Qual é o melhor? Chefes dissecam 'rivais' Vanderlei e Cássio antes de duelo

Dassler Marques e Samir Carvalho

Do UOL, em São Paulo e em Santos

  • Arte UOL

    Eles lutam pela Copa do Mundo, mas antes se encontram na Vila Belmiro

    Eles lutam pela Copa do Mundo, mas antes se encontram na Vila Belmiro

Pouco antes da convocação da seleção brasileira para a última data Fifa, a agenda do preparador Taffarel se dividiu entre a Vila Belmiro, o CT Rei Pelé, a Arena Corinthians e o CT Joaquim Grava. A rotina do herói do tetracampeonato mundial revelaria qual a dúvida de Tite e dele próprio: Cássio ou Vanderlei? Quem deveria ser convocado?

O clássico Santos x Corinthians no próximo domingo coloca os dois goleiros em evidência: Vanderlei, que para grande parte dos santistas e também da imprensa, foi injustiçado com a ausência; e Cássio, agraciado por Tite com a oportunidade de trabalhar novamente sob seu comando e frequentar o banco nos jogos com Colômbia e Equador. O tira-teima entre eles fica para a Vila Belmiro, embora sejam fortes os indícios de que o santista será chamado em breve.

Para apresentar os dois goleiros de maior destaque no futebol brasileiro atualmente, o UOL Esporte recorreu àqueles que são seus mentores, melhor os conhecem e ajudaram para que Cássio, aos 30 anos, e Vanderlei, com 33, vivam as melhores temporadas da carreira.   

Preparador do Santos desde 2001, Arzul explica Vanderlei 

Ivan Storti/Santos FC
Vanderlei e o preparador de goleiros Arzul

Se quer fazer gol em Vanderlei, não chute por baixo

A capacidade dele de assimilar o que é passado é imediata. Ele tem uma resposta muito grande em termos da bola rasteira, uma das coisas que tem de melhor por ter uma estatura bem elevada. Ele possui 1,93 m e é muito rápido no chão. Claro que, às vezes, a bola passa por ser muito rápida hoje em dia, e tem a questão do gramado molhado e a potência do chute adversário, mas nos tiros de média distância ele dificilmente toma o gol. Efetua muito bem essas defesas. 

Santos trabalha Vanderlei com parâmetro em Neuer

Tem feito bastante trabalho com os pés. O Neuer, que é em quem nos espelhamos em termos de jogar com os pés, tira 33 a 34 ações por partida. O Vanderlei, quando chegou, fazia oito ou nove ações, mas hoje já está próximo de 30 a 32 por partida, e isso está sendo bastante interessante. (...) Não tinha muito esse trabalho, então ele cresceu acostumado só com o trabalho de mãos. Quando chegou aqui, ele tinha um pouco de deficiência no domínio, e para ter um bom passe é preciso ter um bom domínio. Então nós fizemos, todos os dias, domínio e velocidade de raciocínio durante o aquecimento. 

Saída do gol: Vanderlei é acima da média

As saídas do gol em cruzamentos dificilmente ele soca, só quando há um congestionamento. Quando é alçada, ele já vai definido para segurar e fazer a reposição. Sempre digo que dividimos responsabilidades, tanto do setor quanto do goleiro, mas principalmente para o goleiro. E essa capacidade de saída do gol é fantástica. Por ele ser alto, ajuda muito na percepção do movimento, e analisamos bastante também os que batem as bolas paradas e em andamento. Então não é que ele é adivinho, mas dá um ou dois passos na frente para sair já deslocando e fazer a pegada. 

No um contra um, esperar, esperar e esperar

Precisa esperar a batida do atacante até o último momento. O Vanderlei espera bastante, é parecido com o Cássio, que tem uma vantagem por ser mais alto e esperar por mais tempo. O Vanderlei é mais rápido e ataca o agressor. Tem alguns goleiros que ficam de posição, quase de cócoras. Alguns atacam mais, e outros usam o método do futsal, de estender a perna direita. Tem esses três métodos, e o que aconselho é de esperar o máximo, esse é o caminho que tem mais sucesso. O Coutinho [parceiro do Pelé] fazia muito isso: esperava o goleiro dar um passo e batia no pé de apoio dele, na perna que está atrás. As duas pernas precisam estar paralelas e esperar o momento do toque para atacar a bola.

E o Cássio, Arzul?

Observamos bem. Todos observamos os defeitos e os caminhos corretos, e o Cássio é quase completo: pela estatura dele, é um cara largo e consegue ser rápido. Uma das coisas que acho legal é que o posicionamento dele é diferente dos outros, que procuram estar dois, três passos à frente. É um goleiro fantástico.

* Arzul atuou por dez anos na base e foi promovido aos profissionais por Muricy Ramalho, em 2011

Preparador do Corinthians desde 2008, Mauri explica Cássio

Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians
Mauri Lima, preparador corintiano, ajuda Cássio em treinamento

Evolução depois da consagração? É possível

Esse ano está sendo bem diferente de todos os outros. Ele chegou com o peso abaixo e trabalha no limite. Nós o condicionamos e ele, por si próprio, faz a parte dele no extracampo, se corrigindo a cada dia. Temos mantido uma regularidade nesse ano acima do normal. É melhor que todos os anos de Libertadores, Brasileiro e Mundial. É fantástico em relação à parte técnica do que pensamos que o goleiro pode ter.

Tamanho dificulta para Cássio usar os pés. Mas ele cresce

Tivemos uma melhora grande. A dificuldade no início era nítida. Há a dificuldade por ser um goleiro grande e fazer a mudança de direção e a coordenação disso. O cara mais baixo tem facilidade. Se o jogo oferece a oportunidade para o trabalho com os pés, ele está fazendo. Se vai ter perigo de tomar um gol por trabalho com os pés, é melhor tirar a responsabilidade. Temos tido um ganho na reposição, em baixo e em cima, de acerto no jogador que queremos [lançar]. Tem de acertar dentro de uma referência que colocamos de um metro para cada lado do alvo.

Se sai do gol, é para resolver

Desde janeiro, não me lembro de errar alguma saída de gol. Acredito que houve um gol que erramos, no Paulista, mas vejo um crescimento muito grande nisso. Estando dentro do peso, com uma condição boa de pernas e com agilidade maior, ele chega mais fácil. Tem confiança e sabe que vai chegar. Como ele é um goleiro alto, se [os rivais] baterem fechado [cruzamento em direção à pequena área] é dele. Os batedores estão tirando mais [cruzam mais aberto]. O goleiro tem de sair na bola que é dele. Não pode arriscar o gol aberto.

No um contra um, esperar, esperar e esperar também

O goleiro preparado e concentrado nas cobranças do dia a dia, vai ter facilidade de executar [o treinado]. Cobramos no dia a dia: 'não se atira, não se joga, espera'. Se sai na bola em diagonal caindo, o cara tira [rival chuta] por cima. Há gols que eles veem dos outros goleiros e comentamos: 'se tivesse ficado parado, a bola bateria'. Sempre é esperar com os dois pés no chão. Como ele é rápido e tem envergadura fantástica, a chance da defesa existe. O mundo está caindo, mas espera. 

E o Vanderlei, Mauri?

Merece muito destaque. Mantém um nível altíssimo, é muito concentrado no que está fazendo e tem um grande treinador de goleiros. É merecedor de tudo, assim como o Cássio. Às vezes existe uma distância entre um time e o outro na cobrança dos goleiros. No nosso time, às vezes chegam 3 ou 4 bolas, e no time dele chegam sete ou oito. Ele faz a defesa e vai se destacar mais. Então tem de estar pronto para isso. Às vezes, são só três bolas, mas são de jogo, que vão fazer a diferença.

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