Atlético-PR apresenta técnico Fabiano Soares como "ponte para a Europa"

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Reprodução/Twitter Atlético Paranaense

    Apresentado no Atlético, Soares trabalhava com jovens brasileiros no Estoril, entrada da Europa

    Apresentado no Atlético, Soares trabalhava com jovens brasileiros no Estoril, entrada da Europa

Fabiano Soares, ex-Estoril Praia, foi apresentado como novo técnico do Atlético Paranaense nesta terça-feira. O brasileiro naturalizado espanhol fez parte da comissão técnica que dirigiu o Estoril nas últimas 5 temporadas, conquistando um quarto e um quinto lugares na Liga Portuguesa, ao lado de Marco Silva, hoje no Watford. Foi oitavo na temporada passada.

Soares ainda não definiu se comanda o time contra o Cruzeiro nesta quarta (12), na Arena da Baixada. Ele depende da aparição de seu nome no BID. O ex-meia atleticano Kelly, ídolo do clube nos anos 90 e parte do corpo auxiliar de técnicos, poderá estar a frente da equipe.

O novo técnico fechou contrato com o Atlético ainda no domingo, quando, segundo a imprensa de Portugal, anunciou seu desligamento do Estoril. A demissão de Baptista e o pedido de saída de Autuori vieram na segunda, já com o elenco em Curitiba, após o empate em Chapecó, 1 a 1 com a Chapecoense. A decisão foi do presidente do Conselho Deliberativo, Mario Celso Petraglia.

Na apresentação de Soares, feita pelo presidente Luiz Sallim Emed, o novo técnico explicou o que o trouxe ao Furacão: "Eu sou um treinador de ideias muito claras, estou treinando uma equipe de ponta, muito grande. Em casa e fora teremos a mesma maneira de jogar, buscando o controle do jogo. É o que você vão ver, é um Atlético que vai jogar como a nossa torcida quer, com o controle do jogo, a posse de bola."

Reprodução/Portal Banda B
Fabiano Soares ao lado de Luiz Sallim Emed, na apresentação no Atlético

Gerido pelo grupo Traffic, o Estoril tinha em Fabiano Soares o homem que tocava o futebol do clube usando principalmente revelações do futebol brasileiro. Foi lá, na temporada passada, que o filho de Bebeto, Mattheus, se destacou e foi contratado pelo Sporting. O atual elenco do Estoril tem nada menos que 12 brasileiros. Foi de lá que o ex-atleticano Evandro Goebel partiu para o Hull City, da Inglaterra. O braço-direito de Petraglia, Mauro Holzmann, trabalhou na Traffic por três anos, durante o período em que o Atlético foi presidido por Marcos Malucelli, desafeto do atual presidente do Conselho Deliberativo.

Soares terá a missão de conduzir o time profissional do Atlético, mas também herdará algumas funções que estavam nas mãos de Paulo Autuori. O homem que pediu demissão após a saída de Eduardo Baptista do comando técnico à sua revelia tinha a missão de mudar diretrizes no futebol atleticano a pedido da diretoria do clube. Tanto que Mario Celso Petraglia ainda tem o desejo de convencer Autuori a voltar atrás em sua decisão. Soares encara a missão sem ressalvas - talvez 10%:

"A conversa que eu tive com eles bateu, é um casamento perfeito. As ideias batem, não digo 100%, mas 90%. Eles me contrataram por que sabem do meu potencial e eu sei do potencial do Atlético e dos jogadores", declarou o brasileiro, que como jogador defendeu o Compostela, da Espanha, estando em campo no antológico gol de Ronaldo pelo Barcelona há 20 anos, quando o Fenômeno driblou todo o time rival.

Antes de sair do Atlético, Autuori comentou ao UOL Esporte sobre o projeto que faz do clube uma ponte para a Europa, o mesmo que agora será tocado por Soares até que se ache uma peça que possa estar acima dele no organograma do clube. Conheça:

O Atlético está mudando seu estilo de jogo

A ideia é se aproximar do que se pratica na Europa, principalmente com posse de bola. Historicamente as equipes de futebol do Atlético praticaram um futebol de transição, "Defendendo bem e atacando com velocidade, foram assim os melhores momentos", definiu Autuori, que relatou que o clube pretende fazer com que seus times possam propor o jogo.

Autuori relatou que o processo é "uma mudança radical em relação a atitude de primeiro esperar para depois sair." Então no cargo, o ex-gerente defendia que um processo tem fases, para atingir de forma mais rápida a evolução e de forma mais palpável e previsível. Mesmo sem Autuori, a ideia seguirá viva em Curitiba, muito por conta do mercado europeu. Emed ressaltou na apresentação de Soares: "Ele vai chegar aqui e ter toda essa estrutura a sua disposição."

A fábrica de jogadores e a influência do mercado europeu na mudança do Atlético

O grande objetivo do Atlético é formar bons jogadores com duas ideias muito claras, a desportiva e a de mercado. "Desportiva é quando você vai aproveita-lo na própria equipe, que ele possa ajudar o clube a galgar novos postos. E mais tarde quiçá ser vendido. Mas há aqueles que não chegam a jogar na equipe e que por serem bem formados podem ir para outras equipes, principalmente as de fora", contou o ex-gerente do Atlético Paranaense.

É exatamente o perfil de jogadores que Fabiano Soares comandava no Estoril. Com essa aproximação, o Atlético espera que os europeus saibam que o que se faz no clube já é muito próximo do que se faz lá.

O Barcelona e a posse de bola, estilos que tomaram conta do gosto da maior parte do público europeu, é o guia da mudança. Autuori fazia a integração entre todas as categorias do clube, do Sub-15 ao profissional, também nas comissões técnicas. Soares chega, a princípio, para tocar o profissional, mas com a obrigação de utilizar a base atleticana.

O processo de contratação: Departamento de Inteligência do Futebol CAP

Autuori não contratava, Soares não contratará. Um dos pontos de ruptura de Eduardo Baptista com Petraglia – relatado na nota oficial de sua saída como "desacordo com as ideias do clube" – foi pedir reforços em público.

Autuori montou uma equipe de trabalho psicológico para avaliar e dar suporte às escolhas do DIF, o polêmico departamento de contratações do Atlético. O DIF monitora o mercado, monitora jogadores, especialmente tem uma ideia clara do modelo de jogo que o clube quer implementar. E tenta encaixar o perfil, o monitoramento que se faz é no Brasil e exterior de jogadores que já desenvolvem seu jogo dentro dessa ideia.

Nas palavras do ex-gerente, "São analistas que estão a par do nosso modelo de jogo. O grande problema na contratação é esse, você entender: o jogador interessa, tem características que estão dentro da ideia de jogo do clube, mas você não sabe qual o ser humano que vem. O processo frágil se torna uma contratação errada." Como pretende fabricar jogadores, mas reconhece que é impossível ter uma equipe de nível sem buscar reforços fora, o clube manterá essa equipe transdisciplinar implementada por Autuori, para trabalhar as peças que chegarem.

Walter, hoje no Atlético-GO, foi um dos que não se adaptou ao sistema de trabalho do Atlético; Felipe Gedoz, que recentemente esteve afastado, ganhou uma segunda chance após passar pela avaliação desta equipe do clube.

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