Adiós! Lugano sai de cena com pênalti, festa, gritos e família no Morumbi

Bruno Grossi e Gabriel Carneiro

Do UOL, em São Paulo

Diego Alfredo Lugano Moreno lutou pela camisa do São Paulo até o último segundo em que teve chance de fazê-lo. E aqui a palavra "literalmente" pode ser aplicada sem cerimônias: Lugano lutou pelo São Paulo, literalmente, até o fim. Aos 37 anos, o zagueiro fez sua partida de despedida do clube em que tem o nome marcado na história neste domingo, no empate em 1 a 1 com o Bahia que não mudou nada na tabela do Brasileirão. Para Lugano mudou tudo. Agora ele deixa de ser jogador do Tricolor para pensar no futuro e deixa órfã uma torcida que cantou seu nome em mais de 60 mil vozes no Morumbi.

Antes do jogo, a torcida são-paulina exibiu um bandeirão com a foto de Lugano e referências ao Uruguai. Estrategicamente, o item foi balançado em direção às arquibancadas do lugar onde fica o símbolo gigante do clube que o zagueiro defendeu em 213 partidas, com 13 gols e quatro títulos importantes. Alguns torcedores entraram com Lugano na zona mista do Morumbi após a chegada do ônibus da delegação, todos vestindo camisetas com o rosto do ídolo. Quando Lugano subiu ao gramado para fazer o aquecimento a ovação foi imediata diante de faixas de agradecimento e até bexigas em formato de letras formando o nome do zagueiro.

A família de Lugano esteve no Morumbi uniformizada para a despedida do São Paulo. Na saída de campo para voltar ao vestiário junto com os filhos, novos gritos entusiasmados de "Lu-ga-nooo" das arquibancadas. Já em campo, o companheiro Rodrigo Caio inflamou a torcida a gritar o nome da referência. Era a tarde dele. E podia ter sido até melhor...

Marcello Zambrana/AGIF
Torcedores montaram o nome do ídolo em balões no Morumbi

Lugano sofreu um pênalti não marcado pelo árbitro Elmo Resende da Cunha aos 14 minutos do primeiro tempo. Depois de trombar com Brenner, Edson agarrou o uruguaio e o derrubou na área, mas nada foi marcado. O zagueiro reclamou acintosamente, desde o momento do lance até o intervalo, quando foi em direção ao trio de arbitragem para expor o erro de interpretação. Ele sofreria um pênalti no último jogo com a camisa do São Paulo. Na verdade até sofreu...

No segundo tempo, Lugano tomou um cartão amarelo logo aos dois minutos. Afinal, não dava para passar em branco logo na despedida, né? Aquela história de lutar até o fim literalmente não era invenção. E cada um luta com as armas que tem. Ainda houve falha em uma bola aérea que quase rendeu gol de Renê Júnior. Porque nem tudo é perfeito. 

Mas ainda havia tempo para Lugano erguer Brenner, autor do gol que deu esperanças ao São Paulo na partida. O candidato a herói da tarde é 20 anos mais jovem que o uruguaio. Quando Lugano saiu para o Fenerbahce, em 2006, Brenner tinha apenas seis anos. Quando Lugano voltou, em janeiro de 2015, vindo do Cerro Porteño, Brenner tinha 15 e nem sequer imaginava dividir uma comemoração de gol com o uruguaio. Passado, presente e futuro se conectaram no Morumbi.

Lugano não atuava pelo São Paulo desde 2 de julho, ainda sob o comando de Rogério Ceni, e não atuará mais pelo clube depois deste 3 de dezembro de 2017. Nas férias ele decidirá os próximos passos, que podem ser o acerto com algum clube de fora do Brasil, o fim da carreira e até a volta ao Tricolor em algum cargo diretivo.

Antes desta definição tão importante, Lugano foi ao símbolo que fica do lado do gramado, aplaudiu a torcida e foi aplaudido em seu último ato.

"A sensação no coração é impossível traduzir com palavras, um sentimento que nunca havia sentido. E por outro lado o reconhecimento de um clube entre os melhores do Brasil e do mundo, ter reconhecimento por um uruguaio que chegou aqui com muitas ilusões e ainda mais defeitos. Mas o que vai ficar é este último momento. Na hora da comemoração você sempre está lotado de amigos e gente que dá tapinhas nas costas, mas neste ano você vê o ressurgimento dessa identificação de torcedor, jogador, diretoria, todos comprometidos, como parte das vitórias e também das derrotas. Esse ano passará para a história do São Paulo como um ponto de inflexão", desabafou na saída do gramado. 

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