Sem dinheiro, com convicção: Flu e Corinthians fazem jogo duro no mercado

Dassler Marques e Leo Burlá

Do UOL, em São Paulo e no Rio de Janeiro

  • Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

    Scarpa enfrenta Arana: Fluminense e Corinthians não querem vender por pouco

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Há credores na porta das Laranjeiras e do Parque São Jorge. Mas, se eles esperam que Fluminense e Corinthians vendam seus melhores jogadores a qualquer preço, pelo menos nesta janela de transferências, possivelmente vão se decepcionar. Rivais deste domingo, às 16h, no Maracanã, os dois clubes possuem alguns dos atletas mais valorizados do futebol brasileiro no momento, mas em comum está o jogo duro diante dos europeus. 

O Fluminense, por exemplo, vem endurecendo com os interessados em alguns de seus principais jogadores. Nome mais badalado no momento, Richarlison quase foi para o Palmeiras, mas o Flu, ainda que com atrasos salariais, não fez negócio com o rival. Agora o Tricolor lida com o assédio do Ajax, da Holanda, mas não pretende deixar barato: ao menos R$ 50 milhões são necessários para tirar o atacante das Laranjeiras.

Com Wendel a lógica é parecida. Chegou ao clube uma proposta do Porto pelo jogador, mas a mesma foi considerada irrisória. Por menos de R$ 55 milhões o Flu nem abre conversa, algo que já foi garantido publicamente por Fernando Veiga, vice de futebol. A expectativa no clube é que o jogador se valorize ainda mais atuando até o final deste Brasileiro.

Resistente ao assédio e com pouca grana para investir, o Flu faz movimentos tímidos no mercado. Desde que o presidente Pedro Abad assumiu, apenas os laterais Lucas e Marlon foram contratados. E o recado é claro: o clube só vai contratar se não tiver condição de repor as perdas com os jogadores da base tricolor.

Apesar da resistência, dinheiro é artigo raro no clube. Com atraso nos salários e premiações dos jogadores, o Flu tem convivido com uma insatisfação que tem, em grande parte, sido contornada por Abel Braga.  No orçamento aprovado pelo Conselho Deliberativo, o clube estima faturar ao menos R$ 34 milhões com negociações de atletas.

Corinthians pensa em título e recusa todas ofertas por titulares e reservas

Andre Yanckous/AGIF
Malcom, no ano passado: vendido por 5 milhões de euros

A situação tricolor não é lá muito diferente em relação ao Corinthians. Nos últimos meses, o clube sofreu com processos movidos por outras equipes e empresários para os quais tinha - e em alguns casos ainda tem - valores em aberto. Essas dívidas também ocorrem dentro do próprio elenco: pelo volante Gabriel, o clube deve seis meses referentes à compra, luvas e comissionamento. Mas o pensamento da direção está firme: brigar pelo título nacional. 

Em seus últimos meses de administração, o presidente Roberto de Andrade administra as dificuldades como pode, se comunica com alguns dos credores e, enquanto isso, rejeita ofertas. A situação se tornou ainda mais difícil há pouco mais de três meses, com o encerramento do contrato de patrocínio máster com a Caixa Econômica Federal. Sem a segunda principal fonte de renda, o Corinthians ainda não conseguiu um novo parceiro para estampar o uniforme. 

Por enquanto, o único jogador negociado sequer figurava no banco de reservas. Pelo garoto Léo Jabá, de 18 anos, o Akhmat Grozny-RUS pagará 2 milhões de euros (cerca de R$ 7,5 milhões) à vista ao Corinthians, que detinha 75% dos direitos econômicos do atacante formado em sua base. Não há indícios, até o momento, de que outros possam ser vendidos. 

Se em janeiro fez jogo duro diante da investida do Fenerbahce-TUR por Rodriguinho, o Corinthians mantém essa postura no meio do ano. O Genoa-ITA ofereceu 3 milhões de euros pelo zagueiro Balbuena, quantia considerada muito baixa pelo clube. O Bordeaux topou pagar 9 milhões de euros por Guilherme Arana, e ainda ceder Pablo em definitivo. A resposta? Não. O CSKA Moscou-RUS indicou que pagaria 15 milhões pelo mesmo Arana, e o clube também negou. Na quinta, o São Paulo, por meio de empresários, acenou que pagaria 1,5 milhão de euros por Walter. E o Corinthians nem quis ouvir.  

Com o time valorizado, o presidente corintiano Roberto de Andrade mostra que é possível mudar uma conduta frequente de outros tempos de sua administração, assim como de Mário Gobbi e Andrés Sanchez. Quase sempre que um jogador e seus representantes solicitavam transferências, diante de ofertas consideradas razoáveis, a direção concordava e repetia que "não se pode manter um atleta insatisfeito".

Foi assim, por exemplo, no início do ano passado, quando o Corinthians vendeu o titular e promissor Malcom, ao Bordeaux, por 5 milhões de euros. Ou quando contrariou a opinião popular e negociou o garoto Matheus Cassini por 1,5 milhão de euros ao Palermo. E até mesmo no último Brasileirão, quando brigava no topo da tabela e vendeu Bruno Henrique ao mesmo Palermo por 3 milhões de euros em troca de uma pequena porcentagem.  

Ao que parece, pelo menos nesse aspecto, são novos tempos no Parque São Jorge. 

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