Licença para driblar: Pedrinho vira xodó corintiano após chapéu decisivo

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

"Sempre tento buscar jogadas criativas. Assim que dominei, vi o time todo saindo, dei um 'chapeuzinho' e pude tocar para trás, para o gol".

João Paulo e Bruno Silva poderiam esperar tudo, menos o chapéu descrito por Pedrinho que, aos 34min do segundo tempo, desmontou a defesa botafoguense. A sequência do lance mais decisivo e ao mesmo tempo bonito de Corinthians 1 x 0 Botafogo, no domingo (2), pela 11ª rodada do Brasileirão, foi o gol marcado por Jô. Mas, sem dúvidas, com a assinatura do 'abusado' garoto alagoano de 19 anos.

Em treinamentos, a habilidade de Pedrinho já é conhecida dos companheiros, comissão técnica, funcionários e jornalistas. No processo de adaptação dele, destaque da conquista da Copa São Paulo em janeiro, estão cuidados com a parte física e tática, mas nada que possa podar a qualidade para lances como o chapéu em João Paulo que enganou até Bruno Silva.

"O clube, o elenco inteiro me dá liberdade de ir para cima. De mostrar o que você sabe. Isso vai poder facilitar para todos também", ressaltou Pedrinho após o primeiro jogo em que realmente contribuiu nesses primeiros meses entre os adultos. "Temos que fazer grandes jogadas, mas com responsabilidade. Nada que possa prejudicar o time", comentou.

Os dribles, lances de irreverência e individualidade, encorajados pela comissão técnica, também se tornaram um clássico das redes sociais do Corinthians no ano (ver mais abaixo). São diversas postagens desde o começo da temporada, período em que ele desbancou jogadores mais velhos para cavar minutos dentro do time.

Por enquanto, Pedrinho foi titular três vezes, sempre no Paulista, e repetiu a 'mania' de propor lances mais ousados – porém, também mostrou que ainda precisava evoluir em alguns aspectos para rivalizar com os mais velhos. O principal ponto é físico: com melhores alimentação, suplementos e exercícios, elevou seu nível de força e ganhou peso.  

"Me sinto bem melhor para disputar jogadas", comparou com o começo do ano. "No corpo a corpo, eu ia receoso, tirava o pé, mas agora posso dividir, brigar pelas jogadas. No gol, se mostrou um pouco disso porque dei o tapa e briguei na frente. Ganhei mais de quatro quilos, ganhei mais resistência e pretendo melhorar mais e mais", explicou no domingo.

Carille e Osmar Loss apoiam evolução do jovem

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Nessa transição que deixa tantos jogadores jovens e promissores pelo caminho, Pedrinho conta com um aliado. O treinador que melhor o conhecia da base, Osmar Loss, virou auxiliar dos profissionais. "Isso me ajudou bastante. Nós que somos da base precisamos que as pessoas [ajudem]. Com a ajuda do Loss, eu fico mais confiante", contou.

O treinador Fábio Carille, por sua vez, apostou fichas no futuro de Pedrinho. Mesmo com mais experientes no banco, como Kazim, Giovanni Augusto e Clayton, ele apostou no menino da base.

"Ele tem muito talento, está trabalhando bem. Estamos fazendo um trabalho [físico] sim. Estamos vendo os jogos para colocá-lo. Em jogos de muito choque ainda não é para ele. É preparar, ter paciência. Eu trabalhei um ano com o Lulinha em 2009, e  ele tinha uma qualidade imensa que em 2007 foi atropelada e o moleque ficou queimado. Penso em tudo: nosso time está organizado e é mais fácil para o Pedrinho. Pode ter certeza que vai ser um grande jogador do futebol brasileiro".

 

 

 

 

 

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