Ficar na Série B teria impacto de R$ 100 milhões a menos para o Coritiba

Napoleão de Almeida

Colaboração para o UOL

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    Jogadores se reúnem no centro do gramado pelo Coritiba: permanência na B pode dar prejuízo de 100 milhões

    Jogadores se reúnem no centro do gramado pelo Coritiba: permanência na B pode dar prejuízo de 100 milhões

Entre redução de arrecadação e perda de receita, a eventual permanência do Coritiba na Série B pode impactar algo em torno de R$ 100 milhões a menos nos cofres do clube para 2019. O número leva em conta a diminuição do valor da cota de TV prevista para a Série B 19 em relação ao valor desta temporada, a perda das receitas das cotas que ganharia estando na Série A, tanto por TV aberta quanto por TV fechada e a queda em bilheteria, já comprovada nesta temporada em relação a 2017.

Com uma política de austeridade desde que assumiu a gestão, o presidente Samir Namur comemorou na última quinzena um lucro de R$ 1,9 milhão nas atividades do clube. Em um editorial aos sócios, Namur explicou que o clube já teve decréscimo de R$ 30 milhões pelo rebaixamento e que arrecadou R$ 45,2 milhões nesse primeiro semestre, controlando os custos e pagando dívidas. Entretanto, ficar de fora da elite 2019 poderá trazer uma perda de receita ao menos duas vezes maior. Internamente, o Coritiba trabalha com um impacto de menos R$ 50 milhões nas contas dentro do cenário atual.

Remanescente do modelo atual de contrato da Série A, o Coxa, rebaixado à B, manteve os R$ 35 milhões que recebia em 2017 para essa temporada. Mas o UOL Esporte apurou que a oferta da TV fechada para a Série B 2019 irá ser de aproximadamente R$ 7 milhões divididos igualmente para cada clube. Um decréscimo de R$ 28 milhões em relação à essa temporada, em que o clube é o que mais recebeu em cotas de TV, acima do Goiás, com R$ 26,5 milhões e dos demais 18, cada um com cerca de R$ 6 milhões.

Além da perda de receita efetiva, o Coxa terá ainda outros dois impactos drásticos de receita caso não consiga reagir na Série B e conseguir o acesso. Parte do grupo de clubes que assinou com o Esporte Interativo para 2019, o Coritiba deixará de receber R$ 17 milhões previstos em contrato e ainda outras duas frações, não definidas, que poderiam chegar a no mínimo mais R$ 15 milhões em receitas – um total de novos R$ 32 milhões a menos. A projeção é imprecisa porque levará em consideração a classificação do clube na A-2019 e também uma perspectiva de audiência entre os clubes do canal.

Da mesma forma, caso não chegue à elite, o Coritiba terá uma perda de receita muito próxima sobre o que ganharia da TV aberta. Ainda sem contrato assinado com a Globo, o Coxa deixaria de arrecadar valores muito similares aos ofertados pelo Esporte Interativo. O cálculo base parte de R$ 25 milhões, aproximadamente, de uma fatia comum, e valores que vão dos 12 aos 50 milhões em um eventual título nacional. No mínimo, projeta-se outros R$ 37 milhões de perda de arrecadação.

As cotas de TV da Série A 2019 levarão em conta novos critérios, tanto para TV aberta quanto para TV fechada. Para a Globo, a oferta é de uma divisão entre 40% do valor de forma igual, 30% pela classificação e outros 30% pela projeção de audiência, de um total de 600 milhões e 20 clubes; para o Esporte Interativo, são 520 milhões a serem divididos entre os clubes que têm contrato com o canal e estejam na Série A, com 50% de forma igual, 25% pela classificação e 25% pela projeção de audiência.

Mas não é apenas isso. A perda de receita em bilheteria também pode ser significativa. Com uma arrecadação constada no balanço 2017 de R$ 8.362.859,00 em bilheteria, o Coxa teve uma média de público de 14.348 mil pessoas no ano passado, a 13ª do Brasil. Nesta temporada, o clube tem levado menos da metade das pessoas a campo: em 21 jogos, a média é de 6.232 pessoas, a 24ª do país, com arrecadação projetada de pouco menos de 3 milhões de reais.

Nesta sexta-feira (14), o Coritiba recebe o Londrina no Couto Pereira. O Coxa é o nono colocado, com 36 pontos, seis a menos que o Goiás, quarto lugar.

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