Fla saiu do sufoco, mas traduzir investimento em campo ainda é problema

Vinicius Castro

Do UOL, no Rio de Janeiro

O Flamengo saiu do sufoco no Campeonato Brasileiro após a eliminação vexatória na Copa Libertadores. As vitórias sobre Ponte Preta, Chapecoense e Bahia colocaram o Rubro-negro na zona de classificação para a competição continental. A distância para o líder Corinthians, no entanto, ainda é de nove pontos. A diferença, para quem pensa em título, precisa ser tirada. Para isso, o bom rendimento em campo tem papel fundamental, algo que os cariocas ainda não alcançaram, se for levado em conta o investimento realizado na temporada.

Foram vitórias importantes no Brasileirão, mas em nenhuma delas o Flamengo convenceu - mesmo na goleada por 5 a 1 sobre a Chapecoense. O time ainda sofre com um problema incômodo na saída de jogo. Uma bola aérea, um erro da defesa adversária ou uma jogada de talento individual quase sempre são necessários ao Rubro-negro para abrir o placar e desenvolver o seu futebol.

Staff Images/ Flamengo
Jogadores e técnico Zé Ricardo comemoram o gol da vitória do Flamengo sobre o Bahia
Ainda é pouco para um elenco rico e que recebeu o investimento de pelo menos R$ 40 milhões em reforços só em 2017 - valor somado das compras de Everton Ribeiro, Berrío, Rhodolfo e Renê. Falta a prática repetir a teoria no Flamengo. A ambição do clube é por conquistas de expressão e se faz necessário atuar com autoridade para isso. A vitória por 1 a 0 sobre o Bahia, em Salvador, foi um retrato do problema.

Na estreia de Everton Ribeiro, o Rubro-negro chegou a passar sufoco de um adversário com menos um jogador desde o primeiro tempo. Os cruzamentos foram mais uma vez utilizados em demasia, de acordo com os números do Footstats. A conta assusta - 22 bolas na área, apenas duas certas. Encontrar alternativas para voltar a jogar bem se tornou o grande desafio do técnico Zé Ricardo.

É fato que os resultados positivos aliviam a pressão nos bastidores. No entanto, torna-se consenso que o elenco milionário sofrerá bastante em busca de conquistas caso não encontre o quanto antes uma forma para envolver os adversários, fugindo dos já manjados cruzamentos.

"É um eterno dilema. Não fizemos uma partida no nível que esperávamos contra o Bahia, mas vencemos. Temos quatro derrotas na temporada, pelo menos em duas delas conseguimos um bom rendimento. É lógico que a pressão ficou grande por conta da eliminação. É um dilema, mas cobramos os nossos atletas por uma performance melhor", afirmou Zé Ricardo.

"Não gosto de comparar. Acho que o Flamengo, independentemente do plantel, tem sempre de buscar títulos. Sei da pressão por conta dos atletas com grande histórico que temos. Isso tudo não adianta, pois precisamos transformar em resultados. Tivemos os galácticos do Real Madrid, Sávio, Romário e Edmundo... É fundamental alimentar o nosso ambiente com coisas positivas. Não fujo da responsabilidade de dirigir uma equipe grande como é o Flamengo", completou.

Reforço de R$ 22 milhões, Everton Ribeiro teve uma estreia discreta, mas é um nome com grande expectativa entre os torcedores do Flamengo. Ele aposta no entrosamento dos novos atletas com o elenco para que o Rubro-negro alcance o desempenho desejado por todos.

"Não foi uma das melhores partidas. Esperávamos criar mais e ficar com a posse de bola. Apesar de não termos feito um jogo excelente, precisávamos vencer. Quando não for na técnica, será na vontade e na disposição. Jogaremos melhor quando tivermos mais entrosados", encerrou o camisa 7 da Gávea.

Para quem pensa em conquistas grandes e que justifiquem o investimento milionário, atuar sob risco pode ser fatal nas ambiciosas pretensões. Há tempo de mudar. Eis o desafio da vez no Ninho do Urubu.

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