Melhor ladrão de bola da Série B cresceu no Inter com bênção de Fernandão

Marinho Saldanha

Do UOL, em Porto Alegre

  • Ricardo Duarte/ Divulgação Internacional

    Rodrigo Dourado é o melhor ladrão de bola da Série B até o momento e destaque do Inter

    Rodrigo Dourado é o melhor ladrão de bola da Série B até o momento e destaque do Inter

Hoje todos conhecem Rodrigo Dourado. Com 23 anos, um dos principais jogadores do Internacional e campeão olímpico com a seleção brasileira. Mas em 2012, quem teve a coragem de chamar o então menino de 18 anos das categorias de base para o profissional e o colocou para jogar logo de cara foi o maior ídolo da história do clube: Fernandão.

"Ele foi muito importante na minha vida. Sinto falta, como todos os colorados sentem", disse o volante em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

Com respaldo do camisa 9 marcado na história do Colorado, morto em acidente de helicóptero em 2014, o marcador começou a ganhar espaço e virou titular definitivamente com Diego Aguirre, em 2015.

Hoje, Dourado lidera a estatística primordial em sua função no campo: desarmes. Com média de acerto de 87,7% das vezes em que tenta tirar a bola do adversário,  segundo o site especializado Footstats, é ele quem dá sustentação para o sistema do Inter, que utiliza quatro jogadores mais ofensivos na linha logo em frente. Longe dos holofotes de quem é responsável por fazer os gols, Dourado têm a mesma simplicidade para avaliar seu momento e projetar transferência para Europa, mas só depois de colocar o Inter de Volta na Série A.

Ricardo Duarte/Inter

UOL: Como você recebe a estatística de ser o melhor desarmador da Série B?
Rodrigo Dourado
Fico feliz, não é a primeira vez que estou entre os primeiros neste índice, sempre foi minha característica. Todos os campeonatos que disputei sempre fiquei entre os primeiros. Fico feliz pelo reconhecimento que as pessoas têm agora. Continuar trabalhando, o time está melhorando, e isso me deixa feliz também.

UOL: Qual segredo?
Rodrigo Dourado:
Não tem receita. Sempre foi uma característica minha. Trago do futsal. Minha estatura ajuda, tenho uma perna longa, que ajuda na alavanca para tirar a bola. Meus companheiros ajudam muito, quando pressionam na frente fica mais fácil para mim, é difícil o domínio dos atacantes. É um trabalho em conjunto que graças a Deus estou me destacando.

UOL: O sistema de jogo do Inter funciona com outros quatro jogadores mais ofensivos (D'Alessandro, Edenílson, Pottker e Sasha). Como você 'segura o piano' deste meio-campo?
Rodrigo Dourado:
A gente sabe que temos jogadores na minha frente que criam o jogo, fazem nosso time jogar. Estou por trás, sou a sustentação deles, cumpro minha função. O que se pede é que se cada um fizer sua função o time vai melhorando aos poucos. Fico feliz de estar ajudando, colaborando ali atrás.

UOL: A Série B é mais fácil ou mais difícil que você esperava?
Rodrigo Dourado:
É bem difícil. Claro que, como somos o time grande, todos vem muito forte contra a gente. Os jogos fora de casa são bem difíceis. Campo ruim, clima diferente, isso atrapalha. Mas estamos nos adequando. Acabou o primeiro turno, ficamos em segundo. Agora temos um turno inteiro para fechar com chave de ouro e voltar para Série A.

UOL: Você chegou ao Inter muito por força do Fernandão, certo? Qual a importância dele na sua carreira?
Rodrigo Dourado:
Significou muito. Como jogador já era um ídolo meu. Estou desde os 12 anos no Beira-Rio e sempre assistia ele jogar. Depois, na base, como diretor de futebol ele começou a me ver mais. Conversava muito comigo, dizia para eu trabalhar que deveria ter uma oportunidade no profissional. E quando ele assumiu o profissional como treinador, eu tinha 18 anos na época e do nada ele me chamou para treinar no profissional e me colocou para jogar. Ele me ajudou muito no futebol. A gente sente falta. Não só eu, como todos os colorados. Foi uma pessoa muito importante na minha vida.

UOL: Depois você voltou para base... Mas chegou ao Inter bem mais cedo. Como foi o início da sua trajetória?
Rodrigo Dourado:
A vida foi bem difícil, como toda carreira de jogador. Vim muito novo para Porto Alegre, sozinho. Com 12 anos de idade morava no Beira-Rio com pessoas de outras idades. Na época só tinha eu com esta idade mais baixa. Fui subindo de categoria em categoria até o Sub-17, que foi quando eu me destaquei mais. Fui para seleção e vários títulos no Inter. Depois subi para o profissional, em 2012, com Fernandão. Depois voltei para base e subi de vez para o profissional em 2015 com o Diego Aguirre. Ele em deu oportunidade, agarrei e estou aqui hoje.

UOL: Pensou em desistir?
Rodrigo Dourado:
Acontece. Principalmente com 14 ou 15 anos. Teus amigos são dispensados, tu olha para o lado e pensa que tu vai ser o próximo. Saudade da família, vontade de largar tudo e voltar para casa. Mas graças a Deus sempre tive uma cabeça boa e o sonho de ser jogador. Isso serve para todas as pessoas que querem ser jogador. Não desistir. Vão ter momentos muito difíceis na carreira. É seguir em frente, persistir, que tudo é possível.

UOL: Como você encara o fato de ser colocado como jogador do Inter mais perto de ser negociado para Europa?
Rodrigo Dourado:
Não só pelo meu momento, mas são três anos de titular absoluto na minha posição, fui para seleção no ano passado, fico feliz de estar valorizado. Mas meu foco está aqui. Até o final do ano vou ficar aqui, pensar na Série B, colocar o Inter onde merece e depois pensar na Europa.

UOL: Quer ir?
Rodrigo Dourado
: Se eu falar que não quero ir é mentira. Quero ir. Mas no tempo certo. Quando estiver bem, 100%, uma coisa que seja boa para o Inter, para mim, um time que valha a pena ir... Não adianta ir para qualquer time e só para dizer que eu joguei na Europa. Tem que ser um time bom, como é o Inter aqui no Brasil. No momento certo tudo vai acontecer. Estou em um momento bom. Há três anos titular num time gigante como o Inter. Espero acabar o ano da melhor forma possível, colocando o Inter na Série A. E depois a gente vê. Tenho 23 anos, ainda, mas a gente sempre sonha em jogar na Europa, é um objetivo meu. Mais para frente, seleção, é  que todo jogador almeja.

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