Duelo de arenas no dérbi? Em termos de grana, vitória do Palmeiras

Danilo Lavieri e Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Jales Valquer/Fotoarena/Estadão Conteúdo

    Allianz e seu telão para jogo da Libertadores; estádio dá lucro anual para o Palmeiras

    Allianz e seu telão para jogo da Libertadores; estádio dá lucro anual para o Palmeiras

A disputa entre Palmeiras e Corinthians vai muito além das vitórias e derrotas em um jogo de futebol. É comum ouvir em rodas de torcedores a discussão: quem tem a melhor arena? Em termos esportivos, com um título brasileiro para cada e os dois lados felizes com sua "casa", dá para falar em um empate. No aspecto financeiro, no entanto, a briga tem um vencedor. E ele veste verde e branco. 

O Allianz Parque mostrou desde a sua inauguração ter um modelo financeiro mais sustentável do que a Arena Corinthians. Os dois estádios foram inaugurados em 2014, mas tiveram premissas diferentes para sair do papel. O principal aspecto que dá a vantagem ao Palmeiras é o financiamento da obra. A WTorre bancou os aproximados R$ 600 milhões em troca de poder explorar o local por 30 anos.

Durante este período de concessão, todo o dinheiro de bilheteria vai direto para os cofres da equipe, enquanto outras receitas provenientes de marketing, vendas de comida e bebida e a locação para shows são divididas e vão, em sua maioria, para a construtora. 

Sem Allianz na Libertadores, mas sem prejuízo 

Com o modelo, o Palmeiras se livra de assumir qualquer prejuízo nos eventos organizados e só participa das receitas. O preço a ser pago é de ficar, por vezes, sem a sua casa para poder atuar em determinados compromissos, uma vez que a WTorre tem prioridade na hora de escolher das datas em que fará evento. 

Caso avance às quartas de final da Libertadores, por exemplo, os palmeirenses não poderão atuar no Allianz Parque por causa de um festival de música. Isso aconteceu também nas quartas de final do Paulistão, diante do Novorizontino, e na partida contra o Grêmio, pelo Brasileirão, contando apenas as ocasiões de 2017.

Embora tenha o prejuízo esportivo, ao menos no aspecto financeiro, o Palmeiras tem mais uma clara vantagem: a construtora precisa bancar uma multa e ainda pagar o aluguel do estádio escolhido para mandar o jogo.

Ainda há alguns palmeirenses que reclamam bastante da construtora por algumas obras incompletas (como o museu e o restaurante panorâmico) e pela falta do símbolo do clube na fachada. Em Itaquera, o distintivo corintiano está presente na parte inferior do estádio. 

Arena Corinthians é "casa própria", mas dá dor de cabeça 

Ronny Santos/Folhapress
Arena Corinthians recebeu 107 partidas em pouco mais de três anos

A vantagem para o Corinthians está ligada à maior liberdade de gestão de sua casa. O Corinthians, ao contrário do Palmeiras, é o dono da agenda do estádio e não depende de outros eventos para poder atuar na arena. Em 2017, o time alvinegro mandou todos os 20 jogos como mandante no local. 

O problema é que as dívidas e as obras inconclusas atrapalharam os planos de ativação desenhados para o estádio. Hoje, inclusive, a Arena Corinthians não pode ser colocada como uma fonte de receitas para a sua equipe.

O que é arrecadado nos jogos do time vai direto para um fundo que paga as obras, que foram bancadas por um empréstimo do BNDES e da Odebrecht e ultrapassam a casa do bilhão de reais no valor corrigido.

A arena corintiana ainda foi citada na Lava Jato e não conseguiu vender os naming rights do espaço, que no planejamento inicial montado por Andrés Sanchez seria responsável por quase um terço do valor total da dívida. No ano passado, o Palmeiras estima ter recebido mais de R$ 100 milhões só em receitas do estádio. O Corinthians não divulgou o quanto teve de receita em 2016, mas de qualquer forma a verba está comprometida com o pagamento da dívida.

Corinthians leva vantagem no público. Palmeiras, na renda

Em pouco mais de três anos, o Corinthians disputou 107 partidas na Arena. O público pagante ultrapassa a marca de 3,3 milhões, com média de 31.103 torcedores por partida. O Palmeiras, por sua vez, atuou 82 vezes no Allianz Parque. A média por jogo é de 30.603 espectadores - total de 2,5 milhões de pessoas.

Na renda, o Palmeiras leva a melhor. A média de arrecadação por jogo é de R$ 2,09 milhões, contra R$ 1,84 milhão do Corinthians. O fato ocorre devido ao preço médio do ingresso. O clube alvinegro cobra, em média, R$ 59 - no Allianz, o valor chega a R$ 68.

Esportivamente, empate entre os times

A disputa de estádio fica bem mais equilibrada quando o dinheiro está fora da equação. Esportivamente, tanto corintianos quanto palmeirenses podem sorrir por suas novas casas, que já ambas foram essenciais na campanha dos títulos brasileiros de 2015 e 2016, respectivamente. O Palmeiras sagrou-se campeão da Copa do Brasil no local. O Corinthians, do Paulistão.

Na disputa direta, há equilíbrio. O Corinthians venceu dois jogos em Itaquera, assim como o Palmeiras - um duelo terminou empatado. No Allianz, foram disputadas três partidas. Cada time tem um triunfo (um confronto terminou 3 a 3).

O Palmeiras tem um trunfo na casa do rival: eliminou o Corinthians nos pênaltis no empate ocorrido em Itaquera, O time alvinegro, por sua vez, "batizou" a casa alviverde ao ver Danilo fazer 1 a 0 no primeiro clássico no Allianz.

 

Receba notícias pelo Facebook Messenger

Quer receber notícias de esporte de graça pelo Facebook Messenger?
Clique aqui e siga as instruções.

Veja também

UOL Cursos Online

Todos os cursos