Polêmica sobre pedido de trégua do Inter está por trás de briga no Gre-Nal

Jeremias Wernek e Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

A confusão no túnel do estádio Beira-Rio, após o Gre-Nal 417, não aconteceu à toa. O episódio está diretamente relacionado a uma conversa entre jogadores de Grêmio e Internacional em março, quando, conforme revelou o UOL Esporte, os colorados pediram que os rivais controlassem as provocações. Vencedor do duelo válido pela 24ª rodada do Brasileirão, o time vermelho celebrou ao extremo e o Tricolor não gostou.

O Grêmio não confirmou textualmente a conversa, mas indicou o fato em suas manifestações pós-jogo. O Inter rebateu lembrando período recente de glórias, mas também desconversou. "Tem coisas que nós estamos calados há cinco ou seis meses. Vocês não sabem, mas os jogadores do Inter sabem e nós estamos calados aqui", disse Renato Gaúcho.

Em março, os rivais jogaram três vezes e no meio dos duelos houve conversa. Do lado do Inter, saiu o pedido por moderação nas provocações. Os representantes do Grêmio lembraram o jejum de títulos, a postura do rival em conquistas anteriores.

São vários exemplos. Quando conquistou a Libertadores de 2017, o Grêmio voltou ao Brasil cantando no sistema de som 'um minuto de silêncio para o Inter que está morto'. Nos festejos, Bressan soltou 'e o Inter é pequeno' e irritou os jogadores rivais. Luan foi outro que tirou atletas do Internacional do sério com a provocação a Eduardo Sasha, atualmente no Santos.

"Não sei o que houve… Se teve (conversa entre jogadores de Inter e Grêmio), eu não participei, não sei falar o que houve. Se teve, eu não participei", disse Uendel, lateral do Inter.

"Eu não vou falar porque eu respeito os jogadores, o clube e até a torcida do Internacional. Mas ninguém vai tirar onda com a gente. Eu, por educação, não vou abrir a boca em consideração aos jogadores. Mas pelos episódios que aconteceram, uns tiraram onda e vocês vão saber. Aqui mesmo, aqui no Beira-Rio mesmo", disse Renato sublinhando que o papo ocorreu.

A direção do Inter também nega que o fato tenha ocorrido. "Por parte da direção posso te garantir que não. Assim como quando ganhamos tudo e o Grêmio nada, eles suportaram com dignidade. Assim como quando fomos rebaixados, passamos pela Série B com dignidade. Não vencemos a Série B e hoje estamos aqui com toda humildade do mundo buscando ponto a ponto o que para muitos parecia um sonho mas que a cada jogo se transforma em realidade. É complicado falar sobre isso. Da direção não houve nada. Se houve conversa entre os atletas, eu não presenciei. Não sei. Se houve, o que acontece é que continuamos ouvindo musiquinhas no vestiário. Tem que saber perder, reconhecer o adversário. Nem sempre se ganha. Então, volto a dizer, quem tem este tipo de atitude, e não é a direção do Grêmio, é bem localizado, tem que ter grandeza para perder e ganhar", afirmou o vice de futebol do Inter, Roberto Melo.

Nas palavras de Renato, o pedido foi respeitado pelos gremistas e, com a vitória do Inter, a provocação ao fim da partida rompeu a trégua.

"Se houve esse pedido, nunca comentamos sobre isso, o Maicon nunca me mostrou mensagens, mas a relação entre os clubes segue. Faz parte do futebol, da cultura do futebol, e principalmente da ética entre eles", declarou o presidente Romildo Bolzan Júnior. "Pergunte para quem pediu. Eu vou ficar nessa colocação, vou ficar por aqui. Não me cabe fazer comentário fora disso. Se alguém acha que esses valores são relativizados de acordo com a hora, com o momento… é saber ganhar e saber perder. Não vamos fazer juízo de valor. Se alguém escreveu algo, que se justifique. O que houve, o que é lamentável e não deve acontecer, é saber celebrar", completou.

Os gritos de Maicon, um dos mais irritados após a partida e que foi inclusive citado em súmula pelo árbitro Péricles Bassols Cortez, justificam a tese da razão para a confusão.

"Não venha pedir arrego depois", bradava o capitão gremista que sequer foi relacionado. "Vamos combinar, o ambiente de vitória às vezes extravasa. Quem escutou o que o Maicon disse, pode tirar as conclusões que bem entender. Esse momento é de respeito às relações", completou o presidente do Grêmio.

Na atual temporada, cada lado sai com duas vitórias. Ainda houve empate sem gols, no primeiro turno do Brasileiro, que foi celebrado pelo Colorado e incomodou o Tricolor. Novo capítulo da história, agora, somente em 2019.

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