Jô revê o Atlético: como Corinthians construiu seu maior goleador da década

Dassler Marques

Do UOL, em São Paulo

  • Ale Cabral/AGIF

    Jô tem 17 gols marcados nos primeiros sete meses do ano pelo Corinthians

    Jô tem 17 gols marcados nos primeiros sete meses do ano pelo Corinthians

O momento inspira preocupações, com desfalques e dúvidas para Fábio Carille montar a equipe. Mas, no líder Corinthians que visita o Atlético-MG nesta quarta-feira, há uma convicção inabalável: o desempenho de Jô, principal nome da temporada e com a maior eficácia entre todos os jogadores do clube nesta década.

Em sete meses de temporada, nenhum outro corintiano desde 2010 conseguiu fazer tantos gols quanto Jô, que ao balançar as redes do Flamengo alcançou 17 neste ano. As chances de superar Guerrero e Liedson em uma temporada cheia estão totalmente abertas para ele (ver tabela abaixo). 

No mesmo Mineirão onde marcou na final da Copa Libertadores de 2013 pelo Atlético, Jô se apresenta como principal arma, justamente, do rival Corinthians. Com a possibilidade de, mais uma vez, confirmar o trabalho que permitiu alcançar números tão expressivos com Carille a partir de cinco diferentes aspectos.

Tático: também rende fora da área

Com o decorrer da temporada, Jô cresceu no aspecto tático de forma considerável. Aliado a um maior conhecimento por parte da comissão técnica, o plano para ele foi adaptado para que fosse um centroavante além do homem que raramente perde as disputas pelo alto contra os zagueiros. 

Embora essa seja uma arma bastante explorada pelo time de Fábio Carille, o Corinthians também entendeu que Jô pode criar em outras zonas do campo. Nos últimos meses, conseguiu assistências fora da área [na final do Paulistão, contra a Ponte Preta, para gol de Rodriguinho], pelas pontas [gol de Clayton, contra o Vasco] e até encontrou uma alternativa de jogo para o treinador.

Se no princípio de 2017 Carille pensava em Jô como opção para as pontas, o que se mostrou ineficaz quando testado, há outra função que agrada o técnico. Atrás do centroavante, justamente na função de Rodriguinho, ele oferece força na bola aérea contra os volantes e também dá opções de jogo aos colegas. Foi o expediente tentado pelo Corinthians nos minutos finais de jogo com o Avaí, quando o goleiro Douglas segurou o empate para os mandantes. 

Liderança: o principal capitão

Embora Fábio Carille promova um rodízio de capitães, um número após 17 rodadas mostra que Jô se destaca nesse aspecto. Ele é o líder de partidas com a braçadeira no Campeonato Brasileiro: quatro, sendo a última no domingo passado frente ao Flamengo. Fágner, Cássio, Rodriguinho e Jadson, com três jogos cada, vêm na sequência desse ranking interno. 

A naturalidade com a função de capitão, bons discursos de vestiário e serenidade em situações difíceis, como pênaltis perdidos nesse ano, deixaram Jô em destaque entre os líderes do grupo. A ponto de Carille, em alguns momentos, pedir o auxílio dele para comunicações com o elenco. Um exemplo foi o pedido para que ajudasse a colocar freios no entusiasmo dos mais jovens, sobre os quais o centroavante criado no clube possui grande ascendência.  

Físico: força, equilíbrio e 32 km/h 

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Jô em seu primeiro dia de trabalho no Corinthians em novembro

Depois de se apresentar ao Corinthians no início de novembro, antes mesmo das férias de fim de ano, Jô trabalhou de forma incansável para melhorar seus níveis. Não apenas para perder peso, mas para trabalhar dois aspectos fundamentais: elevar a força e a agilidade por meio de trabalhos específicos elaborados pelo preparador Walmir Cruz.

Em entrevista ao UOL, Walmir explicou aquele que é, porém, o ponto forte de Jô: a velocidade. Centroavante de passadas largas e fibras brancas em abundância, o que resume atletas mais rápidos, ele tem alcançado picos de 33 km/h. Isso se mostra decisivo em alguns gols no Campeonato Brasileiro: contra o Vasco, em São Januário, contra o Flamengo, no último fim de semana, e ainda diante do São Paulo, marcado por Gabriel após arrancada do camisa 7.

Técnico: a perna direita faz gols

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Jô bate com a perna direita: cinco gols com a perna 'ruim'

Interligado a boa parte dos demais fatores, o crescimento técnico de Jô para ficar próximo dos melhores momentos de sua carreira é considerável.

Embora não seja algo que possa ser medido objetivamente, é algo confirmado por Fábio Carille ou pelo próprio atacante, que se vê muito próximo de uma nova chance na seleção brasileira, conforme declarou ao UOL Esporte

Um item dentro disso tudo chama atenção e é reflexo de trabalho. Canhoto, Jô conseguiu fazer cinco gols com o pé direito na atual temporada. Embora seja a metade dos 10 gols anotados com a esquerda, refletem um aspecto que tem sido trabalho pelo atacante em conjunto com a comissão técnica. 

Pessoal: religião e alimentação 

Nada disso seria possível não fosse a já bastante comentada mudança pessoal do centroavante nos últimos meses. Em momento caseiro e próximo da família, Jô se tornou frequentador assíduo de uma igreja evangélica e também transformou sua alimentação de maneira radical. 

Hoje, além de seguir à risca o cardápio elaborado pela nutricionista do Corinthians, Jô conta com uma pessoa dedicada exclusivamente a elaborar suas refeições quando está em casa. Um cuidado fundamental: ele não consome mais bebidas alcoólicas. 

Os números dos goleadores do Corinthians em cada temporada*:

2010: Bruno César (14 gols)
2011: Liedson (23 gols - até julho, tinha 16)
2012: Paulinho (13 gols)
2013: Guerrero (18 gols - até julho, tinha 13)
2014: Guerrero (16 gols)
2015: Vagner Love e Jadson (16 gols)
2016: Romero (13 gols)
2017: Jô (17 gols até julho)

* Apenas jogos oficiais

FICHA TÉCNICA

ATLÉTICO-MG x CORINTHIANS

Data: 02 de agosto de 2017, quarta-feira
Horário: 21h (de Brasília)
Competição: Campeonato Brasileiro (18ª rodada)
Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Árbitro: Anderson Daronco (Fifa/RS)
Assistentes: Rafael da Silva Alves e Elio Nepomuceno de Andrade Júnior (ambos CBF/RS)

ATLÉTICO-MG: Victor, Marcos Rocha, Leonardo Silva e Fábio Santos; Rafael Carioca e Elias; Luan, Cazares e Gustavo Blanco; Rafael Moura. Treinador: Rogério Micale

CORINTHIANS: Cássio; Fagner, Pedro Henrique, Balbuena e Guilherme Arana (Moisés); Gabriel e Maycon (Giovanni Augusto); Camacho, Rodriguinho e Clayson; Jô. Treinador: Fábio Carille

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