No adeus a Lugano, São Paulo só empata com o Bahia e lamenta ano ruim

Bruno Grossi

Do UOL, em São Paulo (SP)

A trajetória de Diego Lugano no São Paulo, ao menos como atleta, terminou neste domingo. Titular pela primeira vez em cinco meses, o zagueiro se despediu da torcida com grande festa no Morumbi, mas apenas um empate em 1 a 1 diante do Bahia na última rodada do Campeonato Brasileiro. Mais de 60 mil torcedores terminaram o ano do futebol com o sentimento de dever cumprido por ajudar o clube a evitar o vexame do rebaixamento, mas frustrados pela vaga na Copa Libertadores da América de 2018 ter escapado. Os jogadores, para reconhecer o apoio da torcida, foram todos para o símbolo do São Paulo ao lado do gramado e ainda fizeram roda para aplaudir Lugano, ovacionado por todos os setores do estádio.

O momento de maior alegria para os são-paulinos na tarde de domingo foi com o gol de Brenner, de apenas 17 anos, que marcou pela primeira vez como profissional. As angústias vieram com um pênalti não marcado justamente em Lugano e com o gol de Éder, já aos 43 minutos da etapa final, em vacilo do tão aclamado Jucilei.

No minuto final, o goleiro Jean, muito próximo de ser contratado pelo São Paulo teve a chance de marcar em cobrança de falta, mas a bola acertou a barreira. No contra-ataque, Militão tentou bater para o gol vazio, recebeu carrinho e o árbitro Elmo Resende Cunha não viu irregularidade no lance. Além disso, encerrou a partida e gerou revolta geral dos são-paulinos.

O empate deixou tricolores paulistas e baianos também em igualdade na tabela: 50 pontos para cada. Essa é a menor pontuação do time do Morumbi na história do Brasileirão de pontos corridos, igualando a campanha de 2013. A diferença é que, há quatro anos, o a equipe ficou na nona colocação. Agora, foi 13º, a pior do clube na competição. O Bahia foi o 12º.

Marcello Zambrana/AGIF

Os melhores

Foi apenas a segunda partida como titular no profissional e a primeira no Morumbi, mas Brenner já parece à vontade para defender o São Paulo. O jovem de 17 anos não se intimida com o zagueiros, consegue jogadas mesmo cercado por três marcadores e ainda foi escolhido para bater o tiro indireto que abriu o placar para os paulistas. Ele, que chama Lugano de "paizão", fez a alegria do mestre e saiu ovacionado para dar lugar ao estreante Bissoli. Pelo lado do Bahia, destaque para Renê Júnior, que mostrou forte marcação e boa saída de bola. O caminho do volante deve ser o Corinthians em 2018.

Os piores

Cueva foi quem mais ficou aquém de uma boa atuação neste domingo. O peruano pouco buscou o jogo e quando o fez pareceu sentir falta de força para dar sequência às jogadas. No Bahia, o burocrático Edson travou a boa jornada do meio de campo armado por Paulo César Carpegiani e foi até substituído.

Da torcida para a torcida

A torcida do São Paulo quebrou recordes em 2017 - maior média de público da história do clube, primeira temporada sem jogos com menos de 10 mil pessoas e ultrapassando um milhão de torcedores nos jogos como mandante. Até por isso, o domingo foi de homenagens aos são-paulinos. Produtos especiais foram colocados à venda, bandeirinhas foram distribuídas e ingressos saíram até por R$ 1.

Antes do jogo, as escolas de samba das duas principais organizadas do clube, Dragões da Real e Independente, ainda fizeram um desfile pela pista de atletismo do Morumbi. No intervalo, um bandeirão é esticado no gramado com os dizeres: "Sua paixão, sua garra, sua lealdade e sua fé movem nosso time. Uma homenagem à torcida que bateu recordes em 2017".

Olhos em Lugano

Marcello Zambrana/AGIF

O árbitro Elmo Resende Cunha já preparava o início do jogo quando reparou que Lugano trocava passes com Rodrigo Caio e Sidão, ainda em aquecimento. Era como se o uruguaio retardasse a despedida pelo São Paulo. A torcida celebrou o ídolo antes de a bola rolar, mas o tratou como mortal durante a partida. Só quando o juiz ignorou pênalti de Edson no camisa 5 é que os fãs se uniram ao zagueiro, indignado com a decisão da arbitragem.

A torcida viu pela última vez ao vivo a reclamação típica de Lugano, com as mãos fechadas e chacoalhando na altura do peito. Prendeu a respiração quando um cruzamento de Cueva passou a poucos centímetros da cabeça do uruguaio. Vibrou quando ele acertou Allione para tentar frear contra-ataque rápido do Bahia. O segundo tempo começou logo com um cartão amarelo, por falta em Mendoza e com um vacilo que quase permitiu gol de cabeça de Renê Júnior, mas a torcida pouco ligou. O dia era de exaltação. E coube até gritar pelo uruguaio quando gol de Brenner saiu.

Duelo particular

O jogo começou com um embate particular entre Jucilei e Régis. Primeiro, o meia do Bahia entrou seco para tentar roubar a bola no ataque e acabou levando um chapéu do são-paulino. Depois, de novo ao arriscar desarme, o armador trombou no ombro do rival e reclamou de um problema nos dentes. O departamento médico dos baianos precisou até passar uma faixa na cabeça de Régis.

Eficiência na marcação, sem capricho no ataque

O Bahia fez um primeiro tempo de marcação forte e eficiente, quase sempre bloqueando com sucesso as investidas do São Paulo pelo meio. Essa capacidade de retomar a bola proporcionou aos nordestinos lances em que havia campo para disparar ao ataque em velocidade, mas foi aí que faltou caprichar. Quando Renê Júnior conseguiu achar belo passe, foi Edgar Júnio quem vacilou cara a cara com Sidão. Na etapa final, de novo em descida rápida, foram mais duas chances claras: Allione, primeiro, isolou com Sidão batido e, depois, bateu colocado rente à trave são-paulina.

Ganso, é você?

O jeito de caminhar em campo, a perna esquerda afiada, a forma física e até as reclamações da torcida por uma participação mais ativa. Shaylon tem feito os tricolores brincarem nas redes sociais com comparações a Paulo Henrique Ganso, hoje no Sevilla. O garoto às vezes passa despercebido no jogo, mas aparece de repente com uma jogada surpreendente, como no chute forte que acertou no travessão de Jean e fez o Morumbi levantar. Outro jovem que também quase marcou no segundo tempo foi Brenner, que saiu de três marcadores e parou no goleiro do Bahia.

Reclamação do Bahia pelo gol de Brenner

Renê Júnior era um dos melhores em campo quando antecipou passe de Shaylon e recuou para o zagueiro Tiago. O toque saiu ruim e foi em direção ao goleiro Jean, que agarrou com as mãos. O árbitro interpretou o lance como recuo intencional e marcou infração em dois lances para o São Paulo. Petros rolou e Brenner, pela primeira vez como profissional, estufou as redes. Os baianos se revoltaram com a marcação da arbitragem.

Jean! Jean!

O goleiro Jean, do Bahia, está muito perto de ser contratado pelo São Paulo. E quando saiu jogando errado por volta dos 24 minutos do segundo tempo, a torcida do Tricolor Paulista resolveu brincar cantando seu nome. Em seguida, os torcedores gritaram por Sidão, para reconhecer as boas atuações do atual titular no Campeonato Brasileiro. Pouco depois, em falta frontal para os são-paulinos, mais uma vez brincaram com Jean, que treina cobranças de falta. Na batida, Shaylon mandou no canto e o arqueiro baiano defendeu.

Estreias "made in Cotia"

Se Brenner saiu festejado pelo gol, outros dois garotos também tiveram o que comemorar na última rodada do Brasileirão. O atacante Bissoli, que entrou na vaga do próprio Brenner, e o meia Gabriel Sara, acionado no lugar de Marcos Guilherme, jogaram pela primeira vez como profissionais.

FICHA TÉCNICA:
SÃO PAULO 1X1 BAHIA

Local: Morumbi, em São Paulo (SP)
Data/Hora: 3 de dezembro de 2017, às 17h
Público/Renda: 60.485 presentes/R$ 1.237.352,00
Árbitro: Elmo Alves Resende Cunha (GO)
Assistentes: Fabrício Vilarinho da Silva e Cristhian Passos Sorence (ambos de GO)
Cartões amarelos: Petros, Brenner, Lugano e Rodrigo Caio (SAO); Éder, Edson e Renê Júnior (BAH)

Gols: Brenner, aos 18 minutos do segundo tempo (SAO); Éder, aos 43 minutos do segundo tempo (BAH)

SÃO PAULO: Sidão, Militão, Lugano, Rodrigo Caio e Edimar; Jucilei; Petros, Shaylon, Cueva (Thomaz) e Marcos Guilherme (Gabriel Sara); Brenner (Bissoli). Técnico: Dorival Júnior.

BAHIA: Jean, Éder, Tiago, Thiago Martins e Juninho Capixaba; Renê Júnior (Yuri), Edson (Matheus Sales), Allione, Régis (Júnior Brumado) e Mendoza; Edigar Júnio. Técnico: Paulo César Carpegiani.

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