UOL Esporte Brasileirão - Série C
 
10/08/2009 - 15h02

Meses após tragédia, Brasil-RS luta na Série C e projeta elite em 2011

Pelotas respira futebol intensamente neste mês de agosto. Poucos meses após sofrer com trágico acidente de ônibus, em que dois jogadores e um membro da comissão técnica morreram, o Brasil dá sinais fortes de recuperação. Passar pelo América-MG, garantindo vaga à Série B pode ser a maior façanha do clube desde 1985, quando alcançou um surpreendente terceiro lugar no Brasileiro da primeira divisão (o jogo de ida no Rio Grande do Sul acabou com empate por 0 a 0).

NA RETA FINAL DA SÉRIE C
Felipe Prestes
Brasil perdeu pênalti e ficou só no 0 a 0 no jogo de ida contra o América nas quartas
Felipe Prestes
Torcedores das duas equipes trocam cumprimentos antes do jogo em Pelotas
Felipe Prestes
Souza não quis saber de dia dos pais. O presente que queria estava no Bento Freitas
MAIS SOBRE O JOGO EM PELOTAS
TABELA DAS FINAIS DA SÉRIE C
"Para nós é final de Libertadores", explicava um torcedor no Estádio Bento Freitas, antes do primeiro jogo das quartas-de-final (os quatro times que passarem à semifinal já estarão na Série B do próximo ano). O sonho de todos é disputar a elite do Brasileiro em 2011, ano do centenário do clube. A chuva intermitente impediu lotação máxima, mas houve ótimo público (ainda não divulgado). Na sexta-feira, mil ingressos em promoção haviam se esgotado em cerca de duas horas.

"Se for pelo menos dois a zero, já saio daqui e compro minha passagem para Belo Horizonte", explicou Souza, que há mais de vinte anos mantém cadeira cativa no estádio mesmo morando em Porto Alegre. "Minha filha e minha esposa brigaram comigo. Eu não quis almoçar, nem quis saber de dia dos pais".

Samir pretendia ir a Minas Gerais qualquer que fosse o resultado. Acostumado a seguir o clube em excursões, explica que ganhar não é o único objetivo. "A gente faz churrasco, toma cerveja. Quando perde, a farra é a mesma". Ainda assim, acreditava que o placar seria de três a zero para o Brasil.

Nem mesmo as dificuldades de se jogar em um gramado encharcado desanimavam os torcedores. "Todo jogo decisivo da história do Brasil teve chuva antes", profetizava o segurança do clube Paulo Brizolara, citando o jogo contra o Flamengo pelas quartas-de-final do Brasileiro de 85.

Horas antes da partida, no tradicional Café Aquarius, onde a clientela soma milênios, um velho xavante me convencia que esse fator seria benéfico. "O Brasil é um time de barro. Vai ser dois a zero".

E o velho tinha razão. Desde o início da partida, a equipe gaúcha demonstrava muito mais perícia em controlar a bola no meio das poças d'água. As jogadas saíam principalmente pelos lados do campo e através da bola parada. Entretanto, a defesa do América obteve superioridade nas jogadas aéreas durante toda a partida.

Na segunda etapa, o campo ficou ainda mais pesado e menos chances foram criadas. Mas aos 35 minutos, Kito foi derrubado na área e o caldeirão explodiu. Mas o zagueiro Cassel pegou muito mal na bola e bateu pra fora.

BRASIL - TRAGÉDIA NA ESTRADA
Felipe Prestes
 
Em janeiro deste ano, durante viagem após um jogo de preparação para a disputa do Campeonato Gaúcho, o ônibus que levava a delegação do Brasil capotou na curva do acesso entre a RS-471 e a BR-392.

No acidente, morreram o atacante uruguaio Cláudio Milar, 34 anos, e o zagueiro Régis, 28, além do preparador de goleiros do clube, Giovani Guimarães.
MAIS SOBRE O ACIDENTE EM JANEIRO
HOMENAGENS NO GAÚCHÃO
O empate de 0 a 0, mas principalmente o pênalti perdido, deixaram a torcida xavante bastante decepcionada. Garotinhos choravam e eram consolados pelos pais - que não obtiveram o presente mais desejado. Entretanto, a possibilidade de passar com um empate com gols ainda dá esperanças aos gaúchos.

"Tínhamos um primeiro objetivo que era marcar gols. Não deu. Mas tínhamos um segundo objetivo que era não levar, e conseguimos", resumiu o atacante Marcelo Régis após a partida.

Os jogadores do América comemoraram o empate assim que o juiz apitou o fim de jogo. Mas o experiente goleiro Flávio, campeão brasileiro pelo Atlético-PR em 2001, lamentou que a equipe não fez gol fora de casa. "O melhor era ter feito gol, mas agora vamos buscar o resultado em casa".

Clima ameno entre as torcidas
Doze fanáticos torcedores americanos compareceram ao Bento Freitas. Eles foram de avião de BH a Porto Alegre e depois fretaram uma van até Pelotas. Os policiais militares não tiveram qualquer trabalho com a segurança dos mineiros.

Pelo alambrado, xavantes e americanos se cumprimentavam e conversavam animadamente antes de a bola rolar. Paulo e Nerci já haviam se conhecido numa através de uma rede de relacionamentos. "Achei que tu não vinhas, que estavas brincando", disse o torcedor do Brasil, Nerci, ao torcedor do Coelho, Paulo.

Rivalidade em alta
Se em nível nacional quem pode brilhar é o Brasil, na aldeia o rival Pelotas pode ficar em melhor situação. O clube disputa o quadrangular final da segunda divisão do Campeonato Gaúcho. Os dois primeiros obtêm o acesso.

Como o Brasil, ainda abalado pelo acidente, foi rebaixado no Gauchão deste ano, os torcedores do Pelotas terão argumentos para rebater as brincadeiras dos xavantes, caso o clube consiga a vaga. "Pelotas tem dois clubes com torcidas apaixonadas. O jogador que passa por aqui fica marcado", diz o centro-avante Sandro Sottili.

Na terça-feira, o clube recebe o Cerâmica, de Gravataí, na Boca do Lobo. "Os últimos dois jogos aqui tiveram média de sete, oito mil pessoas. Esperamos que a gente faça um jogo concentrado e que o torcedor dê essa força", resume o atacante.

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