No dérbi Cuca x Carille, Jô tem preferido entre técnicos marcantes para ele

Dassler Marques*

Do UOL, em São Paulo

  • Marcello Zambrana/AGIF

    Jô marca mais um pelo Corinthians: história com Cuca e Carille

    Jô marca mais um pelo Corinthians: história com Cuca e Carille

Mais que um duelo de treinadores com personalidades distintas, o Palmeiras x Corinthians desta quarta-feira irá opor comandantes com ideias de jogo absolutamente opostas. Entre as equipes de Cuca e Fábio Carille, que se enfrentam às 21h45 (de Brasília) no Allianz Parque, dificilmente alguém conhece tão bem essas propostas quanto o centroavante corintiano Jô - recentemente, em entrevista ao UOL Esporte, ele revelou predileção maior pelo conceito de jogo de Carille. 

Mas foi sob o comando de Cuca, no Atlético-MG, em duas temporadas (2012 e 2013), que Jô conquistou títulos importantes, alcançou a Copa do Mundo e marcou sua volta por cima no futebol. Ainda assim, é sob o comando de Fábio Carille, no Corinthians de 2017, que o centroavante se tornou o verdadeiro protagonista de uma grande equipe brasileira, o que reforça no início da Série A com disputa pela artilharia e gols importantes.

Se Carille se autointitula um seguidor das ideias de Tite, foi o próprio treinador da seleção brasileira, em seu último jogo pelo Corinthians, justamente no Allianz Parque, que apontou o que há de distinto com Cuca. "São ideias de futebol diferentes. Uma ideia (de Tite e Carille) procurando triangulações. O Palmeiras com transições diretas e em cima da velocidade do um contra um forte que eles têm", disse. Algo que vai muito além da breve descrição do técnico e passa pelo sistema de marcação - individual palmeirense, por zona corintiano. 

Jô se tornou crucial no time de Cuca, fundamental na vida dele

JULIANA FLISTER/AGÊNCIA I7/ESTADÃO CONTEÚDO
Jô com Ronaldinho: fundamental para o Atlético de Cuca

Cuca é o principal responsável por Jô, em baixa na temporada 2012, ter parado no Atlético-MG. O atacante tinha tratativas com o Botafogo naquele momento, mas parou no Galo e foi anunciado pelo próprio treinador, de surpresa, no início daquele Brasileirão. Em só duas rodadas, ganhou a posição de André, fez crescer o entrosamento com Ronaldinho e logo virou uma peça-chave.

Na saída pelo chão com os defensores, nos laterais batidos, principalmente por Marcos Rocha, e eventualmente nos escanteios, a bola tinha sempre um destino: a cabeça de Jô, que tinha alto índice nesse fundamento e era quem, na maioria das vezes, vencia as disputas para que Ronaldinho, Bernard e Diego Tardelli construíssem as jogadas. O próprio Jô contou uma história interessante em depoimento ao UOL Esporte.

"Naquele time do Atlético [MG], a gente deu certo no começo e foi até o fim assim. O Cuca até brincava na preleção e perguntava quantas primeiras bolas eu ia ganhar pelo alto. Tinha média de 10 ou 12 por jogo. Tardelli, Bernard sabiam que eu ia ganhar e deu certo", comentou Jô. 

Seu Dario, pai do atacante e figura mais presente na carreira do filho, lembra de tudo em detalhes. "O Cuca foi quem assinou embaixo na contratação com o Kalil [presidente], então não tem o que falar dele. O Jô deve muito para ele também, pela oportunidade que teve. Ele chamou o Jô para conversar e disse que ele tinha tudo para se sair bem, porque futebol ele tinha", recoda.

"O Cuca colocou na cabeça dele que tinha de ganhar essas bolas pelo alto, e de cinco ou seis ele ganha quatro. Vai ser um encontro bonito com o Cuca e o Cuquinha [auxiliar e irmão do técnico palmeirense]", diz ainda seu Dario.  

Carille é um dos que melhor explorou o potencial de Jô. E ele reconhece

Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

Os primeiros meses de Jô com Fábio Carille não foram lá muito diferentes. Ainda em formação, com prioridade ao aspecto defensivo em relação à construção de um jogo mais elaborado, o Corinthians encontrava na eficiência dele pelo alto um caminho interessante para que a bola saísse da defesa direto para o ataque. O gol de Rodriguinho na decisão do Campeonato Paulista, que começa justamente por uma vitória pessoal de Jô na jogada aérea, é um exemplo claro. 

Aos poucos, porém, o Corinthians alternou seu jogo para um futebol mais fluído, em que a bola se concentra no pé dos jogadores e não nas chamadas 'ligações diretas'. A maior prova dessa filosofia está no ranking de passes do Campeonato Brasileiro, onde a equipe de Fábio Carille ocupa o primeiro lugar, o que coincide com a mudança no papel de Jô no time. Ainda uma arma utilizada pelo alto, mas cada vez mais fora da área para participar do jogo de passes e dar alternativas.  

"Hoje, com Fábio, o estilo é muito diferente", compara Jô em relação a Cuca. "Sei jogar com os pés, não sou aquele cara tão burro, consigo jogar, me adaptei bem no estilo de tabelas rápidas, triangulações. São estilos. Gosto dos dois treinadores. O Cuca me ajudou muito, me acolheu na época que mais precisava, me fez voltar ao cenário mundial, Fábio me ajudou a retomar de novo, como homem. São dois estilos, gostei muito do Cuca, adorei e amo jogar aqui nesse modelo do Fábio", assume. 

A média de Jô no Corinthians é melhor que todos os anos do Atlético

A volta de Jô ao Corinthians ainda depende de grandes títulos para ser equiparada ao que ele construiu no Atlético-MG, com conquista de Copa do Brasil e principalmente Copa Libertadores - foi titular, destaque e anotou gol na final com o Olimpia-PAR. Mas ao menos numericamente, em efetividade, já tem sido um centroavante com melhor média de gols. Confira os números abaixo. 

2012 (Atlético) – 29 jogos e 10 gols – média 0,34
2013 (Atlético) – 52 jogos e 19 gols – média 0,36
2014 (Atlético) – 37 jogos e 8 gols – média 0,21
2015 (Atlético) – 9 jogos e 2 gols – média 0,22
2017 (Corinthians) – 33 jogos e 14 gols – média 0,42

FICHA TÉCNICA

PALMEIRAS x CORINTHIANS

Data: 12 de julho de 2017, quarta-feira
Horário: 21h45 (de Brasília)
Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Competição: Campeonato Brasileiro (13ª rodada)
Árbitro: Leandro Vuaden (CBF-RS)
Auxiliares: Jose Eduardo Calza e Mauricio Coelho Silva Penna (ambos RS)

PALMEIRAS: Fernando Prass; Mayke (Bruno Henrique), Yerry Mina, Luan e Egídio (Juninho); Thiago Santos, Tchê Tchê e Alejandro Guerra; Roger Guedes, Willian e Dudu. Treinador: Cuca.

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Balbuena, Pablo e Guilherme Arana; Gabriel e Maycon, Jadson, Rodriguinho e Romero; Jô. Treinador: Fábio Carille

* Colaborou: Victor Martins, do UOL em Belo Horizonte

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