Cinco segredos de Renato para fazer o Grêmio embalar no ano

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

  • LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

    Grêmio tem 83% de aproveitamento no Brasileirão e vive grande fase no ano

    Grêmio tem 83% de aproveitamento no Brasileirão e vive grande fase no ano

A arrancada do Grêmio no Brasileirão é fruto de uma série de ideias de Renato Gaúcho. Em alta na temporada, onde também acumula vaga nas oitavas de final da Libertadores e quartas da Copa do Brasil e Primeira Liga, o Tricolor apresenta um jogo que tem muito pouco da identidade de 2016. Hoje, o time gaúcho já usa e abusa de princípios do atual treinador.

O UOL Esporte mostra cinco dos princípios do Grêmio sob o comando de Renato que ajudam a entender a fase atual. Melhor ataque do Campeonato Brasileiro, terceiro colocado na fase de grupos da Libertadores e com artilheiros superando a marca de gols do ano passado em junho.

Sem saída de três

Reprodução
Volantes do Grêmio em diagonal em relação à bola contra o Botafogo, na Arena

Com a bola em sua defesa, o Grêmio não recua volante entre os zagueiros. A famosa "saída de três" é substituída por uma transição com volantes em diagonal em relação à posição da bola. Jamais de costas para o portador da bola e também nunca atrás da linha de posse.

Ao invés de abrir zagueiros para os lados, adiantar laterais e recuar um volante para dar superioridade numérica na primeira linha, o Tricolor avança com os flancos espetados, mas aposta em um movimento mais agudo com os volantes. Em diagonal, estes jogadores ganham tempo em relação ao enquadramento do corpo e ajudam a acelerar a transição.

Quarteto com mobilidade

LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA
Luan é um dos termômetros do Grêmio e peça-chave para movimentação do ataque

Luan, Pedro Rocha, Lucas Barrios, Miller Bolaños, Everton, Fernandinho, Gastón Fernández, Beto da Silva. Seja com quem for, o Grêmio monta um quarteto ofensivo baseado em infiltração e apostando bastante na técnica. Os quatro homens mais avançados contam com ordem de se movimentar ao máximo em busca de superioridade e atrás de desencaixe da marcação adversária.

A rotação já fez Lucas Barrios dar assistência de calcanhar à frente da área, do lado do campo e também aparecer quase rente a linha do gol em lance de profundidade. Com Luan o expediente é ainda mais comum. O camisa 7 é um dos centros do time e cai por todos os lados do campo. É ele, em linhas gerais, quem inicia a troca no quarteto.

Extremas por dentro

Reprodução
Cortez aberto, em ultrapassagem, e Everton por dentro contra o Atlético-PR

Esqueça a ideia de extremas, ou meias-atacantes, bem abertos. Ou então 'pisando na linha', por estarem rente à lateral do campo. O Grêmio, atualmente, procura ter estes jogadores mais perto do centro do campo. Pedro Rocha é o maior exemplo e inclusive em vários gols marcados pelo time nos últimos jogos.

Reprodução
Pedro Rocha (topo) à espera de passe de Luan. Sempre por dentro, com lateral livre

Com Pedro Rocha e Ramiro por dentro, o Grêmio libera os laterais para atacar o corredor. A proposta se encaixa perfeitamente nas características de Bruno Cortez e Léo Moura – titulares em recente sequência de triunfos. Mas com Marcelo Oliveira já era possível notar ultrapassagens pelo lado esquerdo com o portador mais por dentro.

Diante do Bahia, Cortez fez o gol ao entrar na área em escanteio no final do jogo. Mas desde o apito inicial se apresentou ao lado do campo, mantendo a proposta, e dando opção de passe. Com ele e Edílson do outro lado, o Grêmio conseguiu atacar com cinco jogadores em busca de uma chance contra defesa compacta do time visitante.

Encaixe até o fim

Reprodução
Grêmio (topo da imagem) faz marcação encaixada diante da Chape com um na sobra

Prepare-se para ver o com outros olhos os momentos em que o Grêmio se defende. Quando está sem a bola, o Tricolor aplica bastante um princípio de marcação encaixada até o final da jogada. A marcação por zona, com troca do jogador na perseguição pelo portador da bola, é uma das características da transformação do time desde a chegada de Renato Gaúcho.

Além do encaixe até o fim, sempre existe um jogador na sobra. Ou seja, perto do lance e pronto para aproveitar a sequência de uma tentativa de desarme ou dando opção para passe depois da retomada da bola.

2-1 e liberdade

Jeferson Guareze/AGIF

O gol de Arthur contra o Fluminense, no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, é um bom exemplo. Pelo meio, o camisa 29 toca para Luan e avança. Depois enxerga Barrios e também monta uma tabela antes de entrar na área, driblar Cavalieri e empatar a partida.

Reprodução
Arthur marcou contra o Flu depois de tabelar duas vezes para progredir

Assim como o volante, todo jogador do Grêmio tem a instrução de usar a tabela. O chamado '2-1'. Diante do Botafogo, na estreia do Brasileirão, Michel roubou a bola, tocou em Luan e seguiu avançando. Dando opção. A superioridade numérica com tomada de decisão rápida permite ao time seguir ganhando terreno, mas só dá certo por conta da liberdade.

Renato Gaúcho orienta o time a tomar a decisão que melhor convir na hora. Sem roteiro pré-definido para cada fase do jogo. Essa postura é que gera muda nos pequenos padrões que se revelam ao longo dos gols e chances de gol do Grêmio nas últimas semanas.

Com cinco vitórias em seis jogos pelo Brasileirão, o Grêmio tem 83% de aproveitamento e ocupa o segundo lugar na tabela. O desempenho na arrancada do campeonato já é histórico. O clube gaúcho nunca conseguiu esse percentual na competição. Boa parte da explicação está nas ideias de Renato, casada com a qualidade do time e o momento de peças importantes.

O Grêmio volta a campo na quinta-feira, quando enfrenta o Fluminense pela sexta rodada do Brasileirão. Depois do jogo no Rio de Janeiro, o Tricolor enfrenta o Cruzeiro, segunda-feira, em Belo Horizonte.

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