Campanha do Corinthians repete traços do primeiro título de Tite no clube

Diego Salgado

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians e Juca Varella/Folhapress

    Instabilidade e queda de rendimento marcam campanhas corintianas em 2017 e 2011

    Instabilidade e queda de rendimento marcam campanhas corintianas em 2017 e 2011

Começo avassalador, larga vantagem sobre os rivais e queda abrupta no rendimento do time. Esse cenário não é novo para o Corinthians de Fábio Carille, líder do Campeonato Brasileiro. Em 2011, ano da primeira conquista de Tite no clube, a trajetória alvinegra até o título brasileiro acabou marcada justamente por essas características. 

Ao fim das 38 rodadas, com direito a muito sofrimento e disputa intensa com Vasco e Fluminense, o Corinthians de Tite conseguiu garantir o troféu nacional que já parecia bem encaminhado logo nas primeiras dez rodadas da competição, tal qual ocorreu com a equipe de Carille.

As semelhanças já são registradas nas arrancadas corintianas no começo do campeonato. Em 2011, o Corinthians conquistou 28 pontos em 30 possíveis e abriu uma vantagem de sete pontos sobre o vice-líder São Paulo. Àquela altura, a equipe alvinegra estava 11 pontos à frente do Vasco, time que lutou pelo título até a última rodada.

A instabilidade corintiana com Tite no comando começou na segunda metade do primeiro turno. Em nove jogos, a queda de rendimento fez o futuro campeão conquistar apenas nove pontos, com aproveitamento de 33% - antes, a equipe havia garantido 93% dos pontos.

O mesmo fantasma voltou a assombrar o clube atual temporada, mas dessa vez um pouco mais tarde. No primeiro turno do Brasileirão, o Corinthians somou 47 pontos, com aproveitamento de 82%. No começo do returno, porém, o desempenho caiu vertiginosamente. Em sete partidas, o líder conquistou apenas oito pontos - 38% do total. Esse roteiro, inclusive, já fez Carille, auxiliar de Tite, mencionar a campanha de 2011.

Daniel Vorley/AGIF
Corinthians tem três derrotas no returno

Desfalques nos times

Assim como ocorreu com Carille, Tite também sofreu com as baixas na equipe. Durante a campanha, o atacante Liedson passou por uma artroscopia no joelho, forçando o treinador a escalar um time sem centroavante, com Alex ou Danilo como falso nove.

O goleiro titular, Júlio César, chegou a ficar fora de cinco jogos. Renan, o substituto imediato, falhou em duas partidas em que o time acabou derrotado. Na linha defensiva, mais problemas: duas lesões do lateral esquerdo Fábio Santos fizeram Tite escalar até Leandro Castán no clássico com o São Paulo.

O duelo no Morumbi válido pela 25ª rodada marcou ainda o afastamento de Chicão do time. O capitão deu lugar a Paulo André, virou reserva e viu Alessandro assumir a faixa. Naquela oportunidade, Tite ganhou sobrevida no comando técnico após um empate por 0 a 0 - no jogo seguinte, uma vitória apertada por 1 a 0 sobre o Bahia começou a afastar a crise. 

Neste ano, Carille convive com problemas físicos desde o fim do primeiro turno. O zagueiro Pablo e o meia Jadson, por exemplo, ficaram mais de um mês parados. Guilherme Arana, por sua vez, desfalcou o líder em três confrontos. O artilheiro Jô ficou fora da última partida, marcada pelo empate com o Cruzeiro no Mineirão.

Em 2011, rivais colaram no Corinthians

Ao contrário do que acontece esse ano, os adversários pressionaram o Corinthians de forma mais contundente. Ao fim do primeiro turno, por exemplo, o Flamengo estava a um ponto do líder, com São Paulo e Vasco logo atrás.

No segundo turno, o Corinthians de Tite chegou a cair para a terceira posição depois de uma derrota por 3 a 1 para o Santos em pleno Pacaembu. Com 43 pontos, o time foi superado pelo São Paulo (44) e Vasco (45). Três jogos depois, o Corinthians voltou à ponta após um triunfo sobre o Atlético-GO em casa.

Arrancada no fim garantiu o título

Almeida Rocha/Folhapress
Tite orienta jogadores corintianos em 2011: começo avassalador e queda abrupta

Pressionado no cargo, Tite conquistou a primeira taça pelo Corinthians depois de uma série de vitórias na reta final do Brasileirão. Depois de perder novamente a liderança para o Vasco na 31ª rodada, o time alvinegro conseguiu vencer quatro jogos seguidos, contra Atlético-PR, Ceará, Atlético-MG e Figueirense.

Se vencer o Brasileirão 2017, Carille garantirá o segundo título como treinador corintiano. Em maio, o treinador levou o time à conquista do Campeonato Paulista - em 2011, Tite parou no Santos na final e ficou com o vice.

Embora tenha apenas a 15ª campanha no segundo turno, o Corinthians contou com os tropeços dos rivais para manter os mesmos oito pontos de vantagem sobre o segundo colocado abertos no fim do turno inicial. Naquela oportunidade, o Grêmio era o vice-líder, condição santista atualmente.

Com 55 pontos, o Corinthians de Carille recebe o Coritiba nesta quarta-feira à noite, em Itaquera, sem a presença de Fagner, Romero e Gabriel, todos suspensos. Balbuena, que serve a seleção paraguaia, e Jô, que se recuperou de lesão muscular, são dúvidas. Os jogos seguintes do líder serão diante de Bahia, no domingo, em Salvador, e o Grêmio, três dias depois, em São Paulo.

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