"Carille é o craque de um time sem craques". Blogueiros analisam campanha

Do UOL, em Santos (SP)

  • Alexandre Schneider/Getty Images

    Jô soma 16 gols e é um dos destaques do Corinthians no Brasileiro

    Jô soma 16 gols e é um dos destaques do Corinthians no Brasileiro

A rodada que se inicia nesta quarta-feira (15), a 35ª do Campeonato Brasileiro, pode sagrar o Corinthians, com três rodadas de antecedência, como campeão nacional pela sétima vez. Para que isso aconteça, basta o time comandado por Fábio Carille fazer a sua parte contra o Fluminense, às 21h45, ou ainda o Grêmio ser derrotado pelo São Paulo em Porto Alegre, às 19h30 – neste caso, o Corinthians já entraria na Arena de Itaquera com o título garantido. Mas o que fez o já 'quase campeão' Corinthians chegar a este ponto da competição com essa superioridade em relação aos adversários?

Para responder essa e outras perguntas sobre a campanha, consultamos nossos blogueiros, sendo que alguns deles apontaram o foco exclusivo no Brasileiro como um dos motivos para a belo torneio feita pelo Corinthians até aqui.

Vale lembrar que o time alvinegro passou o segundo semestre inteiro, basicamente, disputando apenas o Nacional e a Sul-Americana. Já a partir da 25ª rodada, eliminado do torneio continental, teve o Brasileiro como único foco. A eficiência de Jô e o bom trabalho feito por Fábio Carille foram quase unanimidade e também foram apontados entre os blogueiros como peças-chave para o 'quase título'. Confira:

1 - Onde a "quarta força" surpreendeu?
 

ALEXANDRE PRAETZEL

A "quarta força" surpreendeu pelo jogo coletivo eficiente e ótimo preparo físico no primeiro turno do Brasileiro. Isso associado ao bom desempenho de vários jogadores médios.

ANDRÉ ROCHA

Nunca foi "quarta força". O clube que entre 1990 e 2017 ganhou praticamente um Brasileiro a cada quatro anos não pode jamais ser descartado. Em campo, as maiores virtudes foram concentração e foco durante o primeiro turno. Passar 19 jogos no Brasileiro sem derrota é um grande feito. O fato do time ter dado liga no Paulista e mantido na competição nacional também foi inesperado.

AVALLONE

A chamada " quarta força", que o Corinthians não era, surpreendeu desde o Campeonato Paulista, que acabou conquistando. Sem jogar futebol brilhante, defensivo muitas vezes, foi uma equipe aplicada, efetiva na marcação e feliz nos contra-ataques, afirmando-se na vitória diante do Palmeiras, quando, com dez jogadores (Gabriel foi expulso) chegou à vitória no finzinho, 1 a 0, gol de Jô. Era o prenúncio de um ano muito bom.

JUCA KFOURI

Na organização, no empenho e na firmeza tranquila de Fábio Carille.

JULIO GOMES

A surpresa foi ainda no Paulistão, mostrando que seria um time competitivo. A rápida organização e a eficiência de Jô foram sinais positivos ainda no primeiro semestre.

MARCEL RIZZO

Com um time sem grandes estrelas, Carille se fixou em um esquema tático consistente. O fato de ter sido considerado a quarta força no início do ano facilitou para o time ter humildade e focasse na tática e não em características individuais.

MAURO BETING

Não surpreende por ser Corinthians. Mas surpreende pela limitação em qualidade e quantidade, e pelas sérias restrições orçamentárias. Não era time para ganhar o Paulista. Menos ainda o Brasileiro. É muito menos com o turno brilhante que disputou.

MENON

Na verdade, ninguém pode dizer que houve uma surpresa. O aviso já havia sido dada no Paulista.  Eu fiz um post dizendo que o Corinthians, mesmo sendo a quarta força, brigaria pelo título. Logicamente, eu não esperava um rendimento absurdo como foi o do primeiro turno. Esse sim, foi a surpresa.

PERRONE

Surpreendeu na concentração de todos os jogadores no primeiro turno. Ela resultou numa impressionante eficiência.

VITOR BIRNER

Precisão e frieza nas finalizações no 1° turno.
 

2 - Qual foi o craque do time no torneio e por quê?
 

ALEXANDRE PRAETZEL

Jô. Goleador do time, decisivo e letal nos jogos importantes e clássicos.

ANDRÉ ROCHA

Jô. Polêmicas à parte, sustentou o ataque quando Romero cansou e Rodriguinho, Maycon e Jadson desconcentraram e passaram a se arrastar em campo. Ainda pode ser o artilheiro isolado do campeonato.

AVALLONE

Acredito que craque, acima da média, não houve. Craque, eu diria, na temporada, foi o técnico Fábio Carille. Alguns jogadores, no entanto, tiveram desempenho muito acima do esperado. Por exemplo, o goleiro Cássio e o artilheiro Jô, ambos nas melhores fases de sua carreira; destaco também o futebol de Arana, lateral-esquerdo que, em muitos jogos, teve futebol de Seleção. Balbuena e Pablo tiveram atuações firmes; e não se pode esquecer dos lampejos de Rodriguinho, especialmente, e até de Jadson- esta, alterando belas jogadas e atuações apagadas.

JUCA KFOURI

Jô, porque fez os gols apesar de sozinho e sem um meio campo criativo.

JULIO GOMES

O craque do time foi Jô. Do time e do campeonato. Jô já havia sido muito importante com a camisa do Atlético Mineiro, poucos anos atrás. Ele é um desafogo para qualquer time e funcionou neste ano não só como um 9 puro, mas se movimentando, caindo pelos lados, se conectando com meias e laterais, abrindo espaços para infiltrações. Além de tudo isso, claro, fez muitos gols, sofreu pênaltis, criou gols para outros.

MARCEL RIZZO

Arana foi o destaque do primeiro turno, mas caiu no segundo. Romero se destacou nas vitórias que selaram o título, mas como o primeiro turno definiu a conquista, ainda fico com o Arana.

MAURO BETING

Jô. Melhor exemplo de superação. Também porque desde outubro do ano passado tem treinado, mais focado. Mostrou as qualidades vencedores, não se perdeu fora de campo, e foi referência técnica e de experiência.

MENON

Jô foi o craque. O artilheiro do campeonato aproveitou como ninguém a segunda chance. Teve também um bom comportamento físico e emocional, o que o deixou fora de poucos jogos.

PERRONE

Era para ser Guilherme Arana, mas foi Cássio. O lateral caiu muito de rendimento no segundo turno. O goleiro foi mais regular.

VITOR BIRNER

Jô. O time não conseguia acertar a transição para frente tocando a bola e a solução eficaz foi o lançamento para o centroavante disputar de cabeça. Os laterais avançaram, foram muito importantes no 1° turno, e investiram nos cruzamentos para o artilheiro.  Além disso, mostrou inteligência ao se mexer pelo gramado e foi opção nos lances de velocidade muitos utilizados por Fábio Carille.


3 - Qual foi a maior deficiência do time ao longo da campanha?
 

ALEXANDRE PRAETZEL

Uma certa soberba no segundo turno, aliada à queda técnica de alguns jogadores que se acharam craques, após o time abrir 10 pontos na liderança. 

ANDRÉ ROCHA

As falhas nas jogadas aéreas, mesmo quando elas não resultaram em gols. No turno a fase era tão boa que essas falhas aconteciam, mas Cássio não era vencido.

AVALLONE

Quanto aos números, houve muito mais eficiência. Assustou o torcedor corintiano, no entanto, a queda no returno, quando o time não andou bem, mas recuperou-se depois de uma arrancada com três vitórias consecutivas - Palmeiras (3 a 2), Atlético Paranaense (1 a 0, em Curitiba) e diante do Avaí (com econômico 1 a 0, gol de peito de Kazim). Não dá para contestar a conquista. O que se pode discutir é o futebol pouco vistoso.

JUCA KFOURI

A bola aérea no segundo turno.

JULIO GOMES

Foi a mesma de quase todos os outros times: a dificuldade em propor jogo quando teve a posse e a obrigação de atacar. 

MARCEL RIZZO

No segundo turno ficou evidente que o time tinha deficiências ofensivas, tanto que caminha para ser o campeão brasileiro que menos gols fez na história. Dependia muito de Jô inspirado. 

MAURO BETING

A limitação técnica e física. Não por falta de capacidade da comissão técnica - ao contrário. Mas pelo uso excessivo da equipe titular. Nove jogadores atuaram mais de 2 mil minutos. Nenhuma equipe teve tantos com tantos minutos. Apenas 26 atuaram (em média as equipes usaram 34 jogadores). Esse cansaço também pesou no returno medíocre.

MENON

O fraco rendimento de Jadson e o elenco curto que não permitiu muitas mudanças táticas e técnicas. Assim, houve a queda de rendimento no segundo turno.

PERRONE

A incorrigível fragilidade nas bolas áreas em sua defesa.

VITOR BIRNER

Elenco. O treinador extraiu o que foi possível do grupo de atletas. Quando os principais oscilaram, quase ninguém tinha para alterar, fortalecer e manter o elogiável o padrão em campo.


4 - O Corinthians venceu por que foi superior ou tivemos um dos campeonatos mais fracos da história?
 

ALEXANDRE PRAETZEL

As duas coisas. O nível técnico do Brasileiro foi fraquíssimo, mas não podemos tirar o mérito e competência do Corinthians. 47 pontos em 57 disputados no primeiro turno resume a superioridade corintiana.

ANDRÉ ROCHA

É um campeonato de transição e aprendizado, com as competições sul-americanas e a Copa do Brasil sendo disputadas o ano todo. O Corinthians deu "sorte" de cair cedo na Copa do Brasil. Depois disparou no Brasileiro de uma forma tão absoluta que a Sul-Americana virou um objetivo menor - até pela consciência de que o elenco não tinha profundidade para tanto. Vejamos ano que vem como os times que este ano praticamente viraram as costas para a competição vão dosar energias. E como o próprio Corinthians vai tratar a Libertadores. Mas creio que, assim como em outros centros, quem não ficar envolvido em outros torneios por muito tempo levará vantagem.

AVALLONE

Acredito que o Corinthians tenha encontrado um jeito de jogar que combinou com o estilo de seus jogadores. Foi superior, nos clássicos regionais teve 4 vitórias - duas contra o Palmeiras, uma diante do São Paulo e outra contra o Santos - perdendo apenas uma dessas partidas, para o Santos, na Vila Belmiro(2 a 0). Não foi o Campeonato mais fraco da História, tivemos altos investimentos (em especial Palmeiras, Flamengo, Atlético Mineiro e São Paulo). Diria mais que foi muito equilibrado, mas sem que nenhum time alcançasse a eficiência e a regularidade do Corinthians.

JUCA KFOURI

Pela inércia num campeonato de baixo nível e pela inépcia de seus concorrentes.

JULIO GOMES

O Corinthians foi superior no primeiro turno e construiu a gordura para o segundo. Um fator que ajudou muito o Corinthians foi a distribuição da Libertadores e da Copa do Brasil pelo ano todo. Isso mexeu com o planejamento de muitos times, notadamente o Grêmio, que teria qualidade técnica para fazer frente ao Corinthians no Brasileiro. O campeonato foi tão fraco quanto os dos últimos tantos anos. A chave é que não houve um concorrente disposto e focado em buscar o Corinthians, todos tinham outras prioridades. Quando perceberam, o título estava inalcançável.

MARCEL RIZZO

Foi superior. O time não tem nada a ver se rivais pouparam atletas em alguns momentos. Mesmo com times completos, equipes como Grêmio, Palmeiras e Santos foram irregulares.

MAURO BETING

Foi o pior campeonato da história. Outros recentes foram ruins. Mas havia mais equipes jogando melhor. Este ano, só o Grêmio (além dos Corinthians do turno) jogou um futebol digno da posição na tabela. O campeonato foi péssimo. Só se salvou o Corinthians do turno.

MENON

Todos os méritos ao Corinthians, que venceu equipes como Flamengo, Galo e Palmeiras, que gastaram milhões.

PERRONE

Venceu porque foi superior. O nível do campeonato ficou na média dos últimos anos na minha opinião.

VITOR BIRNER

Ambas. Jogou regularmente o melhor futebol de uma das edições mais fracas do torneio.

Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians

5 - Fábio Carille é o grande responsável por esta campanha?
 

ALEXANDRE PRAETZEL

Sim. Carille é o melhor técnico do Brasileiro e muito melhor que o time do Corinthians. 

ANDRÉ ROCHA

Foi o grande responsável pelo ajuste do time seguindo a "cartilha" de Tite e na manutenção do desempenho trabalhando forte por 19 rodadas. Mas com as facilidades talvez tenha faltado a "casca" para saber que tudo pode mudar rápido no olho do furacão. As entrevistas deixando um pouco a modéstia, divulgar René Simões como "guru" e outras atitudes soaram um pouco desconectadas do treinador do primeiro semestre. Mas teve o mérito de retomar a mobilização, ainda que numa proposta de futebol de resultados, no final para garantir a conquista. É um grande personagem, mas ainda colocaria Jô acima por segurar quando quase todos vacilaram, inclusive o treinador.

JUCA KFOURI

Ele, Jô e Cássio.

JULIO GOMES

Sem dúvida. Foi o grande organizador do time, baseando-se em estudos e dados, não só em falação e motivação. Talvez tenha pecado no início do returno, quando o time perdeu o foco e, depois, a calma. Mas foi um erro menor, se comparado a tantos acertos.

MARCEL RIZZO

Sim. Fez um time desacreditado jogar com eficiência. Ele conseguiu montar um time competitivo com um elenco limitado (em qualidade e quantidade).

MAURO BETING

Carille é o craque de um time sem craques. Responsável pela montagem e manutenção da equipe com poucas falhas. Ou menores que as rivais. Um trabalho excepcional.

MENON

Carille é o grande responsável, sem dúvida. Montou o time ao seu estilo, com um futebol muito coletivo. O time mostrou futebol melhor do que a soma da qualidade de seus jogadores.

PERRONE

Carille errou muito no segundo turno ao insistir com jogadores que não rendiam. Mesmo assim foi o principal responsável pela campanha por acertar na escolha de estilo de jogo e por conseguir tirar o melhor de praticamente todos os jogadores no primeiro turno. Também merece destaque a dedicação e o comprometimento dos atletas na fase inicial da competição.

VITOR BIRNER

Fácil. O principal nome da conquista.

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