Guto cita Chape e dá recado à torcida: "Se quiserem facilitar, apoiem"

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Ricardo Duarte/Inter

    Guto Ferreira, técnico do Inter, vai para sua segunda partida no comando do time

    Guto Ferreira, técnico do Inter, vai para sua segunda partida no comando do time

Guto Ferreira viu, já em sua estreia pelo Inter, uma pressão imensa. Do reservado, ouviu vias ao time no empate em 1 a 1 contra o Juventude. Depois da partida, concedeu entrevista coletiva de onde se ouvia os gritos dos aficionados no protesto do lado de fora do Beira-Rio. Xingamentos e palavras de baixo calão tomaram conta do pátio vermelho. E nesta segunda, ao se preparar para o segundo jogo, ele citou a Chapecoense e foi claro ao mandar recado para os torcedores.

"Para jogar numa equipe como o Inter, tem que ter inicialmente uma condição de assimilação dessa pressão. Isso é uma questão. Mas para a gente ver um diferencial, não que não exista pressão, mas a pressão na Chapecoense é muito menor. Ainda mais com o acidente que aconteceu. A cidade abraçou a equipe de tal maneira, que está praticamente carregando o time no colo. O que está acontecendo em campo? A equipe cresceu de patamar, joga competições internacionais em altíssimo nível. Está se estruturando e há duas rodadas lidera a Série A. É uma equipe montada recentemente, do zero", disse Guto.

Ao citar os catarinenses, o treinador do Inter mostra o que pretende de sua torcida. Em vez da cobrança, o apoio. Em vez do xingamento, o aplauso para que os jogadores sintam-se, de fato, em casa no Beira-Rio, onde o Colorado não vence há dois jogos.

"Esta questão (cobrança e pressão) pode atrapalhar, sim. E o apoio pode facilitar, sim. O momento do Inter é de busca por encontrar seu caminho. Neste momento, é opção de cada um. Se for para bater, vamos suportar e virar a mesa. Se quiserem nos facilitar, que apoiem", determinou.

O recado foi claramente contrário à postura adotada recentemente pelos aficionados. Ao fim do primeiro tempo contra o Juventude já se ouvia vaias vindas das cadeiras do estádio do Inter. E depois do jogo o clima tenso se estendeu até a saída dos atletas.

Não houve foco de violência ou depredação. Depois de xingarem desde jogadores até dirigentes passando por comissão técnica e funcionários, os aficionados deixaram o local sem necessidade de participação da polícia para isso.

O quadro lembrou 2016. No ano passado, jogo após jogo, infortúnio após infortúnio, os colorados protestavam no pátio de seu estádio. Às vezes até abusaram com depredação de portas e paredes e até carros de jogadores atingidos. De nada adiantou. O elenco só se abalou ainda mais, teve evidentes problemas psicológicos também gerados pela pressão exercida pelos torcedores e acabou rebaixado à segunda divisão nacional.

O Inter vem de três jogos sem vencer na Série B, ocupa apenas a 10ª posição na classificação e nesta terça-feira encara o Figueirense fora de casa. O jogo está marcado para o estádio Orlando Scarpelli às 20h30 (de Brasília). Seis titulares foram preservados do jogo: Edenílson, D'Alessandro, Léo Ortiz, Rodrigo Dourado, Uendel e Nico López.
 

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