Dorival muda figurino, tem recepção calorosa, mas sofre na estreia pelo SP

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo (SP)

Paletó, camisa social e a música Hells Bells, da banda AC/DC, ecoando pelo Morumbi. O técnico do São Paulo entrou em campo saudado pela torcida, preocupada com um time que sofre na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro. Dorival Júnior estreou pelo Tricolor na noite desta quinta-feira ainda com resquícios da era Rogério Ceni e viu a falta de confiança mais uma vez derrubar o clube paulista. O empate em 2 a 2 com o Atlético-GO até fez o time subir para antepenúltimo, mas manteve o pesadelo e a pressão pela chance de queda.

A ocasião especial, a estreia pelo São Paulo, fez Dorival Júnior abandonar o figurino que o caracterizou nos últimos anos. O treinador estava sempre vestido com a calça de agasalho e uma camiseta de comissão técnica de seus times, como Palmeiras e Santos. Desta vez, apareceu de sapato, jeans, camisa e paletó. Um mero detalhe para o tamanho do problema a ser resolvido.

No primeiro tempo, ficou praticamente plantado no ponto mais próximo da área técnica com a linha do meio de campo. Era como se ajudasse o time a se impor contra a retranca atleticana. Eram 11 jogadores atrás da linha da bola, congestionando a meta do goleiro Felipe. Foram poucas as vezes em que os laterais fizeram o que fora ensaiado dois antes, fechando para o meio para que os pontas passassem pelos lados. E, assim, Dorival sofreu com a falta de produtividade.

Após o intervalo, porém, o técnico já viu alguns de seus planos funcionarem. Júnior e Buffarini criaram ótimas chances ao tabelarem com volantes e meias, receberem na linha de fundo nas costas dos laterais rivais e mandarem rasteiro para a área. Dorival também havia cobrado que os atletas treinassem faltas. E assim Cueva acertou a trave e o placar foi inaugurado no rebote por Petros.

Vibração discreta e abraço caloroso do filho e auxiliar Lucas Silvestre. Em seguida, para não deixar o time perder a boa dinâmica do segundo tempo, chamou Lucas Fernandes e levantou a torcida, que já havia festejado o nome do técnico quando as escalações foram anunciadas antes da partida. A festa no Morumbi foi silenciada enquanto Dorival orientava o meia. Niltinho pegou rebote e empatou.

A tensão que trouxe vaias para Wellington Nem e Cueva ao serem substituídos deixou o treinador inquieto. Passos curtos, olhos vidrados no campo. Nova explosão da torcida, dos reservas, dos auxiliares. Dorival ficou alheio a tudo. Gritava desesperado para organizar a defesa após o golaço de Marcinho, sua aposta para o segundo tempo. De novo, sem tempo para alegrias, o jogo estava empatado. A falta de atenção e de confiança que custou 14 dos 16 gols sofridos pelo São Paulo no Brasileirão.

Dorival tem a pressão, o tempo e a insegurança dos jogadores como obstáculos. A torcida tem cada vez menos paciência. Vida de técnico.

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