! Dunga refuta lado ditador, mas centraliza ações para não pagar no futuro - 20/06/2009 - UOL Esporte - Futebol
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20/06/2009 - 16h08

Dunga refuta lado ditador, mas centraliza ações para não pagar no futuro

"É muito mais difícil e problemático do que eu imaginava". A frase de Dunga resume seu balanço à frente da seleção. Há quase três anos no comando em sua primeira experiência como treinador, ele afirma que sua função exige muito mais do que organizar o time em campo. E assume que interfere em diversos setores para não ser culpado por falhas que ocorram longe dos gramados.

O espírito de liderança que mostrou nos tempos de volante agora serve para ajudar nas principais decisões que envolvem a seleção principal. De alimentação a transporte, passando pelo relacionamento com a mídia, Dunga busca informações de todos os setores para que eventuais erros não interfiram tanto em seu trabalho à beira do campo.

"Há pessoas responsáveis pelas outras coisas, mas se algo dá errado, quem paga é o técnico. Alguns vão dizer que quero ser 'mandão' ou ditador, mas mesmo se algo não passa pela minha responsabilidade quem paga sou eu na figura de treinador, como já vi em experiências com outros técnicos", comparou ele.

Dunga está em seu momento de maior paz na seleção. Bastante contestado quando assumiu o cargo por nunca ter treinado um clube antes, o gaúcho conquistou bons resultados e se sente respaldado até a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. O Brasil atualmente é líder das eliminatórias, líder de seu grupo na Copa das Confederações e conquistou a Copa América de 2007.

Mas até atingir tal ponto, Dunga sofreu. Pressionado, começou sua trajetória mostrando impaciência e até certa truculência pública, principalmente em entrevistas. Internamente, porém, conseguiu formar um grupo forte e bastante unido.

"Ser técnico é muito mais difícil [do que imaginava antes], é muito mais problemático. Quando comecei, achei que devia cuidar apenas do campo e dos jogadores e nada mais. No entanto, se algo sai errado com transporte, alimentação ou com a imprensa, por exemplo, é o técnico quem paga. Então estou ligado a tudo que acontece e tento fazer tudo com harmonia", contou.

Justamente por ter os resultados como seu principal aliado, Dunga assume que, em sua filosofia, o resultado é mais importante que o espetáculo. O treinador se diz fã de grandes exibições e jogadas de efeito, mas apenas se elas forem acompanhadas do que interessa: bola na rede.

"Para ser treinador é preciso colocar em prática o que você tem em mente e ver quem está comprometido com o resultado. Aí virá um saudosista dizendo que é preciso passar o pé sobre a bola e jogar bonito sempre. É o ideial, mas se não colocar a bola para dentro do gol não adianta nada."

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