Flu "ostentação", R10 e Neymar: o último Brasileirão com os 12 grandes

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

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    Fred terminou como um dos grandes destaques da campanha vitoriosa do Flu

    Fred terminou como um dos grandes destaques da campanha vitoriosa do Flu

Com início marcado para este sábado, com três partidas, o Campeonato Brasileiro deste ano marca uma situação rara na Era dos pontos corridos. Pela primeira vez desde 2012, a Série A conta com os "12 grandes". A partir deste fim de semana, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Cruzeiro e Atlético-MG entram em disputa pelo título.

Há seis anos, quando pela última vez toda a elite do futebol brasileiro se concentrava na principal competição do país, o Brasil ainda contava com uma grande estrela mundial; no caso, Ronaldinho. O país ainda testemunhou um gigante ser rebaixado pela segunda vez e mal falava da Chapecoense, ainda uma equipe restrita ao noticiário do oeste catarinense.

Flu "ostentação"

Enquanto hoje o trabalho com a base e a falta de recursos marcam o dia a dia de Abel Braga, o Fluminense de 2012 convivia com outra realidade. O campeão brasileiro daquela temporada possuía o forte patrocínio da Unimed, que permitia a Abel reunir nomes como Fred (artilheiro com 20 gols), Thiago Neves, Jean, Rafael Sobis e Deco. Daquele time, além do comandante, Gum e Marcos Junior atuam nas Laranjeiras.

Ronaldinho superestrela

Agência Estado
Ronaldinho anotou três gols e chorou no Horto. Relação com o Galo "esquentava" ali

Agora aposentado e pensando na vida política, Ronaldinho ainda atuava em alto nível há seis anos. Depois de uma saída conturbada do Flamengo, o craque acertou com o Atlético-MG e deu uma resposta imediata. Na campanha do vice-campeonato do clube mineiro, R10 terminou eleito um dos destaques do Brasileirão pela CBF. O torcedor atleticano tem duas atuações para se relembrar do então camisa 49: os três gols e o choro pela morte do padrasto na véspera da goleada por 6 a 0 sobre o Figueirense e o golaço no clássico contra o Cruzeiro, em empate por 2 a 2.

"Última" vez de Neymar

Junior Lago/UOL
Neymar anotou 14 gols em 17 jogos, uma das melhores médias da carreira

O torcedor do Santos se recorda da abertura do Brasileirão de 2013, quando Neymar, emocionado, se despediu do clube para atuar pelo Barcelona. Um ano antes, porém, o craque se destacou na última "temporada completa" na Série A. Mesmo desfalcando muito a equipe do litoral paulista, especialmente pelas convocações para a seleção e a disputa dos Jogos Olímpicos, o atacante alcançou a expressiva marca de 14 gols, em apenas 17 partidas durante toda a competição (quase um por jogo).

Fernandão no banco

Alexandre Lops/Divulgação Internacional
Fernandão comandou o Internacional durante boa parte do Brasileirão

Morto em acidente de helicóptero em 2014, Fernandão exerceu um papel diferente no Internacional. Ídolo pelos gols e conquistas como jogador, ele aceitou o desafio de dirigir o clube durante boa parte da competição. O ex-centroavante assumiu o cargo de treinador em junho, após a demissão de Dorival Junior. A campanha, entretanto, foi irregular, e o antigo camisa 9 acabou demitido pela diretoria em novembro, antes mesmo de a Série A terminar.

Drama palmeirense

Fernando Donasci/UOL
Empate contra o Flamengo no Rio decretou o segundo rebaixamento do Palmeiras

Meses depois de conquistar a Copa do Brasil, o Palmeiras acabou rebaixado à Série B pela segunda vez na história justamente no ano da aposentadoria do ídolo Marcos. Sem o goleiro pentacampeão, a equipe realizou uma campanha fraca de apenas 34 pontos e caiu para a segunda divisão antes mesmo do fim da competição. O vexame foi confirmado ainda em 18 de novembro, após empate por 1 a 1 com o Flamengo em Volta Redonda - Vagner Love, atleta revelado na equipe alviverde, anotou o gol flamenguista.

Guerrero "nasceu"

Campeão da Copa Libertadores pela primeira vez, o Corinthians se reforçou com uma peça que viria a ser importante meses depois. Foi no Campeonato Brasileiro de 2012 que Paolo Guerrero estreou com a camisa corintiana, atuando pouco mais de cinco minutos na vitória sobre o Cruzeiro, em 20 de julho. A contratação se mostraria acertada em dezembro, com os gols do peruano na semi e na final do Mundial de Clubes, competição vencida pelo clube alvinegro.

Despedida do Olímpico

Jefferson Bernardes/Preview.com
Grêmio deu adeus ao Olímpico no Brasileirão de 2012

A era Olímpico terminou para o Grêmio em dezembro de 2012, com a inauguração da imponente Arena no bairro do Humaitá. A despedida da tradicional casa, palco dos jogos do clube por 58 anos, ocorreu em tumultuado clássico contra o Internacional, pela última rodada da competição. Foram três expulsões e nenhum gol; os gremistas terminaram em terceiro na tabela, e o torcedor ainda se recorda com nostalgia da antiga casa.

Sem clássico

Depois de dois anos com clássicos na última rodada, a Confederação Brasileira de Futebol optou por alterar esta característica do Brasileirão para o ano de 2013. Em 2012, pela última vez, os duelos regionais fecharam a competição. Além do 0 a 0 entre Grêmio e Inter citado neste texto, duelos como a vitória do São Paulo sobre o Corinthians (3 a 1), o empate entre Flamengo e Botafogo (2 a 2) e o triunfo atleticano sobre o Cruzeiro (3 a 2) encerraram a liga nacional.

Chapecoense na Série C

Hoje um clube estável na elite do futebol brasileiro, mesmo diante da tragédia que terminou com 71 vítimas em acidente aéreo na Colômbia em 2016, a Chapecoense ainda via o Campeonato Brasileiro como um sonho em 2012, ano em que disputou a Terceira Divisão do futebol nacional. Semifinalista, o time alviverde subiu para a Série B, competição na qual permaneceu apenas um ano, alcançando a principal liga nacional já em 2014. Será a quinta temporada consecutiva entre os grandes do país.

Portuguesa na elite

A ascensão da Chapecoense neste período contrasta com a queda vertiginosa da Portuguesa. Em 2012, a Lusa ainda disputava a Série A, embora já flertasse com o rebaixamento. O time paulistano fez 45 pontos e terminou na 16ª colocação, primeira acima da zona de descenso. O fracasso na primeira divisão veio no ano seguinte, com o ainda polêmico caso Héverton, e hoje a equipe do Canindé sequer figura no cenário nacional - o time caiu ainda na primeira fase da Série D e neste ano não vai disputar nenhuma divisão nacional.

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