Jejum de vitórias no Atlético-PR revive Diniz em série dos tempos de Audax

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

  • Divulgação

    Diniz pelo Audax: parceria com Oeste teve jejum de 16 jogos; depois, queda pra A2-SP na volta ao clube

    Diniz pelo Audax: parceria com Oeste teve jejum de 16 jogos; depois, queda pra A2-SP na volta ao clube

Elogiado de norte a sul pela dinâmica de jogo do Audax vice-campeão paulista em 2016, o técnico Fernando Diniz saiu daquele mesmo estadual para um longo jejum sem vitórias, que quase custou ao Oeste-SP (então em parceria com o Audax) o rebaixamento para a Série C nacional naquela temporada.

Sem vencer há nove partidas pelo Atlético Paranaense, Diniz viveu o drama entre 27 de agosto de 2016 e 26 de novembro do mesmo ano, quando passou 16 jogos sem vitórias, entre eles uma impressionante sequência de sete empates. O time venceu o Paysandu por 1 a 0 na 21ª rodada, consolidando o que parecia uma reação de quatro jogos invicto após perdeu para o Bragantino (3 a 1) na 15ª rodada. Mas só voltou a triunfar contra o Náutico, no Recife, na última partida do campeonato.

O time então despencou do 10º para o 16º lugar e só não foi rebaixado por conta do triunfo sobre o Timbu, que jogava pelo acesso e deixou escapar a vaga para o Bahia com a derrota.

Elenco em rotação desmanchou futebol-total

Gerente de futebol do clube à época, Mauro Guerra lembra que a avaliação era de que o Oeste de Diniz pecava nos detalhes. "Em raros os jogos que (o time) não se apresentou bem. Competição nivelada. Aí o detalhe que decide", contou, avaliando o cenário: "Pouco de tudo, brasileiro é um campeonato longo e você precisa ter grupo pra reposição. Você perde algumas peças por cartão ou lesão e faz falta."

O zagueiro Velicka, hoje jogando a Série B pelo CSA-AL, também relembrou a fase que viveu com Diniz: "A maior dificuldade nossa foi devido às trocas que ocorreram. Saíram os cinco jogadores de frente e na transição para o Oeste chegaram jogadores que não se adaptaram. No time do Paulista a gente sofria pouco, errava só onde podia errar, lá na frente. Na transição (para o Oeste) a gente passou a errar mais na transição (entre ataque e defesa), perdia bolas onde não podia e sofria com os contra-ataques".

No intervalo dos 16 jogos, o Oeste perdeu sete vezes e empatou outras nove, sete delas em sequência. Nestas partidas, o time saiu na frente em apenas uma ocasião: contra o Bahia, na 32ª rodada. Contra o Paraná, na 23ª, saiu atrás, conseguiu a virada mas cedeu o empate em 3 a 3 já no finalzinho. Velicka ressaltou a falta de entrosamento mais uma vez: "Com a série de jogos da Série B, terça e sexta, o Diniz não tinha tempo para treinar, porque tinha que descansar o time."

Ex-parceiros torcem por sucesso no Atlético

Quem trabalhou com Diniz é fã do sistema e do treinador. Velicka resumiu como foram os dias sob o comando do atleticano: "Eu adorava, a bola era só nossa!! Uma pena não conseguirmos ser campeão contra o Santos", comentou, para depois falar sobre o sistema com a linha alta de zagueiros. "Procurávamos jogar compacto. Quando o ataque pressionava nós subíamos a linha", se recorda.

Pela parceria Oeste/Audax, incluindo os períodos anteriores à 2016, Diniz dirigiu o time em 99 partidas (desde 2014), com 31 vitórias. Ele ainda foi coordenador técnico do Osasco Audax em 2017, após a campanha que levou a equipe ao rebaixamento na Série A do Paulista, no ano seguinte ao vice-campeonato.

Diretor de futebol do Audax – e também do Oeste – naqueles dias, foi Nei Teixeira quem manteve Diniz firme no cargo apesar do longo jejum. "Na minha opinião o Diniz tira leite de pedra e com paciência o Atlético-PR vai se tornar uma referência no futebol brasileiro. Infelizmente no futebol brasileiro tudo é imediato, (estou) torcendo pra que o Atlético-PR tenha a paciência pera poder chegar ao topo", comentou, fazendo eco com Guerra: "Muitos questionam a maneira dele jogar. Mas gosto particularmente da mentalidade. Riscos todos correm com qualquer sistema de jogo", disse o outro gerente de Diniz naqueles dias.

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