouco com Tite em suas duas passagens mais recentes.

Com longo histórico de aproveitamento de jovens, seja por Vasco, Cruzeiro, Palmeiras e outros, Dorival reforçou essa característica no Santos ao recuperar Gabigol e afirmar Zeca e Thiago Maia. Além disso, alcançou, em seus melhores momentos na Vila Belmiro, um futebol considerado moderno e agradável.

Com boas referências sobre o treinador santista no CT Joaquim Grava, o Corinthians definiu Dorival como alvo também em função das características pessoais. Desde a primeira passagem de Mano Menezes, em 2008, a cultura de trabalho na direção corintiana busca um técnico que não interfira demasiadamente no mercado, na política do clube ou nas decisões do departamento de futebol. De perfil sereno, o treinador do Santos também estava enquadrado nesse perfil. 

Dorival vai a clássico sob pressão na Vila

Curiosamente, hoje Dorival não tem sossego no Santos. O treinador não agrada grande parte da torcida, além de conselheiros e até dirigentes. O presidente Modesto Roma praticamente banca o treinador sozinho. Foi assim após a eliminação precoce no Campeonato Paulista para a Ponte Preta.

Antes da queda, o treinador já havia balançado no cargo no Campeonato Brasileiro do ano passado. A ameaça a Dorival aconteceu em 19 de outubro, após a eliminação precoce na Copa do Brasil para o Internacional, que já estava em crise e, posteriormente, seria rebaixado para a Série B. Os gaúchos atuaram com os seus reservas pensando no clássico contra o Grêmio, pelo Brasileiro.

Na ocasião, o Santos ocupava apenas a quarta colocação na competição nacional, sem a classificação direta para a fase de grupos da Libertadores (já que ainda não havia aberto uma vaga extra para times brasileiros). O que salvou Dorival foi uma vitória improvável, fora de casa, contra a Chapecoense, dias depois da eliminação.

Agora, Dorival segue balançando, apesar da classificação para as oitavas de final da Copa Libertadores da America e quartas de final da Copa da Brasil. Após a derrota para o Cruzeiro em casa e o início ruim do Santos no Brasileiro, o presidente Modesto Roma já admitiu pela primeira vez a pessoas próximas que o treinador não é intocável e que não descarta mudanças.

A ala que defende a saída de Dorival na Vila Belmiro acredita que ele pode ser demitido em caso de derrota expressiva no clássico deste sábado, diante do arquirrival Corinthians.

Carille acabou escolhido e cumpriu todas as expectativas

Sem Guto, Dorival e ainda o colombiano Reinaldo Rueda, o Corinthians se voltou ao nome de Fábio Carille, que aguardava por uma oportunidade e teve ótima aceitação. Assim, ainda em dezembro, ele foi efetivado e, pouco a pouco, ganhou confiança e destaque. 

De certa forma, Carille cumpriu o que se esperava justamente de Dorival: não cria problemas, trabalha de forma franca, entrega resultados, utiliza os jogadores jovens e não faz pedidos distantes da realidade atual do Corinthians. 

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